do Blog do Tarso
Quer acabar com a corrupção? Pergunte-me como!
por Tarso Cabral Violin
A corrupção nunca vai acabar no Brasil. Nem nos países nórdicos a corrupção acabou. O que podemos fazer é diminuir os mal feitos realizados na Administração Pública por meio de agentes públicos, entidades privadas e pessoas da sociedade civil.
E a corrupção não vai diminuir por meio de uma alteração constitucional, por meio de lei ou por Decreto do Poder Executivo.
Para a corrupção diminuir devemos, constantemente, aperfeiçoar as instituições.
Criar novas leis penais ou aumentar o prazo das penas não vai fazer diminuir a corrupção. No Direito Penal é básica a tese de que o que diminui os crimes é a certeza da aplicação da pena, e não o aumento da pena.
Corrupção não se acaba adotando medidas autoritárias de redução do contraditório e ampla defesa.
Quem tem experiência de limpar a casa sabe que o melhor desinfetante é o sol. Na Administração Pública acontece a mesma coisa. O melhor desinfetante, o melhor remédio contra os crimes e atos de improbidade é o sol, a transparência, a publicidade. E a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), é um importante instrumento para garantir a transparência e para colocar para “fora do tapete” toda a sujeira existente no Poder Público municipal, estadual e federal, e na sua relação promíscua com a iniciativa privada, desde que os europeus acharam o continente americano.
A improbidade administrativa ocorre no Brasil, infelizmente, desde 1500, quando Pero Vaz de Caminha, em sua famosa carta, pede emprego para seu parente para o Rei de Portugal.
Mais de 500 anos de sujeira debaixo do tapete, com a Democracia, aos poucos ela vai saindo para o conhecimento dos brasileiros, inclusive as autoridades de controle.
Você sabe onde mais existe corrupção na Administração Pública? Nos contratos administrativos que ela celebra com terceiros, principalmente nas áreas de obras públicas e de serviços de tecnologia da informação e comunicação – TIC. Ou seja, a maior corrupção no Estado brasileiro ocorre nos contratos de terceirização com as empresas e entidades privadas. Muita corrupçao também nas licitações e contratos de concessão de serviços públicos e de PPP – Parcerias Público-Privadas. Isso deve ser limitado e melhor controlado.
Diminuição da corrupção se faz com o aprimoramento de instituições como o Ministério Público, os Tribunais de Contas, as ouvidorias, controladorias, as polícias. Até pouco tempo o Ministério Público Federal era famoso por seu Procurador-Geral da República engavetar denúncias de corrupção contra autoridades da República. Até pouco tempo a Polícia Federal era famosa por não fazer operações contra altas autoridades, ou deixar vazar operações que deveriam ser secretas para investigar e prender corruptos. Tudo isso vem melhorando com a Democracia, nos últimos anos.
O Poder Judiciário era famoso por ser opaco, sem transparência, fazia o que bem entendia sem qualquer controle. A criação do Conselho Nacional de Justiça melhorou isso.
A obrigação de transparência, moralidade, publicidade, probidade se faz publicizando a sociedade, e não a privatizando. Regras de Direito Público é que garantem o atendimento aos princípios constitucionais, a garantia dos direitos fundamentais e atendimento do Interesse Público. Desconfie de quem quer aplicar regras de direito privado na Administração Pública, o chamado gerencialismo, isso aumenta a corrupção. A própria corrupção na Petrobras se deve, também, porque na década de 90 as suas licitações foram simplificadas, ao arrepio da Constituição.
Corrupção se diminui com a sociedade civil organizada fiscalizando o Poder Público. O neoliberalismo prega que a sociedade civil organizada substitua o Estado prestando serviços sociais em seu lugar, o que domestica a sociedade, que ao invés de fiscalizar fica dependente do Poder Público, o que aumenta a corrupção.
Transparência e controle também se garante com uma imprensa livre, com a garantia real da liberdade de expressão. Para isso é essencial a democratização da mídia no país, para que com a regulação da comunicação seja extintos os monopólios e oligopólios inconstitucionais existentes no Brasil na área da TV e rádio. É essencial que garantamos não apenas que as pessoas, os grupos, os movimentos sociais possam ouvir, mas também que possam falar, e serem ouvidos. É necessário o fomento público para revistas, jornais, rádios e TVs comunitárias e veículos da internet como blogs e sites, com o intuito que haja um equilíbrio maior no jogo democrático das comunicações. É necessário regular abusos contra crianças e adolescentes, mulheres, negros, etc. Essa pauta é urgente!
