10 de junho de 2026

Estou sem poesia, Lourdes, por Romério Rômulo

Eu, febril, como a terra feita morte / Sem virtude, infiel e transparente
Banksy

Romério Rômulo publica poema “Estou sem poesia, Lourdes” expressando perda e desolação em versos.
O poeta reflete sobre o esquecimento do passado e a destruição da paisagem que o inspira.
Romério é professor na UFOP e fundador do Instituto Cultural Carlos Scliar, com atuação em Minas Gerais e RJ.

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Estou sem poesia, Lourdes

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por Romério Rômulo

As capas ancestrais me apagaram, Lourdes.
Meus torpes ventos, meus andaimes soltos
Os mares que me comem, traço bélico
Nem me sobraram os tempos do passado.

Eu, febril, como a terra feita morte
Sem virtude, infiel e transparente
Em sobrados da vila onde eu mordo
As ladeiras que mordem as sementes.

A poesia se abateu, Lourdes, no sequestro
Da paisagem que me bebe como resto.

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

Romério Rômulo

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

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3 Comentários
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  1. Gaspar Alencar

    1 de maio de 2026 9:12 am

    Depois do golpe duro no governo – uns versos sombrios! Possa trazer um lenitivo para a democracia!

  2. Odonir Oliveira

    1 de maio de 2026 10:18 am

    Lindo e triste poema, Romério Rômulo. As ladeiras dessa vila antes rica se estendem por esses brasis, antes ricos também. Parabéns à Lourdes, apesar disso.

  3. Mário Mendonça

    3 de maio de 2026 7:45 am

    Prezado Romério, saiu do facebook?

    Ia postar lá, como não o achei, vai aqui!

    A moeda e as chuvas

    POR MARCELO MÁRIO DE MELO

    Debaixo de sete chuvas
    em uma face da moeda
    as águas inundam
    garagens de edifícios
    alagam helipontos
    inviabilizam
    tênis
    basquete
    vôlei
    academia
    passeio na orla
    ida a shopping
    restaurante
    clube
    cassino
    impondo a reclusão
    em casa.

    Na outra face
    as águas
    desabam morros
    sobre as casas
    arrastam palafitas
    multiplicam
    lágrimas e óbitos
    enquanto os moradores de rua
    procuram um canto
    para passar a noite.

    Cidade-moeda
    moendo
    moendo
    em duas faces.

    *Marcelo Mário de Melo é pernambucano de Caruaru e vive no Recife, assolado pelas chuvas… Via blog do Juca Kfouri

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