O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), na Arena Mercado Livre, no Pacaembu, em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026. O evento de lançamento ocorreu sem o anúncio de quem ocupará a vaga de vice-presidente na chapa e sem o formalismo de alianças partidárias, diante da sinalização de neutralidade feita por legendas de centro como PP, União Brasil e Republicanos.
A indicação do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ocorre após a condenação e a inelegibilidade do patriarca por participação na trama golpista. O encerramento do prazo legal para a definição das coligações e das chapas completas ocorre em 15 de agosto.
Ataques ao STF e apelo familiar
Em seu primeiro discurso como candidato oficial da legenda, Flávio Bolsonaro discursou por cerca de 15 minutos. Ele centrou suas falas na defesa do legado do pai, em críticas ao governo do presidente Lula (PT) e em duros ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), com menções diretas ao ministro Alexandre de Moraes.
O candidato afirmou que pretende governar em nome das “centenas de famílias igualmente injustiçadas pelos abusos de parte do Judiciário brasileiro” e declarou que espera receber a faixa presidencial das mãos do próprio pai na posse em 2027. “Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem“, disse.
Impedido de comparecer presencialmente por cumprir prisão domiciliar, Jair Bolsonaro foi representado na convenção por um vídeo criado com inteligência artificial. “Estou preso e calado por uma decisão arbitrária. Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos“, diz a gravação transmitida no telão do evento.
Familiares do pré-candidato também participaram por mensagens gravadas. Dos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a união da direita. “Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro“, afirmou Eduardo, acrescentando que “não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito.” O vereador carioca Carlos Bolsonaro enviou vídeo no qual declarou: “Sei da responsabilidade da missão que você recebeu, mas estou muito tranquilo porque confio na sua missão de levar à frente o legado de Jair Bolsonaro“.
No palco, a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, indicada como primeira suplente na disputa ao Senado no Rio de Janeiro, esteve presente, assim como a esposa do senador, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, que discursou em defesa do combate ao feminicídio e da redução da carga tributária.
Reconciliação e palanque internacional
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enviou um pronunciamento gravado em vídeo, selando publicamente a reconciliação com o enteado após atritos recentes envolvendo disputas políticas regionais. Michelle justificou a ausência dizendo estar em casa para cuidar do marido e declarou apoio à campanha. “Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura“, disse.
Convidado de honra da convenção, o presidente da Argentina, Javier Milei, subiu ao palco para defender a candidatura do senador e discursar contra o modelo econômico de esquerda no continente. Milei afirmou que Flávio é a liderança capaz de “parar a máquina socialista” e encerrou a participação repetindo seu bordão: “Viva la libertad, carajo“.
A convenção contou ainda com a presença de lideranças locais da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Impasse nas coligações e cenário eleitoral
A indefinição sobre a vaga de vice-presidente reflete a dificuldade do PL em consolidar apoios formais no centro político. Caso as negociações com partidos como o Republicanos — que avalia indicar a ex-presidente da Caixa Daniella Marques — não avancem, o PL estuda lançar uma chapa “puro-sangue”, formada integralmente por integrantes da própria sigla.
Flávio Bolsonaro iniciou sua pré-campanha posicionando-se como uma opção de perfil mais moderado em relação ao pai, mas intensificou as críticas ao STF e às urnas eletrônicas após ser proibido pela Justiça de visitar o político inelegível.
Entre as propostas apresentadas na convenção, Flávio defendeu o plano de segurança “Brasil sem Medo“, que propõe a redução da maioridade penal, o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas e a castração química para condenados por estupro de vulneráveis.
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