Peça 1 – quem é o presidente da Câmara Federal
Presidente da Câmara, indicado por Arthur Lira, orientado por Eduardo Cunha, Hugo Motta é uma pequena raposa, sem a dimensão política e a visão estratégica de seus mentores.
Em junho deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou a quarta denúncia da Operação Outside, apurando irregularidades nas obras de restauração das avenidas Alça Sudeste e Alça Sudoestes em Patos, sertão da Paraíba.
A emenda foi apresentada por Hugo Motta; o prefeito de Patos é seu pai Nabor Wanderley. Uma servidora municipal, Eulanda Ferreira, foi apontada pela PF como ponte entre a empresa favorecida e Hugo Motta, tendo atuado entre o empresários e assessores do deputado para destravar as emendas.
Não apenas isso.
Em 2015-2016 foi deflagrada a Operação Desumanidade. A PF, junto com o MPF e a Procuradoria Geral da República, investigou membros da familia de Hugo Motta por suspeitas de atos de corrupção, cometidos em 2012 e 2013, favorecendo a empresa Soconstrói.
Houve a prisão preventiva de Ilanna Motta, sua mãe. Sua avó, Francisca “Chica” Motta, então prefeita de Patos, foi afastada do cargo.
O cunhado José Willian Segundo Madruga e Renê Caroca, novo marido da avó, foram presos.
E o pai Nabor Wanderley apontado como “líder do grupo criminoso”, recebendo cerca de 10% da propina dos contratos.
A delação da Soconstrói indicou que 20% dos valores desviado das obras de Unidades Básicas de Saúde, foram usadas para financiar campanha de Hugo Motta.
Peça 2 – quem é o grande líder do centrão
Segundo o jornalista Chico de Gois, autor do livro Os Ben$ que os Políticos Fazem, o grande guru do Centrão, Arthur Lira, apresentou um aumento significativo em seu patrimônio declarado entre 1996 e 2010. Em 1996, seu patrimônio era de R$ 79 mil; em 2006, passou para R$ 695 mil; e em 2010, superou R$ 2 milhões.
Ele não declarou à Justiça Eleitoral bens como um apartamento no bairro da Jatiúca, em Maceió, e a empresa D’Lira Agropecuária e Eventos, fundada em 2007, da qual era sócio com seu pai, Benedito de Lira .
Entre 2004 e 2006, Arthur Lira adquiriu quatro fazendas em Pernambuco por quase R$ 5 milhões, valores que não constam em suas declarações de bens à Justiça Eleitoral. Pagamentos foram feitos em “moeda corrente”, e parte do valor foi quitada com a entrega de apartamentos. Essas propriedades foram adquiridas enquanto Lira era deputado estadual.
Peça 3 – o semi-presidencialismo
Criou-se esse ornitorrinco do semi-presidencialismo, no qual o parlamento ganha todas as prerrogativas do parlamentarismo e o Executivo não tem nem a única defesa viável, que é a capacidade de dissolver o parlamento e convocar novas eleições, em caso de impasse.
A alternativa, sugerida por alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, é implantar definitivamente o parlamentarismo. Seria a pior das soluções. Nas longas conversas que tive com Walter Moreira Salles, que foi Ministro da Fazenda no gabinete parlamentar de Tancredo Neves, no governo João Goulart, o parlamentarismo permitia toda sorte de ingerência e de chantagem do Congresso – já que o presidente e o primeiro-ministro precisavam negociar permanentemente o voto de confiança da casa.
Mais que isso, um conjunto de medidas aprovadas nos últimos anos, aumentou exponencialmente criou a figura dos “donos” de partidos.
Foram elas:
| Medida/Instrumento | Ano | Efeito principal |
| Controle sobre Fundos Públicos (Partidário e Eleitoral) | 2019–atual | Concentrado nas executivas nacionais, com pouca transparência |
| Fim das coligações proporcionais | 2017 | Aumentou dependência dos candidatos do partido |
| Fidelidade partidária ao partido (não ao parlamentar) | 2007–2022 | Permite expulsar dissidentes e controlar mandatos |
| Controle do tempo de rádio e TV | Desde 1997 | Direção decide exposição dos candidatos e narrativa nacional |
| Cláusula de barreira | 2017 | Reduziu o número de partidos viáveis, concentrando poder nos maiores |
Nesse modelo, o país tornou-se totalmente refém de uma organização espúria. O poder acumulado no Congresso permite sequestrar parcela relevante do orçamento público e utilizar os recursos para sua perpetuação no poder.
Não apenas isso. Conforma alertou o advogado Cláudio Pereira de Souza Neto, esse conjunto de normas permitiu às executivas nacionais o controle sobre os Fundos Públicos (Partidário e Eleitoral), acaba com as coligações proporcionais, aumenta a dependência dos candidatos do partido, permite às executivas expulsar dissidentes e controlar mandatos, tempo de rádio e TV. E, com a cláusula de barreiras, reduziu o número de partidos viáveis, concentrando o poder nos maiores.
