da Rede Lawfare Nunca Mais
O lawfare está nas sombras
por Luís Delcídes
A cada ciclo eleitoral, Fábio Luís, empresário, filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva, se torna alvo da Polícia Federal, do Poder Judiciário e do famigerado e velho lawfare. Justamente em um ano eleitoral, por quê?
Esse título fez recordar uma antiga canção entoada pelos templos de cor branca, com iluminação simples e sem parede preta. Na época uma senhorinha idosa, com seu agudo estridente cantava assim: “Sombras, Deus está nas sombras”. Bons tempos quando a igreja tinha a cara de igreja, não de uma casa de espetáculos.
Logo, o assunto é muito sério, é preciso conversar de forma atenta e séria. Ou seja, as velhas práticas instrumentais, a operação de guerra silenciosa trabalha a todo o vapor no judiciário – para dar um aspecto de seriedade – na imprensa – com todo o alarmismo – e no doidinho de bairro – ao disparar de forma frenética as notícias para o grupo de zap.
Com a proximidade das eleições de 2026, os holofotes da política brasileira começam a redefinir e um nome ressurge com força: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Não por acaso, sua figura é trazida à tona em meio a uma enxurrada de acusações, muitas vezes ancoradas em suposições e “fumaças” que, convenientemente, parecem ganhar corpo quando o cenário eleitoral se torna desfavorável a determinados espectros políticos.
No entanto, é necessário fazer a seguinte pergunta: O modus operandi do poder judiciário, principalmente por parte dos magistradose a instrumentalização de investigações, por parte da Polícia Federal e as práticas rasteiras e lacradoras da imprensa para fins políticos continua de vento em popa no cenário político brasileiro?
A Isca e o Timing: Por que agora?
A história recente mostra que Lulinha é um alvo recorrente da oposição. Seu nome foi citado em supostos esquemas que vão desde a CPMI dos Correios, em 2005, até as investigações da Operação Lava Jato, todas arquivadas sem que se comprovasse qualquer irregularidade. O padrão se repete: em momentos de acirramento político, surgem “revelações” e pedidos de investigação.
Agora, o estopim é a CPMI do INSS, que investiga um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias. O relatório da comissão, conduzido pela oposição, pediu o indiciamento de Lulinha por tráfico de influência, organização criminosa e corrupção passiva. O timing é, no mínimo, oportuno. A movimentação da CPMI para quebrar sigilos de Lulinha e o subsequente recurso ao STF servem como combustível para a narrativa política, independentemente da solidez das provas.
A Prática “Lavajatista” e o Papel de André Mendonça
A atuação do ministro André Mendonça, do STF, neste contexto, é um ponto central para a crítica. Ao autorizar a Polícia Federal a abrir um novo inquérito para investigar Lulinha por suspeitas de tráfico de influência, Mendonça acaba por alimentar a percepção de que o Judiciário está sendo acionado para dar curso a demandas políticas, repetindo o script da Lava Jato, onde juízes e procuradores pareciam atuar como atores políticos.
Logo, é preciso esclarecer: Fábio Luís não tem foro privilegiado e, portanto, a sua defesa está tentando tirar o caso do STF. No entanto, a Polícia Federal transferiu o caso para um setor especializado em investigações que tramitam no STF – a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (CINQ).
De acordo com a Polícia Federal, a mudança foi “burocrática” e técnica, para concentrar um caso complexo e “sensível”, numa unidade com estrutura adequada para acompanhar os procedimentos da Corte Constitucional. Ou seja, é uma decisão vista com estranheza pela defesa de Fábio Luiz ao classificar como a prática de Fishing expedition – investigações especulativas sem rumo certo.
Por não haver elementos concretos que justifiquem uma nova investigação e a condição de filho do presidente é a motivadora da persistente perseguição, a pergunta é: se não há provas sólidas, no âmbito do INSS, por que abrir uma frente de investigação autônoma e ampla? A resposta pode estar mais no campo da estratégia política do que no do direito penal.
A Construção da Narrativa: Imprensa e a “Associação Grotesca”
O papel da imprensa neste enredo é igualmente fundamental para o que se chama de “prática rasteira”. A estratégia é clara: veicular informações parciais, muitas vezes baseadas em “supostas” mensagens ou em depoimentos de delatores sem a devida contestação, para construir uma imagem de culpa na opinião pública.
O caso concreto, neste momento, é a tentativa de associar Fábio Luís a um esquema criminoso no INSS através de uma suposta amizade com a empresária Roberta Luchsinger, que teria recebido R$ 18,2 milhões e feitos pagamentos a uma joalheria. A manchete que vende é “amiga de Lulinha usou joias para lavar dinheiro”. A complexidade da apuração é resumida a uma manchete que associa o nome do filho do presidente à fraude, mesmo que a ligação seja indireta e ainda não comprovada.
A narrativa se alimenta de “indícios” e “suspeitas”, como a própria justificativa para a convocação de Lulinha na CPMI, em vez de fatos robustos. O advogado de Fábio Luís já apontou que 95% do relatório da CPMI é composto por reproduções de reportagens, o que evidencia o ciclo vicioso: a imprensa noticia suspeitas, a comissão as transforma em “elementos de convicção”, e a imprensa volta a noticiar a “investigação” como se fosse uma verdade consolidada.
Conclusão: O Espetáculo da Suspeição
A pergunta sobre por que Moro e Dallagnol não estão presos, enquanto Fábio Luiz é alvo constante revela a percepção de uma Justiça de duas velocidades que muitos criticam. A defesa de Fábio Luís alega que, se não fosse filho do presidente, o procedimento já teria sido encerrado.
A “prática lavajatista” que se crítica é justamente essa: o uso de investigações de alto impacto midiático não para coibir o crime, mas para desgastar adversários políticos. A imprensa, ao repercutir acusações sem a devida apuração contextualizada, atua como caixa de ressonância dessa estratégia.
O que se vê é o espetáculo da suspeição sendo reeditado. Enquanto a população espera por respostas concretas sobre desvios bilionários que afetam aposentados, a atenção é desviada para uma narrativa política estéril. A pergunta que deve pairar é: investiga-se para apurar a verdade ou para influenciar o resultado das eleições de 2026? A história recente sugere que a resposta é alarmante.
Luís Delcídes – Advogado e jornalista
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