Algumas coisas, porém, como as coreografias do Jirí Kylián, algo da música do Steve Reich ou do Philip Glass, a música popular latinoamericana, o Steve Marriott cantando “Black Coffee” ou o Saramago descrevendo o mundo em “Viagem a Portugal” e as ladeiras ainda humanas de Lisboa, valem a pena viver para serem vistas. Assim como as muralhas de Cartagena e a Acrópole, monumentos de um mundo ainda mais antigo que hoje, até na sua “conservação”, está sendo apagado da memória dos homens.
Esse ex-amigo talvez tenha sido um pouco mais leniente consigo mesmo e com o mundo do que eu estaria disposto a tolerar, mas hoje posso dizer que, mesmo não estando de acordo com o que ele disse, posso entender por que o disse. Não vou, como ele, “usar o que me resta de vida para desfrutar de todo o pouco que este mundo ainda tem a oferecer”, mas faço questão de usar o tempo que me resta para ver o máximo do que ainda é belo. Até, talvez (me engana que eu gosto?), para que o contraste com o lixo esmagador de todo o resto me faça ficar um pouco menos dividido do que o Beethoven quando o fim do mundo chegar.
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
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