Bolsonaro faz as pazes com Congresso, por reforma e outros interesses

Depois dos protestos pró-Bolsonaro e contra o Congresso, o mandatário volta a dar as mãos aos parlamentares e mostra apoio

Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN – Uma carta conjunta do ministro da Justiça, Sergio Moro, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, seguida de uma carta do próprio mandatário Jair Bolsonaro em apoio aos deputados que modificaram parte da reforma ministerial do presidente. Foram estes os gestos do governo, contraditoriamente menos de uma semana depois das manifestações pró-Bolsonaro e contra o Congresso.

É que passado o aval da população à sua polêmica gestão nos atos do último domingo, que o colocava como vítima das instituições Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal), Bolsonaro retornou às articulações junto aos parlamentares para garantir apoios. O primeiro aceno partiu dos ministérios – Moro e Guedes, que foram recomendados a explicitar em papel que o Coaf não precisaria ser modificado. Estavam satisfeitos com o texto aprovado pelos deputados [leia mais aqui].

Depois, o próprio presidente achou por bem assinar outra carta enviada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na qual pede a aprovação da Medida Provisoria (MP) 870 da maneira como foi votada pela Câmara – que segundo bolsonaristas, apresentou derrotas ao governo.

É que dois fatores contaram para os gestos do governo: o primeiro, tempo, o Congresso precisaria aprovar a MP antes do dia 3 de junho, que é quando ela perde a sua validade; e o segundo, que Bolsonaro entendeu que é momento de articular e apoiar, já que precisará dos parlamentares também para as outras medidas de seu interesse, como a reforma da Previdência.

Por isso, contraditoriamente logo após ser colocado como “vítima” de conluios do Parlamento, como era preciso, “fez as pazes” com o Congresso. E é nessa linha que um dia depois de o Senado aprovar a reforma ministerial que a declaração do mandatário foi também na linha amistosa: o Congresso Nacional agiu “legitimamente” na votação da MP, disse.

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“O Parlamento agiu legitimamente”, afirmou sem titubear, nesta quarta-feira (29), a jornalistas. Entre as medidas aprovadas pelos senadores, que partiram já das pequenas derrotas a Bolsonaro ainda na Câmara, foi a retirada do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) das mãos de Sergio Moro, ministro da Justiça, para voltar sob a responsabilidade da pasta de Economia.

Na noite de ontem, o Senado aprovou o texto da reforma administrativa que reduziu de 29 para 22 ministérios.

“O Coaf continua no governo, é a mesma coisa”, disse, sem admitir nenhum tipo de derrota e declarando o bom relacionamento com os congressistas. Aos jornalistas, como era de se esperar, disse que iria sancionar “tudo”. Afinal, a MP que ele mesmo publicou no inicio do ano não poderia ser modificada em suas mãos, sob o risco de perdê-la por completo com o fim do prazo.

 

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