Peça 4 – o poder restaurador do STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) pode atuar de diversas formas para reequilibrar o sistema político brasileiro, especialmente diante do atual cenário de concentração de poder no Congresso (via emendas), enfraquecimento do Executivo e uso político do orçamento. E também se penitenciar de sua contribuição para a desinstitucionalização do país, no período 2008-2018;
Abaixo, os principais caminhos jurídicos, constitucionais e institucionais que o STF pode seguir:
1. Revisar a constitucionalidade das emendas parlamentares impositivas
Como:
- Julgar ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) sobre:
- Emendas do relator (RP9) – consideradas inconstitucionais em 2021, mas ressuscitadas sob novo formato (emendas de comissão).
- Emendas de comissão (RP8) – como no caso em que o ministro Flávio Dino suspendeu R$ 4,2 bilhões e enviou à PF.
- Emendas do orçamento impositivo, que se tornaram quase incondicionais após a EC 100/2019.
Objetivo:
- Limitar o uso político do orçamento.
- Impor obrigações de transparência, equidade e rastreabilidade na destinação de recursos.
- Redefinir o papel do Congresso na execução orçamentária, mantendo sua função fiscalizadora, e não executiva.
2. Delimitar os poderes do Congresso frente ao Executivo e agências reguladoras
Como:
- Julgar ações sobre:
- Decretos presidenciais sobre tributos (IOF), como no caso relatado por Alexandre de Moraes.
- Atos que invadam a autonomia de agências reguladoras, como na demora proposital do Senado em aprovar indicações (instrumento de chantagem).
Objetivo:
- Restaurar o princípio da separação dos poderes, evitando o sequestro da agenda executiva por lideranças do Congresso.
- Proteger a independência técnica de agências que hoje são pressionadas politicamente.
3. Fortalecer os mecanismos de controle e responsabilização de parlamentares
Como:
- Autorizar investigações e processos criminais contra parlamentares que negociam emendas por vantagem pessoal (ex: caso Josimar Maranhãozinho e outros).
- Estimular ações por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, incluindo parlamentares com uso irregular de verba pública.
Objetivo:
- Reforçar a impessoalidade e legalidade no uso do orçamento público.
- Combater a impunidade no Legislativo, demonstrando que o foro privilegiado não é blindagem.
4. Limitar juridicamente a influência de presidentes de partidos sobre mandatos e recursos
Como:
- Rever entendimentos sobre:
- Fidelidade partidária extrema (uso de expulsão como coerção).
- Centralização de recursos de fundo eleitoral e partidário em mãos da executiva nacional.
Objetivo:
- Reduzir o poder quase monárquico dos presidentes de partido sobre parlamentares.
- Estimular o pluralismo interno e a democracia partidária.
5. Reforçar a transparência e controle judicial sobre o orçamento da União
Como:
- Imposição de mecanismos permanentes de auditoria judicial ou acompanhamento técnico do STF sobre a LOA (Lei Orçamentária Anual), como:
- Limites de execução de emendas por comissões.
- Critérios técnicos obrigatórios na destinação de recursos.
Objetivo:
- Tornar o orçamento público mais técnico, menos político.
- Proteger áreas negligenciadas (educação, saúde, ciência) do desvio de verbas para fins eleitorais.
Exemplo atual: Ação sobre o IOF (relatoria de Alexandre de Moraes)
- O STF pode usar essa ação para:
- Afirmar a legitimidade do uso do IOF como instrumento de política econômica, não sujeito à aprovação prévia do Congresso.
- Redefinir os limites do presidencialismo orçamentário, protegendo o Executivo de ingerência excessiva do Legislativo.
- Criar jurisprudência sobre equilíbrio fiscal e separação de competências.
Leia também:
Paulo Dantas
2 de julho de 2025 8:56 amSTF então.
São aqueles 11 do prédio bonito em Brasília ?
Então tá.
