27 de julho de 2026

Decisão de Moro fortalece pior do governo Bolsonaro, por Janio de Freitas

Ida para Ministério da Justiça reduz prestígio do juiz mas deve potencializar “a combinação de autoritarismo e reacionarismo” do novo governo 
 
Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Quando o (ex) Juiz Sérgio Moro declarou, em 2016, que jamais entraria para a política explicou que a movimentação colocaria em dúvida a “integridade do trabalho” feito por ele, e isso inclui a Lava Jato. Na sua coluna deste domingo (04), na Folha de S.Paulo, Janio de Freitas relembra o fato, agora ponderando o peso da escolha de Moro em participar do governo Bolsonaro.
 
“Integridade que tem o sentido de totalidade como o de retidão. É o próprio Moro, portanto, na condição de maior autorizado a falar do seu trabalho, quem o põe em dúvida no todo e na retidão. Nesse ponto, não custa concordar com Moro”, pontua Janio.
 
Moro irá assumir um “superministério” com a fusão da pasta atual a de Segurança Pública. O órgão irá também absorver o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e deve abrigar a Controladoria-Geral da União. Bolsonaro também destacou que ficará a cargo do novo ministro a escolha da diretoria do chefe da Polícia Federal.
 

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“Se, nas ocasiões em que teve direção ministerial criteriosa, a PF não se poupou do chocante, pode ser um instrumento perigosíssimo nas mãos de quem a utilize sem respeito aos limites éticos e legais”, destaca Janio de Freitas.
 
O articulista concorda com a avaliação de alguns analistas, incluindo o professor da Oxford, Timothy J. Power, de que a decisão de Moro custará “um bom pedaço do prestígio”. Ao mesmo tempo, Moro fortalece Bolsonaro e, com isso, tonificar “o pior esperável” do presidente eleito: “a combinação de autoritarismo e reacionarismo”.
 
Janio abre o artigo lembrando da lista de “impropriedades” da conduta do juiz, “como a gravação ilegal e divulgação de conversas de Lula, Dilma e outros; a liberação, a seis dias da eleição, de depoimento já antigo de Antonio Palocci contra Lula e o PT, e outras incorreções”.
 
“Muitos dos que as citam agora ao tempo de suas ocorrências as aceitaram e até as defenderam. A gravidade que tiveram é, porém, reconhecida na rememoração a que poucos se negaram”, arremata. 
 
Mas como será o papel de Moro à frente do “superministério” da Justiça ainda é uma incógnita preocupante:
 
“Moro está bem conhecido em poucos dos seus lados e arestas pessoais. Do que sabe e do que pensa, não se tem ideia. A terra para trabalhar, a necessidade do teto, a vida e o espaço dos indígenas, as milícias já aplaudidas por Bolsonaro, os refugiados, a fauna contrabandeada, enfim, são muitos os problemas sensíveis a cargo do Ministério da Justiça. Só têm recebido referências sinistras da roda de recém-poderosos. E agora são objeto da depravação que é sua entrega à inexperiência, provável desconhecimento e descaso pelo respeito humano e pelos limites legais”. Para ler a coluna de Janio de Freitas na íntegra, clique aqui. 
 
 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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17 Comentários
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  1. Marcos Antônio

    4 de novembro de 2018 12:48 pm

    A profecia do Juca vai

    A profecia do Juca vai se realizar…

    Com Supremo, com tudo…

    Vem ai o Macartismo do século XXI…

  2. carrasco

    4 de novembro de 2018 1:06 pm

    NÃO ME CANSO DE DIZER

    Enquanto um jornalismo investigativo sério não for a fundo na morte de Teori Zavaski (até porque desconfianças persistem) a lisura do comportamento de Moro não será devidamente questionada.   Afinal, quem mais que ele tinha motivos para não vir a levar um segundo puxão de orelhas do então ministro? Pois, para condenar Lula sem provas, como até mesmo a Interpol questionou, moro teria que continuar cometendo crimes como quando, ilegalmente e criminosamente (segundo palavras de ministros do STF) gravou e vazou conversa telefônica entre Dilma e Lula.  Moro admitiu culpa quando pediu desculpas a Teori.  Mas se voltasse a cometer crime teria que ser afastado do caso Lula (dando isso de barato pois em outros países seria preso). Então, a queda do avião foi muito conveniente…mas, mal explicada, mal provada a causa, nos deixa com quase convicção de que alguém mandou matar.   Aliás, provar não precisa mais, né Dalagnol…só convicção basta.    E minha convicção é que há um assassino na praça…alguém que teria motivo…aliás, por culpa de quem devemos achar de Marisa Letícia morreu?     Será que um “santo” não é verdadeiramente um demônio?

  3. Conejo 10

    4 de novembro de 2018 2:51 pm

    Lendas e legendas
     

    Se você coloca no mesmo quintal um leáo, um bode e um feixe de verduras, náo tem jeito, um vai acabar comendo o outro e vai sobreviver o predador.

    No presente caso quem é o bode e quem é o leão?

    Respostas para a Igreja do Bispo Malafaia, consuitor espiritual do futuro Presidente.

