A grande muralha chinesa, por Mohamed A. El-Erian

Jornal GGN – O recente ciclo de desvalorização da moeda chinesa, o yuan, tem alimentado diversas turbulências e levou o governo do país a suspender as operações da bolsa de valores por duas vezes na última semana, e deixou claro um dos grandes desafios a ser enfrentado pelo governo local: como efetuar o equilíbrio de suas obrigações econômicas nacionais e internacionais, uma vez que a abordagem a ser adotada terá um impacto expressivo sobre o bem-estar econômico global.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, o economista Mohamed A. El-Erian, assessor econômico da Allianz e líder do Conselho de Desenvolvimento Global do presidente norte-americano Barack Obama, explica que a crise financeira global vista em 2008, juntamente com a recuperação decepcionante nas economias avançadas que se seguiram, acabou por colocar uma nova dose de urgência nos esforços da China para mudar seu modelo de crescimento a partir de uma base em investimento e da procura externa para uma sustentada pelo consumo interno. “Navegar uma transição estrutural desse tipo sem causar um declínio acentuado no crescimento econômico seria difícil para qualquer país. O desafio é ainda maior para um país tão grande e complexo como China, especialmente tendo em conta o ambiente de hoje do crescimento global lento”, diz.

El-Erian diz que, durante os últimos anos, o governo chinês buscou ampliar a participação de capital, de forma a aumentar a participação dos cidadãos chineses no processo de transição para uma economia de mercado. Porém, assim como ocorreu com o esforço dos Estados Unidos para expandir aquisição da casa própria nos anos anteriores à crise de 2008, as políticas chinesas foram longe demais e acabaram criando uma situação “financeiramente insustentável”, que implicava na possibilidade de maiores quedas de preços.

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Como resultado, o economista diz que o processo de ajuste tem se tornado um desafio crescente. “Como as empresas chinesas não são capazes de vender um volume cada vez maior de produtos no exterior e sw apoiar a expansão da capacidade produtiva, a economia perdeu alguns motores de crescimento, emprego e salários importantes. A desaceleração econômica resultante tem prejudicado a capacidade do governo de manter os preços dos ativos inflados e evitar bolsões de angústia de crédito”.

Para tentar limitar o impacto negativo do processo sobre o bem-estar dos cidadãos, as autoridades chinesas têm orientado a redução do valor da moeda. “A desvalorização surpresa em agosto passado foi seguida por uma série de correções diárias mais baixas na taxa de câmbio em terra, todos destinados a tornar os produtos chineses mais atraente no exterior, enquanto acelera a substituição de importações em casa. O renminbi (yuan) desvalorizou ainda mais no mercado offshore”, diz El-Erian.

O articulista pontua ainda que as desvalorizações da moeda da China são consistentes com uma tendência mais ampla entre ambas as economias emergentes e avançadas nos últimos anos. Logo após a crise financeira global, os Estados Unidos se basearam em uma política monetária expansionista, caracterizada por taxas de juros próximas de zero e compras de ativos em larga escala, que enfraqueceram o dólar, aumentando assim as exportações. Mais recentemente, o Banco Central Europeu adoptou uma abordagem semelhante, guiando o euro para baixo em um esforço para impulsionar a atividade doméstica.

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Mas, na prossecução de seus objetivos, o articulista ressalta que a China corre o risco de, inadvertidamente, ampliar a instabilidade financeira global. “Especificamente, os mercados temem que a desvalorização (da moeda chinesa) poderia “roubar” o crescimento de outros países, incluindo aqueles que têm muito mais a dívida externa e almofadas financeiras muito menos robustas do que a China, que mantém amplas reservas internacionais”, ressalta Mohamed A. El-Erian. Tal preocupação torna ainda mais desafiador o equilíbrio a ser adotado pela China e seu papel na economia global – “afinal, a China é agora a segunda maior economia do mundo (e, por algumas medidas não-mercantis), a maior”, pontua o analista.

Segundo El-Erian, ultimamente a China tem mostrado um interesse maior em internacionalizar seu sistema financeiro de forma gradual, e um dos passos em tal processo foi convencer o FMI (Fundo Monetário Internacional) a adicionar o yuan na cesta de moedas que determina o valor do direito de saque especial, a unidade aplicada pelo FMI ao lidar com os países que integram o fundo monetário. Tal iniciativa coloca o yuan a par com as principais moedas globais (o dólar americano, o euro, a libra esterlina e o iene japonês) – e deve ampliar a aceitação da moeda chinesa no sistema monetário internacional, seja ele público ou provado. Ao mesmo tempo, criou-se a expectativa – embora não a obrigação – de que a China irá abster-se de agravar a instabilidade financeira global.

“Chegará um momento em que as responsabilidades domésticas e internacionais da China voltarão a ser relativamente bem alinhadas. Mas esse tempo não é agora; e, dada a transição estrutural em curso complicado do país, provavelmente não virá tão cedo”, pontua o economista. “Enquanto isso, parece provável que a China vai continuar a se sentir compelido a colocar as suas obrigações domésticas em primeiro lugar, mas de uma forma diferenciada destinada a evitar grandes pontos de viragem disruptivas para a economia global. Se isso será suficiente para evitar resultados desordenados, no entanto, não é totalmente garantida”.

1 comentário

  1. a china se ajusta para se

    a china se ajusta para se estabilizar com o mecado interno,

    enquanro aqui os filósofos do caos querem contrairr a economia….

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