Iremos publicar, separadamente, uma série de artigos de especialistas do Project Syndicate, sobre as mudanças que ocorrerão no mundo com a pandemia.
Do Project Syndicate
O mundo pós-pandêmico
Até a pandemia do COVID-19, o aumento das forças nacionalistas e populistas parecia inexorável, ameaçando dar um golpe fatal no multilateralismo baseado em regras. A atual crise global poderia estimular uma nova onda de cooperação internacional do tipo que surgiu após a Segunda Guerra Mundial?
Nesse quadro geral , Federica Mogherini, ex-alto representante da UE para assuntos externos e política de segurança, diz que o COVID-19 expôs as falhas do nacionalismo de soma zero e argumenta que “a solidariedade é o novo egoísta”. Da mesma forma, o ex-primeiro ministro australiano Kevin Rudd considera a pandemia como um exemplo perfeito do motivo pelo qual o multilateralismo é necessário e insta os líderes políticos a não cederem aos estereótipos racistas. E Arvind Subramanian , um ex-conselheiro econômico-chefe de governo da Índia, diz que o sistema de ajuda internacional centrado no país atual deve ser melhorado para favorecer bens públicos globais, tais como prevenção de pandemias e combater o aquecimento global.
Pegando nesse tema, Kemal Derviş e Sebastián Straussda Brookings Institution argumentam que tanto o COVID-19 quanto a mudança climática destacam a necessidade de uma cooperação internacional voltada para o futuro muito mais próxima para reduzir e gerenciar ameaças globais. O ponto-chave a esse respeito, diz Gernot Wagner, da Universidade de Nova York, é que pequenas reduções imediatas na taxa de crescimento de infecções ou emissões de gases de efeito estufa serão cada vez mais compensadas com o tempo.
Assim, reconhecerá o papel desempenhado pelas novas tecnologias orientadas a dados no combate à pandemia, argumenta Pinelopi Koujianou Goldberg, um ex-economista-chefe do Banco Mundial atualmente em Yale. Afinal, ela argumenta, as tecnologias que gostamos de odiar podem ser essenciais para nossa sobrevivência. Da mesma forma, Raghuram G. Rajanda Universidade de Chicago observa que a crise do COVID-19 foi rápida em expor o amadorismo e a incompetência. Se a pandemia tem um lado positivo, ele conclui, é que especialistas e profissionais difamados têm a oportunidade de recuperar a confiança do público.
A série:
Pós-pandemia 1: o que mudará no mundo
Pós-pandemia 2: ouvindo a pandemia na correção dos erros políticos
Pós-pandemia 3: a superação do nacionalismo
Pós-pandemia 4: as mudanças na ajuda internacional
Pós-pandemia 5: a cooperação internacional
Pós-pandemia 6: as mudanças climáticas
Pós-pandemia 7: o papel da ciência e da tecnologia
Lúcio Vieira
21 de março de 2020 9:31 amTalvez o coronavírus ao passar, traga uma imposição a indicar que o ar não vai poder ser como antes. Será que irão aceitar fácil que possivelmente para continuarmos, teremos de imediatamente produzir/poluir menos?
Ganhe o Nobel ou não, a Greta Thunberg, que também foi um dos alvos recentes do deputado bananinha e de seu pai, vai ter sua luta bastante fortalecida pela população mundial. Ocorre que uma das verificações que fizeram com um grupo de doze pacientes de Hong Kong, recuperados da infecção pela covid-19, é que tiveram eles afetadas suas capacidades pulmonares. Em que pese o fato do grupo ser pequeno e ainda estarem em acompanhamentos preliminares, 3 deles relataram que não conseguiam fazer as coisas como antes e ofegaram ao andar um pouco mais rapidamente. Um dos médicos afirmou que alguns pacientes podem ter uma queda de 20% a 30% na função pulmonar, após a recuperação. Eles ressaltam que exames de pulmão em nove pacientes apresentaram padrões semelhantes a ‘vidro fosco’ em todos eles, sugerindo que houve danos nos órgãos, como se eles desenvolvessem fibrose pulmonar, uma condição em que o tecido pulmonar endurece e o órgão não funciona adequadamente, mas tudo isto está ainda a verificar.
