O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou dezenas de países a integrar o chamado Conselho de Paz, grupo criado com o objetivo inicial de supervisionar o cessar-fogo e a situação humanitária na Faixa de Gaza. Segundo o próprio Trump, o escopo do conselho pode ser ampliado futuramente para tratar de outros conflitos internacionais.
De acordo com um alto funcionário da Casa Branca ouvido pela Reuters na quarta-feira (21), cerca de 35 líderes mundiais já se comprometeram a participar do Conselho de Paz, de um total aproximado de 50 convites enviados. O governo americano, no entanto, não divulgou oficialmente a lista completa dos países que aceitaram.
Países que já aceitaram participar
Segundo informações da CNN, CNN Brasil e da Reuters, os seguintes países confirmaram adesão ao conselho:
- Arábia Saudita
- Argentina
- Armênia
- Azerbaijão
- Bahrein
- Belarus
- Catar
- Cazaquistão
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Hungria
- Indonésia
- Israel
- Jordânia
- Kosovo
- Kuwait
- Marrocos
- Paraguai
- Paquistão
- Turquia
- Uzbequistão
- Vietnã
Posição do Brasil
Entre as autoridades convidadas está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe do Executivo brasileiro ainda não respondeu oficialmente ao convite e avalia a proposta com cautela. Trump afirmou publicamente que gostaria que Lula tivesse um “grande papel” dentro do grupo.
O governo brasileiro ainda realiza avaliações políticas e jurídicas sobre a eventual participação no Conselho de Paz. Segundo fontes ouvidas pela CNN, não há pressa para responder ao convite, e a decisão não deve ser anunciada nesta semana, já que as análises internas ainda estão em curso.
O estatuto do conselho foi encaminhado ao Brasil junto com o convite formal. Entre os principais pontos de preocupação está a possibilidade de concentração de poder na presidência do órgão, que ficaria a cargo de Trump, incluindo um eventual direito de veto exclusivo. Também causa desconforto o fato de os Estados Unidos deterem, sozinhos, a prerrogativa de escolher os integrantes do grupo.
Diplomatas brasileiros também têm alertado para uma sobreposição de atribuições com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), além de questionarem a amplitude do mandato do novo órgão, que poderia se estender a outros conflitos internacionais, para além da crise em Gaza.
Outro ponto ainda indefinido é se a adesão ao conselho exigiria aprovação dos parlamentos nacionais dos países convidados, o que poderia impor entraves adicionais ao processo.
A adesão internacional à iniciativa segue considerada limitada. O Brasil acompanha com atenção, por exemplo, a posição da Rússia. Uma eventual aceitação por parte do presidente Vladimir Putin causaria surpresa, uma vez que o país já ocupa assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou sua equipe a manter as avaliações em andamento e a ampliar o diálogo com outros chefes de Estado. Na quarta-feira (21), Lula conversou por telefone com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, como parte desses esforços diplomáticos.
Ainda não confirmados
Além do Brasil, outros países e líderes seguem sem resposta oficial. Fontes ouvidas pela CNN Brasil afirmam que o governo brasileiro demonstra resistência ao formato atual do conselho, por avaliar que a iniciativa concentra poder excessivo nas mãos do presidente dos Estados Unidos.
O Canadá informou que aceitou participar “em princípio”, mas que os termos ainda estão em negociação. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou precisar de mais tempo para avaliar a proposta, alegando que o conselho pode violar a Constituição italiana.
Países como Rússia, China, Polônia, Índia, Austrália e Irlanda ainda não se posicionaram. Trump chegou a afirmar que o presidente russo, Vladimir Putin, teria aceitado o convite, mas o Kremlin declarou posteriormente que a proposta segue em análise.
Aliados estratégicos dos Estados Unidos, como Reino Unido, Alemanha e Japão, também não anunciaram decisão pública. Um porta-voz do governo alemão confirmou que o chanceler Friedrich Merz não participará da cerimônia de assinatura do conselho durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
A Ucrânia informou que seus diplomatas avaliam o convite, mas o presidente Volodymyr Zelensky afirmou ter dificuldade em imaginar sua participação em um conselho que inclua a Rússia após quatro anos de guerra.
Segundo a Reuters, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi convidada a representar a União Europeia, mas ainda não respondeu. O papa Leão XIV também recebeu convite, de acordo com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, que disse ser necessário “um período de reflexão” antes de qualquer decisão.
Países que recusaram o convite
Algumas nações já rejeitaram oficialmente a proposta de Trump. Noruega, Suécia e Eslovênia recusaram participar do Conselho de Paz.
A França também anunciou que não integrará o grupo, segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Em reação, Trump ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.
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Winston Churchill
22 de janeiro de 2026 6:23 pmEsse “Conselho de Paz” do Trump é o exemplo mais claro do estado de demência em que ele está. Só um maluco acha que alguém sem intenções inconfessáveis, como participar da partilha do território palestino e das negociatas que daí surgirão, poderia desejar compor um grupo em que o Trump é o dirigente supremo, com todas as prerrogativas de veto e designação de participantes e sucessores. Parece estatuto de clubinho dos tempos de criança onde o mais velho detinha todos os poderes e mandava nos mais novos. Esse cara está maluco e pode levar o mundo a situações sem retorno. Os políticos e cidadãos norte americanos tem a responsabilidade de resolver o problema que criaram. Por bem ou …