O governo brasileiro negou o pedido de visto concedido a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam viajar ao país para cumprir agendas vinculadas ao processo eleitoral. A decisão, confirmada por fontes oficiais em Brasília, atinge o secretário-adjunto Riley M. Barnes e o subsecretário-adjunto Samuel Samson, cujos planos de viagem haviam sido antecipados pelo jornal The Washington Post.
As informações foram originalmente divulgadas pela jornalista Janaína Figueiredo, do portal TSE.
Segundo fontes diplomáticas, o requerimento de visto oficial deu entrada no dia 20 de julho, e a resposta negativa foi comunicada a Washington ao final desta semana. Interlocutores do Executivo em Brasília avaliaram que a missão estrangeira buscava interferir diretamente no cenário político nacional, em um momento de acirramento do debate sobre a integridade das urnas eletrônicas.
Sondagens ao TSE e articulação política
Além do pedido formal para os diplomatas, o governo dos Estados Unidos realizou sondagens paralelas para articular encontros com autoridades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Havia também a previsão de uma reunião entre os enviados americanos e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação interna do governo brasileiro aponta para uma articulação direta entre a visita dos representantes norte-americanos e as movimentações da campanha do candidato do PL para colocar em dúvida o sistema eleitoral. A ofensiva incluiu uma reunião com embaixadores em Brasília, na qual o candidato reiterou críticas ao processo de votação, em estratégia semelhante à adotada por Jair Bolsonaro (PL).
Alinhamento internacional sob suspeita
A tentativa de agenda dos diplomatas coincide com o momento de oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro, evento que conta com a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, em São Paulo.
Para interlocutores em Brasília, o episódio sinaliza o apoio da administração de Donald Trump a uma operação articulada para deslegitimar a Justiça Eleitoral. A rapidez na negativa dos vistos visou conter o que o governo classificou como uma ingerência indevida de uma nação estrangeira no processo democrático brasileiro.
Deixe um comentário