Fábio de Oliveira Ribeiro
2 de julho de 2025 9:47 amO fato mais importante, creio, é a impossibilidade de Lula e o STF restaurarem o sistema constitucional que foi estraçalhado pelo golpe de 2016 e esvaziado desde então por Michel Temer, Jair Bolsonaro, Arthur Lira e pelos próprios ministros da Suprema Corte. A supressão de um único elemento fundamental do sistema (a soberania popular como fonte do poder e método de investidura legítima do presidente da república), levou à inevitável fragilização de toda a Constituição de 1988. A direita continua flertando com o golpe porque percebeu a fraqueza do sistema político. A imprensa tradicional a ajuda ao atacar ferozmente Lula e o STF, sempre que o Tribunal tenta restaurar alguma racionalidade sistêmica. O vácuo político e institucional criados para expulsar Dilma Russeff do Palácio do Planalto a partir de 2015 se expandiu demais. Ele sofreu uma pequena contração com a eleição de Lula e o terrorismo bolsonarista em Brasília no dia 08/01/2023, mas esse efeito já foi interrompido. O desespero oriundo da falta de um candidato viável (Bolsonaro está fora da disputa, Tarcísio de Freitas é uma mosca morta na arena nacional) provoca o desespero na direita. E esse desespero não apenas antecipa a disputa eleitoral, ela esvazia o próprio significado político das eleições comprometendo ainda mais um sistema constitucional fragilizado. E para piorar, os abutres e insetos peçonhentos do Parlamento e dos partidos avançam sobre o orçamento da União porque o consideram totalmente vulnerável. Outro complicador é a mudança que ocorreu no seio da sociedade brasileira: a militância de esquerda envelheceu e não foi renovada; o fundamentalismo evangélico-político cresce como um câncer insaciável se renovando, aumentando e piorando a cada ciclo eleitoral. A tragédia brasileira não chegou ao fim. Talvez ela esteja apenas recomeçando num ponto mais baixo.
Jotaduguimtupiniquim
2 de julho de 2025 10:58 amNassif tá suave,se em um mês e só um mês baixar no Lulão o espírito do caos de Bolso(quando governou o Brasol)muitos vão tremer na base oras a caneta têm muito poder olhem o q Thuamp tá fazendo lá nos Euaaa traíra,ele é respeitado pela oposição não pelo q pode dar a eles para mimalos mas pelo q pode fazer para atrapalhar,aqui no Brasil sentimos a melhora em muita coisa mas só querem colher os bons frutos e nem ao menos QRECONHECER o minimimo do minimo balançando a cabeça pra cima e pra baixo q o GOVERNO LULA TEM MÉRITOS EXTRAORDINARIOS E VENCEU muitas batalhas junto.com os reoresentantes servicais dos bilionários mimadinhos,mas como todo mimadinho é, se acham o último pacote da bolhacha e são ingratos,um caos de vez em quando não faz mal nenhum para EVOLUIRMOS em nossa consciência das coisas !!!
Carioca
2 de julho de 2025 7:46 pmFica difícil de se acreditar em alguma mudança estrutural … até para devolver o que foi surrupiado de milhares de aposentados em jogadas ilegais os da prateleira de cima “não se entendem” … mais um pouco culpa será atribuída por terem nascido, trabalhado e se aposentarem …
Leiam o artigo https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/07/erro-em-sistema-do-inss-duplica-pedidos-de-devolucao-de-mensalidades-de-aposentados.shtml
Jicxjo
3 de julho de 2025 6:56 amÉ hora de ir para a guerra total contra o Congresso e judicializar tudo. Corta os 50 bilhões em emendas (incompatíveis com um regime presidencialista), demite os ministros de partidos traíras, acaba com a discussão sobre déficit fiscal e cala a boca do mercado, e ainda sobram recursos para distribuir para o povo (faz tudo por medida provisória e deixa o ônus de derrubar para essa cambada de chantagistas). Queimar esses picaretas em ano eleitoral, pregando na testa deles que são inimigos do Brasil. “Ah, mas eles vão abrir um processo de impeachment…”. E daí? Judicializa tudo, faz um ataque DoS contra o Congresso por meio de uma avalanche de medidas provisórias, veta tudo, imobiliza a pauta. Deixa entrar o ano das eleições, aumenta o salário mínimo para 2 mil em 2026 e diz ao povo que o saque do Congresso contra os recursos públicos acabou, que o dinheiro das emendas vai ser repassado ao povo sem atravessadores corruptos. Entope a pauta, deixa a imprensa batendo cabeça, inventa mil factóides por dia. A esquerda precisa aprender a usar essas armas e parar de ser inocente.
Zequinha Lang
3 de julho de 2025 9:03 amNão esquecer da criação do Orçamento Secreto por Luiz Eduardo Ramos e Jair Messias Bolsonaro; assunto NUNCA lembrado pelo PIGão. Das maiores tragédias (junto com a pandemia) pespegadas pelo Inominável-Inelegivel. Arrisco dizer que levará, no mínimo, 20 anos para reverter.
Herman Christ
3 de julho de 2025 11:37 amNão é a forma de governo, a constituição ou as leis em geral. Nosso problema não é a inexistência de regras. Nosso desafio é moral e cultural. O número e a qualidade das regras não importa se a elite econômica e política escolhe não cumpri-las.
É importante ter em mente também que os políticos não surgem por geração espontânea, já prontos, dentro dos partidos, eles são uma amostra da sociedade brasileira.