13 de junho de 2026

STF julga Ficha Limpa: relatora vota contra as mudanças aprovadas pelo Congresso

A ministra Cármen Lúcia abriu a votação nesta terça-feira (22) com voto pela inconstitucionalidade das alterações; demais ministros têm até 29 de maio para se manifestar no plenário virtual

STF iniciou julgamento das mudanças na Lei da Ficha Limpa feitas pelo Congresso em 2025, com voto da ministra Cármen Lúcia.
Alterações reduziram prazo de inelegibilidade, contando desde a condenação e limitando a 12 anos para condenações múltiplas.
Decisão do STF pode impactar eleições de outubro e candidaturas como Garotinho, Cunha e Arruda.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início nesta terça-feira ao julgamento das mudanças feitas pelo Congresso Nacional à Lei da Ficha Limpa em 2025. A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, votou pela derrubada das alterações, considerando-as um “patente retrocesso” e incompatíveis com os princípios constitucionais de probidade administrativa e moralidade pública. Os demais ministros têm até 29 de maio para registrar seus votos no plenário virtual.

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Mudanças

As alterações aprovadas no ano passado reduziram o alcance temporal da inelegibilidade para políticos condenados por mais de uma instância. Pela regra anterior, o prazo de oito anos de inelegibilidade só começava após o cumprimento integral da pena, o que significava, na prática, que um político condenado a dez anos de prisão ficaria 18 anos impedido de se candidatar.

Com as mudanças, o prazo passou a ser contado a partir da data da condenação, excluindo o período de cumprimento de pena do cálculo. A nova lei também estabeleceu um teto de 12 anos de inelegibilidade para casos de condenações múltiplas, impedindo que uma segunda condenação reiniciasse automaticamente uma nova contagem de oito anos se o prazo anterior ainda estivesse em curso.

Voto

A ação direta de inconstitucionalidade foi ajuizada pela Rede Sustentabilidade no mesmo dia em que o presidente Lula sancionou a nova lei, em 30 de setembro de 2025. O processo ficou parado quatro meses no gabinete de Cármen Lúcia antes de ser levado ao plenário.

Em seu voto, a ministra foi categórica ao afirmar que “não pode participar da vida político-eleitoral quem descumpre as normas constitucionais e legais” e que as modificações nos prazos de inelegibilidade são “incompatíveis com o modelo constitucional democrático e republicano”.

A decisão final do STF é aguardada com tensão pela classe política porque deve ter efeito direto sobre as eleições de outubro deste ano. Uma eventual derrubada das mudanças pode inviabilizar candidaturas como as do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, do ex-deputado federal Eduardo Cunha e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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