A Polícia Federal indiciou o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), sob a acusação de vazar informações sigilosas para integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). O relatório, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), inclui o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras três pessoas por crimes de organização criminosa, obstrução de justiça e favorecimento pessoal.
A investigação detalha um sofisticado esquema de corrupção e tráfico de influência que conectava a cúpula do Legislativo fluminense, membros do Judiciário e lideranças do tráfico no Complexo do Alemão. Segundo a PF, a estrutura servia para garantir impunidade e acesso antecipado a dados de operações policiais.
Conexões entre Alerj e Judiciário
Entre os indiciados está Flávia Júdice Neto, ex-servidora da Alerj e esposa do desembargador federal Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Embora o magistrado tenha sido preso durante as diligências por suspeita de vazar dados da própria PF, ele não figura na lista de indiciados deste inquérito específico. A instituição justificou a ausência citando ritos da Lei Orgânica da Magistratura, que impõe procedimentos especiais para a responsabilização de juízes.
O documento encaminhado ao STF solicita ainda a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos envolvidos. Com isso, a PF busca rastrear a movimentação financeira que sustentava o que classifica como uma infiltração do crime organizado na administração pública.
O braço político do tráfico
O pivô do caso, TH Joias, é acusado de negociar armas e acessórios para o Comando Vermelho, incluindo a importação de equipamentos antidrone da China. Ele assumiu o mandato na Alerj em junho como suplente, mas foi detido na Operação Zargun, em setembro.
Bacellar, por sua vez, teria atuado para blindar o aliado. O presidente da Alerj foi preso em 3 de dezembro na Operação Unha e Carne, suspeito de repassar dados que deveriam ser restritos à inteligência policial. Ele obteve a liberdade menos de uma semana depois, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, e permanece sob medidas cautelares enquanto cumpre licença do mandato até março.
Em notas anteriores, a Polícia Federal afirmou que a gravidade do caso reside na capacidade de articulação do grupo:
“A organização infiltrava-se na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais.”
Histórico e próximos passos
O inquérito agora aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia contra os indiciados ao STF. Enquanto TH Joias permanece detido no Presídio Federal de Brasília, os demais acusados, incluindo Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, respondem ao processo em liberdade ou sob restrições judiciais. As defesas dos citados ainda não se pronunciaram sobre o indiciamento formal.
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