5 de junho de 2026

“Não passa pela minha cabeça ser preso”, diz Bolsonaro após parecer da PGR por tentativa de golpe

Em coletiva no Senado, ex-presidente se diz alvo de “injustiça” e afirma que filho Eduardo será preso se retornar ao Brasil
Marcelo Camargo - Agência Brasil

Jair Bolsonaro (PL) convocou uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (17), no Senado Federal, para comentar o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que reiterou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de sua condenação por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente classificou o processo como uma “injustiça” e declarou que a possibilidade de ser preso “não passa pela [sua] cabeça”.

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Não sou culpado de nada, não estou sendo acusado de corrupção. É injustiça comigo”, afirmou Bolsonaro diante dos jornalistas.

O parecer da PGR, apresentado na segunda-feira (14), acusa Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e constituição de organização criminosa. Caso seja condenado, ele poderá cumprir mais de 40 anos de prisão.

Defesa da permanência de Eduardo nos EUA

Durante a coletiva, Bolsonaro também comentou a situação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra nos Estados Unidos. O ex-presidente reconhece que seu filho corre risco de ser preso pela Polícia Federal (PF) caso retorne ao Brasil.

Se Eduardo vier para cá, ele está preso. Ou não está? Pelo que eu sei, ele não vem pra cá. Vai ser preso no aeroporto”, disse.

Eduardo está licenciado do mandato parlamentar, e o prazo da licença termina no próximo domingo (20). Se não retornar, poderá perder o mandato caso ultrapasse o limite de um terço de faltas às sessões da Câmara.

Nesta semana, os líderes do PT na Câmara e do governo Lula no Congresso, deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), protocolaram uma queixa-crime no STF solicitando a prisão preventiva de Eduardo Bolsonaro.

Conforme os parlamentares, Eduardo teria atuado em território norte-americano para articular sanções econômicas contra o Brasil, com o objetivo de retaliar decisões do STF e da PGR.

“Tarifaço” de Trump e a questão da soberania

Bolsonaro também foi questionado sobre a nova tarifa adicional de 50% anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra produtos brasileiros. A medida, segundo Trump, seria uma reação às investigações contra o ex-presidente no Brasil.

Para Bolsonaro, o “tarifaço” não representa ameaça à soberania nacional. Ele mencionou ainda a possibilidade de Trump pedir anistia em seu favor:

Vamos supor que Trump queira anistia. É muito? É muito, se ele pedir isso aí? A anistia é algo privativo do parlamento. Não tem que ninguém ficar ameaçando tornar inconstitucional”, declarou, criticando ainda a condução das negociações do governo brasileiro com a Casa Branca.

Rumo ao cerco judicial

A nova ofensiva da PGR agrava o cerco judicial ao ex-presidente, que acumula investigações no STF e pode enfrentar penas severas por sua atuação nos ataques à democracia. Apesar das acusações, Bolsonaro sustenta um discurso de vítima e tem buscado respaldo político — tanto nacional quanto internacional — para evitar o avanço de punições.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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3 Comentários
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  1. AMBAR

    17 de julho de 2025 1:28 pm

    Bolsonaro tem a fala de um cachorro: late alto e forte sem precisar de sentido, ele quer é ameaçar o território que ele se acha que tem. Queria saber se esse cadelo condenado tem a prerrogativa de “convocar” uma coletiva de imprensa onde só podem interroga-lo repórteres amiguinhos e com questões que lhe interessam.
    No mais, cachorro, a gente sabe, só late quando tem casa, dono e cerca. Abriu o portão, foi deixado na estrada, ficou avulso, não late nem pra pedir comida. Tudo o que esse infeliz precisa é ser abandonado.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    17 de julho de 2025 2:58 pm

    Bolsonaro vai receber a PF a bala e ser morto? Duvido. Esse nóia é um covarde. Ele vai cometer suicídio? Impossível, porque só quem tem honra faz isso e Bolsonaro é desonrado. Fugir ele pode tentar. Mas se for pego pulando o muro da Embaixada dos EUA o incidente apenas aumentará a desonra dele. Talvez os seguidores de Bolsonaro o imaginem resistindo à prisão como se fosse Julian Assange. Mas esse homem minúsculo que imagina ser um gigante não tem colhões para enfrentar a autoridade da Lei e dos agentes dele. Bolsonaro é um punguista e se comportará como tal. Ele não é capaz nem de exibir as algemas à moda de José Dirceu.

  3. Rui Ribeiro

    18 de julho de 2025 7:52 pm

    Antes do Marcola e do Beira-Mar serem presos, certamente também na passava pela cabeças deles serem presos. Tal qual o Bolsobosta, eles se achavam acima da lei

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