Nos próximos meses, exames mostrarão se alguns dos ex-pacientes da covid-19 apresentam sequelas. Como o vírus ataca principalmente as vias respiratórias inferiores, sobretudo quem teve um decorrer mediano ou forte da doença apresenta tosse seca, dificuldade respiratória ou pneumonia. As constatações de Hong Kong confirmam resultados de exames realizados em fevereiro de 2020, em Wuhan-China, quando cientistas do Hospital Zhongnam, da universidade local, analisaram 140 rastreamentos pulmonares de pacientes com coronavírus, e detectaram o turvamento leitoso em alguns e também iriam continuar acompanhando para verificar se vão ficar cicatrises relacionadas a uma fibrose pulmonar, o que não tem cura, pois as alterações cicatriciais do tecido pulmonar são irreversíveis. Contudo sua progressão pode ser desacelerada, e por vezes até detida, caso diagnosticada a tempo.
E o que isto tem a ver com a Greta e sua batalha contra a emergência climática? Já tivemos divulgadas imagens de satélites sobre a China e a Itália acompanhando regiões onde pararam a maior parte das atividades laborais humanas e o impacto ambiental verificado, foi muito significativo. Aliado a imagens dos canais de Veneza, onde era possivel avistar a água clara, o fundo e até pequenos peixes, tudo isto reforça a tese do impacto das atividades humanas no ambiente. Considerando o que já acontecia no período pré-covid19, em regiões poluídas como a da grande São Paulo onde estudos mostram que a poluição já mata duas vezes mais que acidente de trânsito, cinco vezes mais do que câncer de mama e sete vezes mais que a AIDS e que se os níveis de poluição continuarem como vinham, até 2025 haverá mais de 51.000 mortes só na região ou algo como 18 mortes por dia. Agora, caso consolide-se um quadro de menor eficiência pulmonar em grande parte dos que se recuperarem ao passar pela pandemia, como ficará para estas pessoas viverem em um local onde a taxa de morte e a qualidade de vida sofrerão gravemente, numa situação de quebra de empresas e com menos empregos em todo lugar? Vai ser uma batalha mesmo ter de mostrar que é época do “fora Davos” e que não haverá como esperar as promessas de baixar os níveis de CO² (atividade humana) só em 2040. Como não há mais vida rural e a Amazônia vai ter de voltar a ser floresta, ou entra-se na luta da Greta ou o pós-vírus será aquele dos uniformes de astronautas com os tanques de oxigênio dos mergulhadores.
Anônimo
21 de março de 2020 11:10 amNassif,
Esta tragédia, que cuja dimensão ninguém consegue imaginar, necessariamente provocará uma mudança de proporção significativa. Personas como a jovem sueca Greta Thunberg, hostilizada pelos capitães do mato trump e bolsonaro, ganharão muito mais espaço nas mídias, os encontros festivos e cheirosos em Davos mudarão parte da atual agenda, o 1% com 98% da renda deixará de ser motivo de orgulho, as relações interpessoais serão mais brandas ( depois que a morte bateu na porta da pessoa, que viu a morte do amigo, do vizinho, do familiar, ela mudará a própria postura, até isto acontecer ela continua como sempre foi), em resumo, creio não estar exagerando sobre nada que escrevo.
Na terra dos bolsonaro, como eu já disse, está na hora de saber se deus é mesmo brasileiro, vamos ver se o vírus faz uma curva e deixa o patropi prá lá, caso contrário, os mais de cinco mil prefeitos sentirão na pele as consequências do completo descaso com saneamento básico, água potável e não de rio, as tais obras que não dão voto. Aliás, imagino que este venha a ser um dos setores que terão um grande impulso nos próximos anos, assim como a engenharia ambiental quase que totalmente desprezada.