Quando o tempo traduz, quando traduz
por Romério Rômulo
Quando a vida te come pelo olho
No tumulto azedo de um dia
A estrada se mostra crua e seca
Quando a mão que traduz pra quem não sabe
Os cavalos e os ecos do espaço
Da morada sutil de um marimbondo
Sem formigas que comam, numa noite
O que conta e cerca toda mão
Mais sinistra que destra, no exílio
Cada homem combate e seu combate
Mais abala a casa, rude e solta
De infiéis e missões. Sem uma vida.
2.
Que o olhar quando muito, desaguado
Se corrompe em trevas e se abate
No caminho de lá. Sem uma vida.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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