Uma das maiores situações de corrupção existentes é o financiamento empresarial nas eleições. Para isso é necessária a reforma política, para, principalmente, criar o financiamento público de campanha e permitir apenas o financiamento privado de pessoas físicas, com limites de valores. Se o Poder Legislativo não fizer a reforma política nesse sentido, o Poder Judiciário a fará. Pois o STF está prestes a julgar ação pela proibição do financiamento empresarial das eleições. Desconfie de políticos que querem continuar a ganhar rios de dinheiro de empresas. É aqui o maior ralo da corrupção, pois essas empresas muitas vezes vão doar dinheiro ilícito ou vão querer favores para reaver o dinheiro “investido”, com juros e correção. O dinheiro não pode mandar na Democracia.
Também é necessário que votemos em políticos que conhecemos seu passado. Que seja ético, coerente, que esteja em um partido político com uma ideologia, com propostas claras, que tenha lado, o lado do interesse público. Nas eleições, e mesmo antes ou depois do processo eleitoral, pesquise, discuta política, pergunte, não apenas para a escolha do Presidente, Governador e Prefeito, mas também para a eleição dos senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. E isso é apenas a Democracia que garante. Cobre dos políticos eleitos. Saiba o que cobrar, Para quem cobrar. Não seja massa de manobra dos interesses de elites econômicas ou elites políticas.
Por fim, é necessário que as famílias e escolas eduquem e ensinem melhor as crianças e adolescentes. Os adultos que corrompem guardas para não receberam multas, os empresários que sonegam impostos ou corrompem autoridades para conseguirem alvarás, os adultos que dão mal exemplo para seus filhos, os cidadãos que não se preocupam com o próximo, que não seja sua família, já são praticamente caso perdido.
Mas ainda é possível educar nossos filhos para que eles não achem que apenas serão felizes se consumiram a qualquer custo, se competirem e passarem os outros para trás, se enganarem as autoridades, se forem egoístas e individualistas, se não participarem da vida política, o que é um caminho para a barbárie.
Por fim, um pedido: apenas chame alguém de corrupto depois que comprovadamente essa pessoa for julgada culpada pelo Poder Judiciário, com trânsito em julgado. E saiba diferenciar as pessoas das instituições, estude antes de responsabilizar alguém por algo que não tem responsabilidade. Mas mesmo assim, com o Poder Judiciário decidindo, muitas vezes os tribunais ainda costumam falhar, mas pelo menos você estará garantindo os princípios do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, direitos tão essenciais e fixados apenas em uma Democracia.
Viva o Brasil, viva a Democracia!
Tarso Cabral Violin – advogado, professor universitário de Direito Administrativo, mestre e doutorando (UFPR) e autor do Blog do Tarso

Márcio SF
17 de março de 2015 5:13 pmPoderia explicar essa frase?
Desculpe, mas não entendi com se chega de um ponto a outro.
“O neoliberalismo prega que a sociedade civil organizada substitua o Estado prestando serviços sociais em seu lugar, o que domestica a sociedade, que ao invés de fiscalizar fica dependente do Poder Público, o que aumenta a corrupção.”
Homero Pavan Filho
17 de março de 2015 10:56 pmEu entendi
Sob a pecha de “sociedade civil” as pessoas tendem a acreditar que não há os corruptos governantes. O que há são honoráveis membros da sociedade, portanto gente honesta e do bem. Sendo honestos de do bem não precisariam ser tão fiscalizados. Por seu turno, como são bancados por recursos públicos, pra não perder a teta fazemos vistas grossas às corrupções dos governantes. Isso aumenta a corrupção. Acho que foi uma defesa do concurso público e da profissionalização dos servidores.
Homero Pavan Filho
17 de março de 2015 10:56 pmEu entendi
Sob a pecha de “sociedade civil” as pessoas tendem a acreditar que não há os corruptos governantes. O que há são honoráveis membros da sociedade, portanto gente honesta e do bem. Sendo honestos de do bem não precisariam ser tão fiscalizados. Por seu turno, como são bancados por recursos públicos, pra não perder a teta fazemos vistas grossas às corrupções dos governantes. Isso aumenta a corrupção. Acho que foi uma defesa do concurso público e da profissionalização dos servidores.
luiz valentim
17 de março de 2015 5:16 pmJuntaram a Elite insensível e os classe-mérdia individualistas
A Elite esperneia , pra eles não pode ter cadeia!
Toda a elite contra a inclusão social dos ricos nas penitenciarias.
Eles não querem essa “MUDANÇA” !
Eles não gostaram nada, nada desse negócio de vê gente presa não pertencente aos quatros Ps(Preto, Pobre, P.. e Petista).
Elite é contra a corrupão(“dos outros”).
Eles querem punição (“pros outros”)
savio sá
17 de março de 2015 5:19 pmParabenizo o professor Tarso
Parabenizo o professor Tarso Cabral Violin, pela lucidez do texto. A corrupção germina em casa e cresce nas ruas. A reforma que estamos precisando, não e apenas reformar as leis, regras etc… Mas promover a reforma do homem brasileiro que desde criança é estimulado já dentro de casa a levar vantagem sobre os demais. Para reformar o homem é necessário um longo caminho de renuncias, resignação, disciplina doméstica, para que desenvolva freios morais. Cutivar valores como a família, nação, respeito ao próxima. Colocar o seu pais acima de você mesmo.
Malú
17 de março de 2015 5:20 pmExcelente!
Excelente!
luiz valentim
17 de março de 2015 5:30 pmAos Mau- intensionados juntaram os Ignorantes para protestar
contra um Governo que não imiscuiu nos poderes do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário.
Protestaram contra um Governo que criou a Corregedora Geral da União.
Protestaram conta um Governo que criou o Portal e a Lei da Transparência.
Enquanto meus conterrâneos capixabas gritavam “fora Dilma” nosso Governador PMDBista e Aecista fecha leitos de UTIs e demite funcionarios da saúde devolve dezenas de Ambulâncias 192 que os Estados de Minas e Rio de Janeiro já ,hablimente,solicitaram ao Governo Federal para atender aos seus cidadãos. Tem Professores levando papel higiênico de casa.
A Elite brega capixaba é a pior do Brasil , a mais provinciana , todos os nossos tres Senadores são oposicionistas ,
altamirano
17 de março de 2015 11:16 pmmal intencionados
mal intencionados
AND
17 de março de 2015 6:12 pmAchei interessante o artigo
Achei interessante o artigo do Professor em que trata de Ética acadêmica. O curioso é que num meio onde se espera uma contribuição para a compreensão de nossa “contemporaneidade”, estejamos sujeitos a jeitinhos – lembrando também dos anos de percepção de salários questionáveis por um certo juiz pela uerj…-
Sobre corrupção e Ética
No meio acadêmica segue um comentário de
ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 83, físico, é professor emérito da Unicamp e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia
Lixo acadêmico, causas e prevenção
Critérios que levam em conta citações em artigos acadêmicos ensejaram artifícios para ludibriar sistemas de avaliação
Um pouco timidamente começa a comunidade acadêmica brasileira a se manifestar sobre o declínio de qualidade de sua própria produção científica. Um rápido histórico ajudará a compreender o problema.
Já na década de 1970, o fluxo de jovens cientistas brasileiros com formação no exterior, principalmente nos EUA, provocou a incorporação na cultura acadêmica local do preceito de que a produção científica, para ser válida, tinha de ser divulgada e avaliada internacionalmente.
Em seguida, já em finais da década de 80, após a publicação na Folha de uma lista dos pesquisadores brasileiros, ranqueados segundo o número de citações recebidas, passou-se a considerar relevante esse fator para medir o grau de inclusão do conteúdo de um artigo no corpo universal do conhecimento científico, ou seja, o grau de sua verdadeira contribuição científica.
Muitas das organizações de apoio à pesquisa adotaram critérios que levam em consideração publicações e citações de seus beneficiários, o que é absolutamente necessário.
Todavia esses critérios vieram a ensejar artifícios, para não dizer artimanhas, para ludibriar os sistemas de avaliação, usando, obviamente, algumas de suas compreensíveis falhas. Essa contingência não teria importância não estivesse ela sendo agregada sorrateiramente à cultura acadêmica brasileira.
Listo alguns desses subterfúgios:
1. O pagamento de “pedágio” se estabelece quando um pesquisador consegue, por mérito ou oportunismo, apoderar-se de um meio de produzir dados. Com o que afluem outros pesquisadores ao seu laboratório e, como pagamento, incluem em artigos o nome do “dono da bola”.
2. “O compadrio”. Observa-se nesses últimos 15 ou 20 anos um crescimento do número de autores por artigo publicado. Grupos de pesquisas também cresceram, e o número de autores com frequência passa de 10 e às vezes chega a 20. A conclusão é de que há um acordo de cavalheiros entre membros de grupos para compartilhar autorias. O número de publicações e de citações é assim multiplicado.
