O presidente Lula (PT) declarou neste sábado (25) que “quem quiser de fora se meter” nas eleições brasileiras “vai apanhar muito“. A fala ocorreu durante a convenção estadual do PT em São Paulo, que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado, e serviu como resposta direta à tentativa de diplomatas dos Estados Unidos de contestar a segurança das urnas eletrônicas no país.
A reação do chefe do Executivo veio após o Ministério das Relações Exteriores negar o pedido de visto oficial para Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do Departamento de Estado americano. A viagem dos funcionários, articulada no governo de Donald Trump, tinha como objetivo questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro a poucas semanas do pleito.
“E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. […] quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores“, afirmou o presidente.
Tensão diplomática e recusa de vistos
O pedido de visto para a comitiva americana chegou ao Itamaraty em 20 de julho. O governo brasileiro foi alertado sobre o caráter inusitado da missão e decidiu barrar a entrada dos representantes antes que a articulação fosse tornada pública pelo jornal The Washington Post.
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a tentativa de inspeção estrangeira como “escandalosa” e “inusitada”, apontando violação da soberania nacional e ingerência em assunto de competência exclusiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A movimentação do governo norte-americano ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com representantes de cerca de 40 países em Brasília. No encontro, o parlamentar alegou erroneamente que o Brasil utiliza equipamentos da empresa Smartmatic, associada por ele a fraudes na Venezuela.
O TSE desmentiu a informação e reiterou que a empresa não fornece software ou urnas eletrônicas para o processo eleitoral brasileiro, auditável desde a implementação em 1996 sem nenhum registro comprovado de fraude.
Discurso focado em soberania
Durante o ato político em Campinas (SP), que também reuniu aliados como o ex-governador Márcio França (PSB), a ministra Simone Tebet (PSB) e a ministra Marina Silva (Rede), Lula reforçou a autodeterminação do eleitorado e defendeu a neutralidade diplomática do país.
“O aviso está dado, o Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar“, declarou.
O presidente encerrou o discurso projetando o cenário político do país e sinalizando disposição para a disputa eleitoral de 2026: “E pode ter certeza: esse jovem de 80 anos que está falando com vocês vai ganhar as eleições outra vez em 2026. […] Esse país é nosso e aqui ninguém mete o bedelho!”.
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