1 de setembro de 2026

Aos 70 anos, IPEN lança quatro núcleos para transformar ciência em desenvolvimento

IPEN parte de uma ideia central: conhecimento científico só cumpre sua função quando se converte em soluções concretas para a sociedade.
Reprodução

IPEN celebrou 75 anos com presença de USP, CNEN, MCTI, SBPC e outras instituições científicas em São Paulo.
O instituto lançou quatro núcleos temáticos focados em radiofármacos, terras raras, meio ambiente e transição energética.
Os núcleos visam integrar ciência, indústria e políticas para inovação e soberania tecnológica no Brasil.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Essa notícia você não vai ler nos jornais. É por demais relevante para merecer a atenção de veículos prisioneiros das irrelevâncias caça-likes.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Ontem, o IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) completou 75 anos. Foi uma comemoração épica das ciências no Brasil. Estavam lá representantes da reitoria da USP (Universidade de São Paulo), do CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), do Centro Tecnológico da Marinha, da AMAZUL (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa), do CNPq, do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), do CDTN (Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear) e da FAPESP.

Nasceu como Instituto de Energia Atômica (IEA), criado pelo Decreto Federal nº 39.872, de 31 de agosto de 1956, a partir de um convênio entre o CNPq e a USP. Em 1957, entrou em operação o Reator Nuclear de Pesquisas IEA-R1, o primeiro reator do Hemisfério Sul, instalado na Cidade Universitária.

Ao completar 70 anos, o IPEN abre uma nova etapa de sua trajetória científica e tecnológica. Mais do que celebrar as contribuições acumuladas ao longo de sete décadas, o instituto projeta seu papel diante dos desafios do futuro com o lançamento de quatro núcleos temáticos dedicados a áreas estratégicas para o Brasil: radiofármacos, terras raras, meio ambiente e clima e transição energética.

O discurso da diretora-superintendente Isolda Costa foi recebido com gritos de aprovação, e o auditório, lotado de cientistas e estudantes, saudavam a ciência brasileira. Enquanto isto, os jornais estavam mais preocupados em repetir os vazamentos da Polícia Federal, tentando transformar temas irrelevantes em pauta política.

A iniciativa do IPEN parte de uma ideia central: conhecimento científico só cumpre plenamente sua função quando se converte em soluções concretas para a sociedade. Nesse sentido, os novos núcleos buscam reunir pesquisadores, infraestrutura e competências multidisciplinares para aproximar pesquisa, inovação, indústria e políticas públicas.

Radiofármacos: ciência a serviço da saúde

O Núcleo de Inovação em Radiofármacos recupera uma das áreas mais tradicionais do instituto: a medicina nuclear. A proposta é desenvolver uma nova geração de radiofármacos voltados tanto ao diagnóstico quanto ao tratamento de doenças, com atenção especial às terapias mais precisas e personalizadas.

Entre as frentes promissoras estão os radiofármacos terapêuticos e as terapias com emissores alfa, que podem ampliar as opções para pacientes com cânceres de difícil tratamento. O trabalho deverá abranger toda a cadeia de desenvolvimento, da identificação de alvos moleculares e criação de novas moléculas aos processos de marcação, caracterização, estudos pré-clínicos e apoio progressivo à pesquisa clínica.

O objetivo vai além do avanço científico. Desenvolver essas tecnologias no país significa reduzir vulnerabilidades externas, ampliar a autonomia nacional e fortalecer o complexo econômico-industrial da saúde. Significa também criar condições para que novos diagnósticos e tratamentos possam chegar de maneira sustentável ao Sistema Único de Saúde.

Para isso, o núcleo reunirá conhecimentos de Química, Radioquímica, Biologia, Farmacologia, Medicina Nuclear, Física, Engenharia, Nanotecnologia e Ciência de Dados, além de estimular parcerias com universidades, hospitais, centros de pesquisa e empresas.