3. O “franciscanismo” (dar para receber), intra ou inter, dependendo se a burla ocorre entre membros de uma ou de mais instituições. Com frequência começa como troca de gentilezas para depois degenerar em perversão consciente.
Essas e outras práticas vêm sendo estimuladas pela eclosão de publicações de “acesso aberto” (“open access”). São cerca de uma dezena de editoras, cada qual com uma centena ou mais de revistas na internet. Um pagamento que não passa de US$800 é praticamente a única exigência imposta aos autores.
Essa, porém, não é, como vem considerando a imprensa, a causa da corrupção, mas apenas um incentivador assessório. A inclusão, certamente inadvertida, de algumas dessas publicações dentre as homologadas por organizações de apoio à ciência é pouco significativa.
Algumas providências poderiam ser adotadas para reduzir essas perversões. Por exemplo: limitar o número de autores admitidos como tal em cada artigo, digamos a três ou quatro, ou alternativamente, adotar um índice em que o número de citações seja dividido pelo número de autores; referendar apenas artigos com um número mínimo de citações, digamos dez; caracterizar e identificar casos de “franciscanismo” e “compadrio”, o que é relativamente fácil.
Resta ver se é politicamente interessante para os caciques.
altamirano
17 de março de 2015 6:28 pm“Por fim, um pedido: apenas
“Por fim, um pedido: apenas chame alguém de corrupto depois que comprovadamente essa pessoa for julgada culpada pelo Poder Judiciário, com trânsito em julgado.” . O político é como a mulher de César…
No caso Petrobras, com CGU olhando, com auditoria, com TCU, com Portal da Transparência, ….roubaram. corromperam, …neste caso deixamos Barusco, PRC, Duque na direção da empresa até que eles sejam julgados e condenados ? Pode isso Arnaldo ?
democracia direta
17 de março de 2015 6:42 pmÉ BEM MAIS SIMPLES!
Basta acabar com a impunidade!
Como?
Com o REFERENDO REVOCATÓRIO DE MANDATO ( PEC 73/2005 ), nosso direito de cassar os políticos por iniciativa e voto popular:
http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2014/05/referendo-revocatorio-de-mandato.html
Somente assim, quando o próprio povo for o juiz que sentencia, haverá a certeza da punição…
Mariano S Silva
17 de março de 2015 6:57 pmA corrupção é uma velha
A corrupção é uma velha senhora!
A mentira é mais velha que Adão!
DUDE
22 de outubro de 2015 3:20 pmE A MÃE DA CORRUPÇÃO, A SONEGAÇÃO?
Poucos lembram que a corrupção é filha querida da Sonegação. Por vezes, a corrupção comparece sem a sonegação, mas na grande maioria das vezes, ela é atividade pelos sonegadores.
Penso que devemos combater a Sonegação, a qual, por tabela, diminuiria e muito a corrupção.
Muitos arautos da luta contra a corrupção são sonegadores contumazes – até se justificam dizendo que não dá para viver sem sonegar, porque iria para a falência.Então sonegam e praticam, ao mesmo tempo, a corrupção. O Zelotes nos mostra com detalhes como isto tudo acontece.
Para início de conversa, é importante frisar que a economia informal em nosso País é grandiosa. Bilhões são movimentados e não contabilizados. O Nosso PIB é muito maior do que a realidade contábil nos mostra. E aí buscam saídas em aumento de tributos, o que é totalmente equivocado. É importante o aperfeiçoamento do sistema tributário, de forma a fazer com que as classes mais abastadas do País tenham maior tributação, retirando impostos e taxas que recaem sobre a produção e o trabalho, que acabam sendo pago pelo consumidor ( a grande e maioria formada pelo povão ). É fato que 53% da tributação é paga por aqueles que ganham até dois salários mínimos. Isto é vergonhoso.
As retiradas dos sócios ( lucro obtido) das grandes empresas não são tributadas pelo IR, mas qualquer trabalhador que ganhe um pouco mais é na fonte,na folha de pagamento. E os sócios destas empresas chegam a emprestar dinheiro à própria empresa e não há tributo, quando todo o povo que aplica em títulos da dívida pública é passível de cobrança de imposto de renda.
O COMBATE À SONEGAÇÃO, está é o que penso, a grande luta, que o povo brasileiro, principalmente os trabalhadores devem se empenhar, embanderar-se, protestar e buscar um maior controle.
A corrupção deve também ser combatida, é claro, mas ambas devem ser apuradas e aos sonegadores aplicada a lei.
Alguém viu, no Brasil, algum sonegador ser preso?
Notícias disto somente encontramos no exterior, principalmente envolvendo o futebol.
É o que penso.