8 de outubro de 2026

China rejeita uso do yuan para obter vantagem comercial

Banco central afirma que câmbio é determinado pelo mercado e defende ação conjunta para enfrentar desequilíbrios econômicos globais
Fachada do Banco Popular da China. Foto: VCG - via Global Times

Banco Popular da China nega uso da taxa do yuan para vantagem comercial e rejeita desvalorização intencional.
Yuan valorizou 23% desde 2005; PBoC destaca regime cambial flutuante e intervenção limitada desde 2017.
PBoC relaciona desequilíbrios globais a fatores econômicos, não só câmbio, e defende ações coordenadas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Banco Popular da China (PBoC), banco central chinês, afirmou que o país não utiliza a taxa de câmbio do yuan para obter vantagens competitivas no comércio internacional e não tem intenção de fazê-lo.

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Em comunicado sobre a política cambial, a instituição também rejeitou a ideia de que a moeda chinesa seja deliberadamente mantida em um nível desvalorizado para estimular as exportações.

Segundo o PBoC, a China adota um regime de câmbio flutuante administrado, baseado na oferta e na demanda do mercado e considerando uma cesta de moedas. Nesse sistema, afirmou o banco central, as forças de mercado desempenham papel decisivo na formação da taxa de câmbio do yuan.

A instituição ressaltou que não estabelece uma meta específica para a cotação da moeda nem procura determinar sua trajetória de longo prazo. A atuação do banco central estaria concentrada em evitar oscilações excessivas e preservar a estabilidade financeira.

A posição foi apresentada em meio às discussões internacionais sobre os desequilíbrios comerciais e às acusações recorrentes de que a China manteria sua moeda artificialmente depreciada para ampliar a competitividade de seus produtos no exterior.

O PBoC afirmou que a China “nunca recorreu à desvalorização competitiva” e que não possui necessidade ou intenção de obter vantagens comerciais por meio desse mecanismo.

Yuan passou por ciclos de valorização e desvalorização

O banco central chinês destacou o comportamento histórico da moeda para sustentar sua avaliação sobre o regime cambial. Segundo os dados apresentados pela instituição, o yuan passou de 8,27 por dólar em julho de 2005 para cerca de 6,7 atualmente, o que representa uma valorização acumulada de aproximadamente 23% no período. Desde 2025, a moeda teria se valorizado cerca de 9% em relação ao dólar, segundo o PBoC.

A instituição também ressaltou que o yuan passou por diferentes ciclos de valorização e desvalorização desde 2010, com movimentos nos dois sentidos e aumento da flexibilidade cambial.

O banco central afirmou que deixou de realizar intervenções regulares no mercado de câmbio a partir de 2017. Em situações de forte volatilidade, porém, pode utilizar instrumentos de política macroprudencial para orientar as expectativas ou intervir em circunstâncias consideradas extremas, especialmente quando identifica comportamentos de manada ou expectativas consideradas irracionais.

Para o PBoC, administrar o câmbio não significa estabelecer artificialmente uma cotação para o yuan. A atuação da autoridade monetária busca evitar que movimentos abruptos de curto prazo comprometam a estabilidade financeira.

O comunicado também chama atenção para o fato de que a relação entre câmbio e desempenho comercial não é automática. O banco central citou como exemplo o período entre 2005 e 2008: nesse intervalo, a participação da China nas exportações mundiais aumentou 2,4 pontos percentuais mesmo com uma valorização de 21% do yuan frente ao dólar.

Segundo a autoridade monetária, os desequilíbrios da economia mundial não podem ser atribuídos simplesmente às taxas de câmbio de determinadas moedas. A instituição relacionou o problema a mudanças na divisão internacional do trabalho, características do sistema monetário internacional e diferenças entre poupança e investimento em cada economia, e defendeu que a correção dos desequilíbrios exige ações coordenadas tanto de países superavitários quanto de economias deficitárias.

A autoridade monetária destaca que os países que apresentam déficits deveriam fortalecer suas posições fiscais, elevar as taxas de poupança doméstica e aumentar a competitividade de suas indústrias. Já os países superavitários deveriam ampliar o consumo e os investimentos internos.

A posição chinesa ocorre em um momento de persistentes tensões comerciais entre Pequim e Washington, nas quais o tamanho do déficit comercial dos Estados Unidos com a China permanece como um dos principais pontos de disputa.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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