Terras raras: agregar valor aos recursos brasileiros

O segundo núcleo parte de uma constatação estratégica: possuir reservas minerais não basta. Para transformar recursos naturais em riqueza e soberania, é necessário dominar tecnologias de separação, purificação, caracterização e processamento.

As terras raras são componentes fundamentais de ímãs de alto desempenho, equipamentos eletrônicos e médicos, sistemas de defesa e tecnologias de energia renovável. Embora o Brasil disponha de reservas importantes, ainda enfrenta o desafio de avançar nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

O Núcleo Temático de Terras Raras pretende recuperar, atualizar e integrar competências históricas do instituto em química e materiais. Sua atuação incluirá o desenvolvimento de processos e equipamentos, com a perspectiva de transferir tecnologias ao setor produtivo.

A ambição é clara: ajudar o Brasil a superar a condição de exportador de recursos minerais e importador de tecnologia. O domínio dessa cadeia pode fortalecer a indústria, estimular a inovação e converter riquezas naturais em materiais avançados e produtos estratégicos.

Meio ambiente e clima: sustentabilidade com produtividade

O Núcleo de Meio Ambiente e Clima enfrentará uma questão decisiva para o futuro brasileiro: como ampliar a produção, preservar recursos naturais e, simultaneamente, reduzir emissões de carbono?

Uma das prioridades será apoiar uma agricultura regenerativa, produtiva e de baixo carbono. O aproveitamento de resíduos agrícolas e florestais terá papel central nessa agenda. Em vez de serem tratados como passivos, esses materiais podem ser utilizados para armazenar carbono, melhorar os solos, elevar a eficiência no uso da água e dos nutrientes e originar novos produtos para o campo.

Outra frente será o desenvolvimento de tecnologias nacionais para a produção de amônia verde, insumo capaz de contribuir para fertilizantes com menor intensidade de carbono e para a redução da dependência externa.

O diferencial da proposta está na integração entre agricultura regenerativa, aproveitamento de resíduos, energia renovável, insumos de baixo carbono e rastreabilidade das emissões ao longo das cadeias produtivas. A meta é transformar sustentabilidade em produtividade, competitividade e valor econômico.

Transição energética: tecnologia, indústria e soberania

O quarto núcleo nasce em um momento de transformação da matriz energética mundial. Reduzir emissões, ampliar o uso de fontes de baixo carbono e descarbonizar processos industriais tornou-se uma exigência ambiental, econômica e geopolítica.

O Brasil reúne condições privilegiadas para liderar parte desse processo, graças à presença de fontes renováveis, recursos naturais e capacidade científica. Mas essa oportunidade depende do domínio de novas tecnologias e da integração entre produção, armazenamento e conversão de energia.

Entre as frentes previstas estão o hidrogênio verde, os eletrolisadores, os sistemas eletroquímicos, os biocombustíveis, os materiais avançados e a valorização de resíduos. A proposta é conectar essas competências às necessidades da indústria, de modo que as soluções ultrapassem os limites dos laboratórios e contribuam para novas cadeias produtivas, empregos qualificados e produtos de maior valor agregado.

A transição energética também é uma questão de soberania. Dominar tecnologias críticas reduz dependências externas e permite ao país deixar de ser apenas consumidor para se tornar desenvolvedor de soluções para uma economia de baixo carbono.

Um instituto voltado para os próximos 70 anos

Os quatro núcleos traduzem uma mesma visão de futuro. Na saúde, transformar ciência em diagnóstico e terapia. Nas terras raras, converter recursos naturais em tecnologia e produtos de alto valor. No meio ambiente, associar sustentabilidade a produtividade e competitividade. Na energia, transformar competências científicas em soluções para uma economia de baixo carbono.

Ao lançar essa agenda, o IPEN reafirma a importância de integrar diferentes áreas do conhecimento e aproximar instituições científicas, universidades, hospitais, empresas e parceiros nacionais e internacionais.

LEIA TAMBÉM:

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados