Internet, pandemia e fascismo… por Izaías Almada

Bastam alguns foguetes ultrassônicos cruzarem os céus da Europa em várias direções e o inferno de Dante parecerá uma espécie de passeio pela Disneylândia.

Internet, pandemia e fascismo…

por Izaías Almada

Tudo está a indicar que a ciência, a mãe natureza e a intolerância política marcaram um trágico encontro para o primeiro quarto do século XXI. E nesse exato momento, como fazem alguns animais, o mundo eriçou os pelos.

Cada vez mais vai ficando distante o tempo em que as instituições responsáveis pela manutenção da democracia no mundo ocidental, seja ela representativa ou participativa, sucumbiram – paradoxalmente – diante da estúpida necessidade que tem o homem de fazer valer a ferro e fogo os valores em que acredita para uma convivência social civilizada.

A paz? Ora, a paz… A paz só se mantém com os armamentos que vão ficando cada vez mais sofisticados. E quem não possuir tais armamentos sofisticados fica à mercê dos mais fortes, pois – como diz a fábula de La Fontaine – “a razão do mais forte é sempre a melhor”

Enquanto quase toda a Europa e o seu Tratado do Atlântico Norte vão criando uma fronteira de ferro para isolar a Rússia com a maciça e poderosa ajuda dos Estados Unidos da América (sempre eles, não?), a fábrica de mentiras do mundo digital, via internet, somada a uma pandemia virótica e ao renascimento do fascismo em muitos países, encontraram terreno fértil para jogar a humanidade no caos.

Seriam esses os três dos quatro cavaleiros do Apocalipse? Os sempre citados cavaleiros de espadas na mão montados em seus cavalos de diferentes cores? O branco, o vermelho, o preto? O medo, a peste e a intolerância?

Porque o quarto cavalo, o amarelo, segundo as profecias do apóstolo João, significaria a morte e o fim da humanidade.

A terceira guerra mundial? Talvez…

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O cenário está montado para que o espetáculo se inicie. Bastam alguns foguetes ultrassônicos cruzarem os céus da Europa em várias direções e o inferno de Dante parecerá uma espécie de passeio pela Disneylândia.

Nesse inferno, sob a apatia e o medo de grande parte da população e comandado por um governo de sociopatas, o Brasil bate cabeça, ficando à deriva e à espera das próximas eleições presidenciais, uma vez mais, como Sísifo a carregar a sua pedra, tentando encontrar soluções para questões seculares.

Estamos cansados senhores empresários, senhores banqueiros, senhores políticos profissionais, senhores líderes religiosos e demais componentes da matilha defensora do capitalismo predador e mais do que selvagem.

Nessa toada, assim como no ano de 1789 em França, onde a rainha Maria Antonieta, dizem alguns historiadores, teria proferido uma frase infeliz e debochada: “Se o povo não tem pão, que coma brioches!”… Nessa toada, repito, passados já quase 250 anos, uma nova Marselhesa surgirá… Ouçam! 

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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