17 de junho de 2026

As entregas do próximo governo Lula, por Luís Nassif

Todos os elementos estão à mão. Basta organizá-los em grupos de trabalho, com determinações objetivas e sob o comando do próprio Presidente.
Lula em foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

Governo Lula planeja formar grupos de trabalho para desenvolver cadeias produtivas em terras raras, datacenters e bioeconomia.
Grupos incluirão associações industriais, órgãos estratégicos, apoio a PMEs e ministérios para coordenar projetos setoriais.
Cada grupo terá metas claras, como mapear cadeias, identificar parceiros e criar políticas de estímulo com foco em execução.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Roteiro para a construção das cadeias produtivas estratégicas

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Se o governo Lula pretende preparar as ‘entregas’ do próximo mandato, a receita é objetiva: organizar, ainda neste ciclo, os grupos de trabalho que vão mapear, projetar e executar as cadeias produtivas dos novos setores estratégicos da economia brasileira — com ênfase nas terras raras, nos datacenters e inteligência artificial, e na bioeconomia da Amazônia.

Todos os elementos estão à mão. Basta organizá-los em grupos de trabalho, com determinações objetivas e sob o comando do próprio Presidente da República.

Passo 1 — Constituição dos Grupos de Trabalho

Os grupos de trabalho devem reunir os principais atores institucionais capazes de traduzir visão estratégica em capacidade produtiva real. A arquitetura proposta articula quatro conjuntos de atores:

1.1  Associações Setoriais da Indústria de Base

  • ABDIB — Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base
  • ABIMAQ — Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
  • ABINEE — Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

1.2  Centros de Inteligência Estratégica do Governo

  • BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
  • IPEA — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
  • FINEP — Financiadora de Estudos e Projetos
  • CGCEE — Comitê de Gestão da Competitividade e Eficiência Energética

1.3  Grupos de Apoio às Pequenas e Médias Empresas

  • Sistema S (SENAI, SEBRAE, SESI e correlatos)
  • Organização Brasileira das Cooperativas (OCB)
  • MST — Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

1.4  Ministérios Estratégicos

Participação dos principais ministérios ligados à economia, ciência e tecnologia, desenvolvimento social e meio ambiente — com coordenação transversal por especialistas em política industrial, análise setorial e tecnologia.

Eixos Temáticos dos Grupos de Trabalho

Cada grupo de trabalho será organizado em torno de metas específicas, correspondentes aos novos vetores de desenvolvimento:

  Eixo 1 — Cadeia Produtiva das Terras Raras  

Mapeamento completo da cadeia, da extração ao processamento e à manufatura de insumos estratégicos, com identificação de parceiros internacionais e empresas nacionais aptas a operar em cada elo.

  Eixo 2 — Datacenters, Energia Verde e IAs Nacionais  

Desenvolvimento de infraestrutura de processamento de dados de escala soberana, acoplada à expansão de energia renovável e ao fomento de iniciativas nacionais de inteligência artificial.

  Eixo 3 — Bioeconomia da Amazônia  

Estruturação de cadeias produtivas sustentáveis baseadas na biodiversidade amazônica, com ênfase em produtos de alto valor agregado, carbono, biotecnologia e mercados internacionais.

Passo 2 — Definição dos Objetivos e Entregas por Grupo

Cada grupo de trabalho deverá produzir, ao final de seu ciclo, um conjunto definido de entregas concretas e mensuráveis. São oito dimensões de trabalho:

  1. Construção do mapa completo da cadeia produtiva do setor, com identificação dos elos ausentes e das interdependências críticas.
  2. Identificação das empresas nacionais com capacidade técnica e financeira para desenvolver projetos em cada elo da cadeia.
  3. Identificação de empresas internacionais parceiras — com foco em transferência de tecnologia e co-investimento produtivo.
  4. Montagem do pacote de estímulos financeiros e tributários (crédito subsidiado, desoneração, desonerações setoriais, fundos de venture capital público).
  5. Inclusão, em cada grupo de trabalho, de agenda específica para pequenas e médias empresas — mapeando segmentos com maior potencial de absorção por MPEs e cooperativas.
  6. Identificação dos setores prioritários dentro de cada cadeia, com critérios de seleção baseados em valor estratégico, geração de emprego e potencial exportador.
  7. Identificação dos benefícios regionais por estado — especialmente aqueles onde as empresas serão instaladas, articulando federalismo fiscal e desenvolvimento regional.
  8. Montagem de políticas de estímulo à transição do capital financeiro para os novos setores produtivos, reduzindo a dependência do carry trade e da rentabilidade puramente financeira.

Nota de Método

O êxito do programa depende de que os grupos de trabalho não sejam consultivos — mas executivos. A diferença está na clareza das metas, na autoridade de coordenação e no compromisso de que cada eixo produz, no prazo definido, um plano setorial aprovado pelo governo e com dotação orçamentária correspondente. O modelo histórico mais próximo são os Grupos Executivos do governo JK: estruturas ágeis, centradas em metas, com capacidade de transitar entre governo, setor privado e academia.

A simples montagem dos grupos e o início dos trabalhos ajudará no início da construção de uma perspectiva de futuro, capaz de trazer de volta o otimismo em relação ao país.

A diferença para 2026 é que os novos setores são mais intensivos em conhecimento, mais distribuídos territorialmente e mais dependentes de redes de PMEs e cooperativas do que a industrialização pesada dos anos 1950. A arquitetura dos grupos deve refletir essa especificidade.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Júnior Almeida

    28 de maio de 2026 11:12 am

    Nassif não faltou combinar com os Russos? A nossa burguesia não almeja nenhuma mudança. O Brasil, como está, é o projeto exitoso para a burguesia estabelecida. Não aceitam qualquer mudança na política macroeconômica. Quando a Presidenta Dilma iniciou um processo de mudança macroeconômica que afetou o lucro das maiores empresas não financeiras, todos sabemos o que aconteceu. Diminuição do lucro presente para um eventual maior lucro no médio e longo prazo nunca esteve no horizonte da burguesia nacional. Esse projeto do Nassif assim como o do Ciro Gomes, do professor Bresser Pereira, requer algo que não temos: uma burguesia disposta a tal empreitada. Qual seria a alternativa? Haverá, como houve, forte reação a qualquer mudança no consenso atual.

    1. Pedro Rocha

      29 de maio de 2026 11:45 am

      É justamente por esse motivo, a capacidade de superar enormes desafios, que pessoas extraordinárias entram pra história. O brasileiro tem essa resignação imobilizante, no primeiro obstáculo afina.

  2. Paulo Dantas

    28 de maio de 2026 12:30 pm

    Precisa ganhar a eleição , executivo e legislativo , aí os “dotô” do sul que bola estes planos pode implementá-los e ensinar ao operário nordestino que vence eleições.

    1. Pedro Rocha

      28 de maio de 2026 10:02 pm

      Voto no Lula porque “é o que tem”. 30% da população é esquerda, uns mais lulistas, outros petistas, a ilusão é achar que o “Lula é quem vence as eleições”, quando qualquer outro da esquerda teria, cada vez mais, número aproximado de votos desse grupo.

  3. Jonas Silva

    3 de junho de 2026 7:45 am

    Por que vocês continuam dando destaque às pesquisas eleitorais. São institutos que visam seus próprios interesses. Precisam de uma legislação específica. Estão todos dentro do mesmo saco. Viraram instrumentos políticos a serviço da extrema direita. A Paraná Pesquisas e o Datafolha são duas eloquentes piadas. Eu não levo a sério. Pra lá.

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