21 de julho de 2026

Uma contribuição da Teoria da Complexidade para a Nova Indústria Brasil

Entenda-se a quantidade e a sofisticação de conhecimentos, competências e instituições que uma economia consegue combinar
Reprodução

Cedeplar-UFMG e Cepal estudam complexidade econômica para orientar investimentos da Nova Indústria Brasil.
Seis missões da NIB têm trajetórias regionais distintas, com Nordeste focado em agroindústria e digital, Centro-Oeste em defesa.
Críticas apontam que teoria da complexidade privilegia produção e comércio, mas pode não refletir desenvolvimento social.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Há tempos a Cedeplar, da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vem trabalhando o tema da complexidade.

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Por tal, entenda-se a quantidade e a sofisticação de conhecimentos, competências e instituições que uma economia consegue combinar para produzir bens e serviços.

O conceito foi desenvolvido por César Hidalgo (MIT), que desenvolveu sistemas para permitir a identificação de regiões com essas características.

Em parceria com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), o economista João Paulo Romero, do Cedeplar, montou um trabalho para orientar a NIB (Nova Indústria Brasil) sobre como distribuir pelo território nacional os investimentos associados às seis missões da política industrial, sem simplesmente reproduzir a concentração histórica da indústria no Sudeste.

Os Pontos Fortes do Mapeamento

  • Superação do Espalhamento Sem Critério: O estudo prova que descentralizar a indústria não pode significar pulverizar recursos. A identificação das 86 subclasses da CNAE permite que os incentivos públicos (seja via BNDES, FINEP ou subsídios) sejam direcionados a “clusters” operacionais com real potencial de transbordamento (spillover).
  • Diversidade de Rotas Regionais: Evita o erro de impor uma matriz única. Se o Nordeste tem densidade para agrotech e serviços digitais, e o Centro-Oeste para tecnologias duplas (defesa/agro), a política industrial passa a atuar como alavanca de potencialidades reais, reduzindo o custo de oportunidade e o risco de projetos falidos (“elefantes brancos”).
  • Massa Crítica de Inovação: O intervalo de complexidade mapeado (de 0,33 a 0,63 na média das cadeias) confirma que o foco da NIB está exatamente onde o Brasil perdeu terreno nas últimas décadas: máquinas, eletrônica, biotecnologia e insumos químicos avançados.

A resposta sugerida pelo estudo é que cada região deve partir das capacidades que já possui. Em vez de espalhar fábricas por decreto, a política industrial deve identificar os conhecimentos, fornecedores, trabalhadores, serviços técnicos e atividades produtivas existentes em cada território e, a partir deles, estimular saltos para setores mais sofisticados.

Foram identificadas 28 cadeias, associadas a 86 subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas, a CNAE.

Dessas atividades, 56 pertencem à indústria de transformação, 21 ao setor de informação e comunicação, seis à indústria extrativa, duas à agropecuária e uma à área de eletricidade e gás.

O resultado mais importante é que as atividades escolhidas pela NIB apresentam complexidade econômica significativamente superior à média nacional.

A cadeia menos complexa é a de combustível sustentável de aviação, o SAF, com índice de 0,33. No outro extremo aparecem os semicondutores, com índice médio de 0,63. Entre as atividades individuais, a complexidade varia de 0,13, na extração de minério de níquel, a 0,73, na fabricação de motores para caminhões e ônibus.

Isso significa que a NIB não está concentrada apenas em setores de grande volume de produção. Seu núcleo reúne atividades que exigem engenharia, conhecimento tecnológico, trabalhadores especializados, redes de fornecedores e capacidade de inovação.

São setores que, quando se desenvolvem, tendem a irradiar conhecimento e produtividade para outras partes da economia.

Uma região que já produz máquinas, motores e componentes metálicos, por exemplo, possui mais condições de avançar para equipamentos ferroviários ou sistemas de propulsão do que uma região sem essa base industrial. Da mesma forma, localidades com universidades, serviços digitais e mão de obra tecnológica podem ter maior possibilidade de desenvolver plataformas, computação em nuvem ou atividades ligadas a semicondutores.

No gráfico geral do estudo, boa parte das atividades da NIB aparece em áreas densas e centrais dessa rede, próximas à indústria de transformação avançada, à tecnologia da informação, à engenharia e aos serviços especializados.

Seis missões, várias trajetórias regionais

A Nova Indústria Brasil foi organizada em seis missões.

A primeira reúne agricultura de precisão, fertilizantes, biofertilizantes, máquinas agrícolas e têxteis técnicos. A segunda concentra medicamentos, princípios ativos, vacinas, terapias avançadas e dispositivos médicos.

A terceira abrange baterias, sistemas de propulsão, equipamentos metroferroviários e indústria naval. A quarta inclui robôs industriais, semicondutores, plataformas digitais, computação em nuvem e audiovisual.

A quinta trata da transição energética e da descarbonização, reunindo aço e cimento verdes, química verde, aerogeradores, painéis solares, hidrogênio e combustíveis sustentáveis. A sexta se volta às tecnologias de soberania e defesa, como radares, satélites e veículos lançadores.

O estudo mostra que não existe uma única missão adequada a todas as regiões. As melhores possibilidades variam conforme a estrutura econômica local.

No Nordeste, as missões com maior número de atividades potencialmente desenvolvíveis são a agroindustrial e a digital. Em ambas, 66,7% das atividades possuem pelo menos uma região imediata considerada promissora.

No Norte, aparecem à frente as missões de infraestrutura e transformação digital. Na missão de infraestrutura, 42,1% das atividades encontram alguma região promissora na macrorregião.

No Centro-Oeste, a principal possibilidade identificada está nas tecnologias de defesa, seguida pela missão agroindustrial. Cerca de 60% das atividades de defesa e 57,1% das atividades agroindustriais possuem alguma região potencialmente apta.

No Sudeste, as missões mais promissoras são defesa e complexo industrial da saúde. Em ambos os casos, todas as atividades analisadas possuem pelo menos uma região imediata considerada promissora.

No Sul, a liderança também é da defesa, seguida pela transformação digital. Respectivamente, 80% e 76,7% das atividades encontram alguma base regional favorável.

O resultado não significa que toda a produção de defesa deva ir para o Centro-Oeste ou que o Nordeste deva se limitar à agricultura e ao setor digital. Ele indica onde existem bases produtivas que permitem iniciar determinadas estratégias com menores obstáculos.

A crítica ao conceito

Embora muito influente, a teoria da complexidade econômica também recebe críticas. Alguns economistas apontam que:

  • ela privilegia a estrutura produtiva e o comércio exterior, mas capta menos aspectos institucionais e políticos;
  • nem toda atividade de alta complexidade gera, por si só, desenvolvimento social ou redução das desigualdades;
  • países ricos em recursos naturais podem ter alta renda com índices de complexidade relativamente modestos, como ocorre em alguns exportadores de petróleo.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Paulo Dantas

    20 de julho de 2026 8:41 am

    Este site é uns poucos em que pode ler artigos assim que saem do “varejão” do noticiário comum.

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