Aécio ofereceu contrapartida aos R$ 2 milhões, mostra delator

Foto: Marcello Casal JR/ Agência Brasil
 
Jornal GGN – Quando se encontrou com Joesley Batista, o dono do frigorífico JBS que revelou em grampos e delação premiada as acusações que geraram a maior crise do governo, o senador tucano Aécio Neves chegou a oferecer ao empresário a nomeação de um diretor da Vale.
 
Nesta conversa, Aécio pediu R$ 2 milhões para supostamente pagar honorários advocatícios de Alberto Toron para sua defesa na Operação Lava Jato, mas o dinheiro acabou entrando na conta de empresa da família do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), aliado do tucano.
 
O encontro ocorreu no dia 24 de março, segundo a gravação de Joesley, no Hotel Unique, em São Paulo. Em um dos quatro pacotes de cédulas que juntas somavam os R$ 2 milhões, os investigadores colocaram chips, que emitem sinais e permitem o monitoramento do caminho efetivo do dinheiro. Na conversa com Joesley, Aécio indicou seu primo, Frederico Pacheco de Medeiros, chamado no diálogo de Fred, que já foi diretor da Cemig e um dos coordenadores da campanha presidencial de Aécio em 2014.
 
Frederico foi escolhido pelo tucano para receber o repasse, levado pelo diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud. A ação foi filmada pela Polícia Federal e mostra o primo de Aécio levando as malas com quatro pacotes de R$ 500 mil cada uma a um secretário parlamentar do senador Zezé Perrella, chamado Mendherson Souza Lima, que por sua vez levou a Belo Horizonte, sendo depositado na empresa de Gustavo Perrella.
 
Em resposta nesta quinta-feira (18), o senador afirma que se trata de um “empréstimo pessoal”, que o repasse ocorreria por mera questão de amizade, devido a relação de proximidade que tem com o empresário da JBS, e que não envolvia nenhum tipo de contrapartida.
 
Entretanto, informações do colunista Lauro Jardim, de O Globo, incriminam a tese do senador. Isso porque Joesley teria comprovado que houve uma suposta contrapartida para o repasse feito de R$ 2 milhões que o parlamentar alega ser de empréstimo pessoal.
 
Ambos chegaram no tema quando Joesley disse que gostaria que o novo presidente da Vale fosse Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Aécio Neves diz, então, ao dono da JBS que ele não poderia indicar Bendine porque já havia feito a sua indicação para a Presidência da empresa pública.
 
Afirmou que colocou o nome de seu indicado como um dos três da empresa de headhunters contratada pela Vale para a seleção do cargo. Mas tranquilizou o delator. Disse a Joesley Batista que ele “poderia escolher qualquer diretoria da empresa para fazer uma nomeação”, informa Lauro Jardim.
 
Três dias após aquele 24 de março, Fábio Schvartsman foi anunciado como o novo presidente da Vale, e Aécio contou a interlocutores que a escolha era a de sua indicação, comprovando a influência dentro das nomeações em empresas públicas no governo de Michel Temer.
 

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