  4. peregrino

    4 de novembro de 2018 2:54 pm

    Moro concorda em tudo com o Bolsonaro…

    poderemos ter uma guerra aberta ou repressão absoluta às minorias

     

    incluindo as minorias, bateremos o recorde em inimigos políticos, segundo, é claro, a visão nazifascista

  5. Ze Guimarães

    4 de novembro de 2018 3:22 pm

    Mas Haddad não tinha elogiado Moro?

    Mas Haddad não havia elogiado o ” excelente trabalho de Moro e da Lava Jato ?”

    Porque o PT mudou de idéia?

    Está faltando coerência nestes eleogios então.

    1. Rui Ribeiro

      4 de novembro de 2018 3:39 pm

      E o Janio deve se pautar pelo que diz o Haddad?
      Porque?
      Francamente.
      Se o baby Doc elogiasse o Bolsonaro, todos os Haitianos teriam que concordar com ele?

      1. Ze Guimarães

        5 de novembro de 2018 12:39 am

        O contrário

        Seria mais bonito se o Haddad se pautasse pelo bom senso, criticando a quebradeira de empresas que  a Lava J. fez,  mas agora tudo isto é passado, Haddad perdeu e não volta mais.

        Ou como dizia o Ciro, se esta turma viesse atrás dele, ele recebia eles na bala. Pelo menos ele teve coragem de dizer o que pensa.

    2. Rui Ribeiro

      4 de novembro de 2018 4:11 pm

      O que diria Nietzsche
      “Nao se deve elogiar a bondade de um homem se ele nao tem poder para ser mau”.

      1. Ze Guimarães

        5 de novembro de 2018 12:38 am

        Ser mau é uma coisa

        Ser mau é uma coisa, mas assim como o cara  faz,  já ganha o Oscar.

    3. Rui Ribeiro

      4 de novembro de 2018 6:57 pm

      Bolsonaro elogiou o torturador Brilhante Ustra
      Eu ja elogiei o Cristvam Buarque. But, diria o poeta, this was in years gone by

      1. Ze Guimarães

        5 de novembro de 2018 12:31 am

        Isto mesmo

        Caro Sr. Ribeiro

        Satisfações em poder debater com o Sr.

        Agora o Sr. entende por que eu votei em branco no segundo turno. Haddad elogiou o Moro, e Bolsonaro elogiou o Ustra. Ou seja, votando em qualquer um dos dois elegeríamos o Juiz de Curitiba, por isto votei em branco.

        1. Rui Ribeiro

          5 de novembro de 2018 8:50 am

          Amigo, vc nao precisa justificar seu voto pra mim
          Mas eu lembro que vc afirmou que soh nao votaria no Bolsonaro porque ele disse que ia liberar a Amazonia para desmatamento. Entao eu disse a vc que ele pretendia eliminar fisicamente pessoas indesejadas e lhe perguntei se essa pretensao do Bolsonsro nao seria um motivo ate mais justo ainda para votar no seu concorrente. Vc disse que nao, porque, segundo o Senhor, por maior quebfosse a carnificina promovida pelo Bolsonaro, em pouco tempo o Brasil se recuperaria dessa carnifina mas a destruicao da Amazonia era irreversivel.

  6. Pedro Augusto

    4 de novembro de 2018 5:28 pm

    … pensando a partir de seu imbigo

    https://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2018/11/pensando-partir-de-seu-imbigo.html

     

     

      

  7. ze sergio

    4 de novembro de 2018 8:41 pm

    VERGONHOSA INDICAÇÃO

    Não imporaria nem se Moro fosse o maior gênio da história do Judiciário. A primeira regra do Poder Judiciário é a Imparcialidade. Maior até que a Justiça, que muitas vezes não pode ser feita ou não completamente, para desejo das partes. Mas a Imparcialidade deve ser Absoluta. É o Símbolo da Justiça. E a aceitação, o simples convite, as sondagens, por parte da Candidatura que afirmou beneficiária das suas Atitudes, é jogar o Poder Judiciário Brasileiro na lata do lixo. É a esbórnia. É a completa humilhação do Estado de Direito  do Estado Brasileiro. Seria, inclusive se o convite fosse feito pela outra parte, na Candidatura de Haddad. E pior ainda, na quase certeza da negativa de Moro. Almejar o alcance do Poder, se beneficiando das Prerrogativas e Consequências das Ações, que o Cargo lhe proporcionou é tão grave quanto os atos aqueles qe forma julgados.  Duvido que em qualquer outro país, seria possível tal possibilidade. No minimo uma quarentena para que alguém do Poder Judiciário poder se candidatar a outro Cargo Público. O Brasil é de muito fácil explicação.     

    1. Rui Ribeiro

      5 de novembro de 2018 1:18 pm

      A culpa é de quem?

      Faltou a cereja do bolo: a culpa é dos esquerdopatas.

      Capitalistas, seus lambe-sacos e os direitopatas não tem qualquer culpa no cartório.

  8. Edi Passos

    4 de novembro de 2018 10:19 pm

    Decisão de Moro fortalece o pior do governo Bolsonaro

    Mas não só isso. Fortalece também a certeza de que Lula foi julgado e condenado não por um juiz, mas sim por um político adversário que se comporta como inimigo, o que em qualquer lugar civilizado do munto pós Idade Média  torna nulos o processo e o julgamento!

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