As pesquisas do neurocientista Carl Hart sobre o consumo de drogas

Sugerido por pôla1

só aparentemente fora do tópico, segue uma perspectiva, atual, em plenos estados unidos.

um pesquisador da columbia universty, em entrevista a respeito de suas pesquisas sobre as relações sociais e econômicas c/ o consumo de drogas, responde a uma das muitas e precisas perguntas:

Amy Goodman: Como você saiu de uma vizinhança violenta em Miami para a Universidade de Columbia ?

Dr. Carl Hart: Nós tinhamos um Estado de bem-estar social, que servia como uma rede de segurança para famílias como a minha. Eu tenho sete irmãos e hoje somos todos contribuintes, mas nós fomos criados no Estado de bem-estar. Sem isso, eu não estaria aqui (enfase minha). O governo tinha programas em ciência para as minorias, o que me ajudou a conseguir um Ph.D. Além disso, tive muitos mentores: negros, brancos, mulheres. E uma avó forte e cinco irmãs mais velhas que me ajudaram muito.

antes dessa, diz ele, mais no começo:

…Se nós estivéssemos de fato preocupados com o vício em drogas, nós estaríamos tentando entender precisamente o porquê as pessoas se tornam dependentes. Mas não é nisso que estamos interessados. Nesta sociedade nós nos interessamos em maldizer as drogas. Dessa forma, não temos de lidar com os problemas sociais mais complexos que transformam as pessoas em dependentes químicos…

Da Carta Maior

 
“Uma das coisas que me chocaram foi o fato de ter descoberto que de 80% a 90% das pessoas que usam drogas como o crack ou a heroína não são viciadas”

 
A Carta Maior traduziu trecho da entrevista que o neurocientista Carl Hart concedeu ao site Democracy Now!. Atualmente, o debate da questão das drogas no Brasil muitas vezes foca a internação compulsória e o acirramento das leis anti-drogas como as medidas necessárias a serem tomadas para tentar solucionar o problema da dependência química. O Dr. Carl Hart traz uma visão totalmente diferente e inovadora para os padrões científicos amplamente difundidos na grande mídia.

Entrevista do Dr. Carl Hart a Amy Goodman, do DemocracyNow!

O Dr. Carl Hart é o primeiro cientista afro-americano titular na Universidade de Columbia, onde é professor associado dos departamentos de psicologia e psiquiatria. Ele também é membro do Conselho em Assuntos de Abuso de Drogas e pesquisador da Divisão de Abuso de Substâncias do Instituto de Psiquiatria de Nova York. No entanto, muito antes de ter entrado nos  salões consagrados da Ivy League, Carl Hart adiquiriu conhecimento de primeira-mão sobre o uso de drogas nos bairros mais perigosos de Miami, onde cresceu. Ele publicou recentemente o seu livro High Price: A Neuroscientist’s Journey of Self-Discovery That Challenges Everything You Know About Drugs and Society. Neste livro, ele relembra sua jornada de descobertas e como escapou de uma vida de crimes e não se tornou um dependente químico como aqueles que ele hoje estuda.

Amy Goodman: Vamos começar falando sobre de onde você vem.

Dr. Carl Hart: Bom, como dizem, eu vim do gueto. E, quando pensamos nestas comunidades, logo pensamos naquela imagem de lugares devastados pelo abuso de drogas: eu acreditei nessa narrativa por muito tempo. Na verdade, eu tenho estudado as drogas há 23 anos; e por 20 acreditei que as drogas eram o problema das comunidades. Mas quando eu comecei a olhar com mais cuidado, quando comecei a olhar as evidências de maneira mais cuidadosa, ficou claro para mim que as drogas não eram o problema. O problema era a pobreza, a política anti-drogas, a falta de empregos – um leque variado de coisas. E as drogas eram apenas um componente que não contribuía tanto quanto os outros que citei anteriormente.

Amy Goodman: Então, fale-nos dos resultados destes estudos que você vem publicando há alguns anos nos maiores jornais científicos.

Dr. Carl Hart: Bom, uma das coisas que me chocaram quando eu comecei a entender o que estava acontecendo foi o fato de ter descoberto que de 80% a 90% das pessoas que usam drogas como o crack, a heroína, metanfetaminas, maconha, não são viciadas. Eu pensei, “espera aí. Eu pensava que uma vez que se usava estas drogas, todos se tornavam viciados, e essa era a causa dos problemas sociais.” Outra coisa que eu descobri foi que se dermos alternativas às pessoas – como empregos – elas não abusarão das drogas como fazem. Descobri isso no laboratório com humanos assim como com animais.

Amy Goodman: o que você quer dizer? Você está dizendo que o crack não é tão viciante quanto todos dizem?

Dr. Carl Hart: Bom, temos um belo exemplo agora: o prefeito de Toronto, Rob Ford. Ele usou crack e fez seu trabalho normalmente. Deixando de lado o que pensamos sobre ele ou suas políticas, ele foi ao trabalho todos os dias. Ele fez seu trabalho. A mesma coisa aconteceu com Marion Barry. Ele foi ao trabalho todos os dias. Na verdade, ele o fez tão bem na opinião das pessoas de Washington que ele foi votado mesmo depois de ter sido condenado pelo uso de crack. E assim é a maioria dos usuários de crack. Assim como qualquer outra droga, a maior parte das pessoas o faz sem outros problemas.

Amy Goodman: Compare com o álcool.

Dr. Carl Hart: Bom, quando pensamos no álcool, cerca de 10% a 15% dos usuários são viciados ou se encaixam em critérios do alcoolismo; para o crack, cerca de 15% a 20% – quase a mesma coisa se tratando de números. E nós sabemos disso cientificamente já faz 40 anos. Mas não dizemos esse tipo de coisa ao público

Amy Goodman: Então, você está dizendo que alguém que toma vinho todas as noites no jantar não seria considerado viciado da mesma forma que a pessoa que usa crack é?

Dr. Carl Hart: Exatamente. Então, o crítério, para mim, para julgar se alguém é ou não viciado é o de se esta pessoa tem problemas nas suas funções psicossociais. Ela vai ao trabalho? Ela lida com suas responsabilidades? O ela deixa de lado suas atividade? E quando pensamos em drogas como o alcool, as pessoas podem beber todos os dias e ainda assim lidar com todas suas responsabilidades. O mesmo se dá com usuários de crack. O mesmo se dá com usuários de cocaína. O mesmo com maconha. Pense da seguinte forma: os três últimos presidentes recentes usaram drogas ilícitas, e todos eles cumpriram com suas responsabilidades. Eles alcançaram os níveis mais altos de poder. E teríamos orgulho deles se fossem nossos filhos, apesar do fato de terem usado drogas ilegais.

Amy Goodman: Mas todos eles dizem que não usavam de maneira regular…

Dr. Carl Hart: Bom, quando nós dizemos “de maneira regular,” por exemplo, eu uso álcool assim. Eu posso beber uma vez por mês, duas, quatro vezes. Pode variar, mas isto é, certamente, regular. E então eu penso que, quando as pessoas dizem regular, elas pensam na verdade em abusar. E quando as pessoas abusam várias vezes ao dia isso vai atrapalhar algumas de suas funções psicossociais. Mas, isto se dá com um número pequeno de pessoas. Só algumas têm um comportamento como esse. E eu asseguro que se alguém tem esse tipo de comportamento, este não é seu único problema. Ela tem muitos outros.

Amy Goodman: Então, por que algumas pessoas se viciam em crack e outras não?

Dr. Carl Hart: Esta é uma ótima questão. As pessoas se viciam por muitas razões. Algumas possuem outras doenças psiquiátricas que contribuem com seu vício em drogas. Outras ficam viciadas porque esta é a melhor opção disponível a elas; outras porque têm poucas capacidades limitadas para assumir responsabilidades. As pessoas se tornam viciadas por um leque muito diverso de razões. Se nós estivéssemos de fato preocupados com o vício em drogas, nós estaríamos tentando entender precisamente o porquê as pessoas se tornam dependentes. Mas não é nisso que estamos interessados. Nesta sociedade nós nos interessamos em maldizer as drogas. Dessa forma, não temos de lidar com os problemas sociais mais complexos que transformam as pessoas em dependentes químicos.

Amy Goodman: Fale sobre neurociência.

Dr. Carl Hart: Essa é uma ótima questão. Em algum nível, em termos de abuso de drogas, a neurociência se tornou um tipo de “vodu”, apesar de ser meu tipo favorito de ciência. As pessoas acham que a neurociência se resume em imagens bonitinhas mostradas aos pacientes e suas reações, como se essas refletissem seu comportamento. Não reflete. Partindo dessa perspectiva, isso me preocupa muito. Mas por um outro lado, eu me maravilho com o que aprendemos sobre o funcionamento do cérebro. Não estamos nem perto de poder explicar o vício em drogas com a neurociência, mas isso não significa que não deveríamos tentar descobrir o que se passa no nossa cabeça.

Amy Goodman: Você tem feito testes em humanos. Como esses experimentos se comparam com os feitos em animais e nos ratos?

Dr. Carl Hart: Depende da pergunta que você faz. Quando pensamos na dopamina, e você tem ouvido falar bastante desse neurotransmissor, está nos cérebros dos ratos e dos humanos. Se você quer saber o que a cocaína faz com a dopamina, você pode usar o cérebro de um rato para descobrir isso, assim como o de um humano. Mas quando começamos a falar sobre vício em drogas e suas complexidades, o aspecto muda pois esse vício é uma doença dos humanos, não dos ratos. O que você pode fazer nos ratos é, talvez, formular um componente ou até dois da dependência química, mas temos de entender que isso tem suas limitações.

Amy Goodman: Doutor, você pode falar da sua jornada de vida? Como acabou sendo o primeiro cientista Afro-Americano a ser titulado na Universidade de Columbia?

Dr. Carl Hart: Essa é uma questão que a sociedade deveria responder. Eu digo, quando pensamos nos números de Afro-Americanos que estão no campo da neurociência e porque são baixos, esse é um assunto que a sociedade ainda não analisou. E tem relação com o papo sobre maconha. Você mostrou algo sobre Kennedy mais cedo. Esse tipo de pessoa me enoja, sério, quando pensamos sobre o papel do racismo na repressão às drogas, e essas pessoas não pensam nisso?

Amy Goodman: O ex-membro do Congresso, Patrick Kennedy, co-fundou o grupo Alternativas Inteligentes para a Maconha, sendo contrário à legalização, baseando-se no argumento de que poderia ser prejudicial às minorias do país. O que você pensa sobre isso?

DR. Carl Hart: Se ele realmente estivesse preocupado com as comunidades compostas por minorias, ele deveria fazer menção a este fato: hoje, se mantivermos a mesma aplicação de políticas em relação às drogas, um a cada três afro-americanos nascidos hoje passariam um tempo na cadeia. Se ele estivesse realmente preocupado, ele iria entender que homens afro-americanos representam 6% da populaçao e 35% da população carcerária. Isso é abominável.

E quando nós pensamos sobre os perigos da maconha de uma perspectiva científica, eles são equivalentes ao do álcool. Agora, eu não quero ficar falando sobre os perigos do álcool ou acabar com sua reputação, pois eu penso que toda sociedade deveria ter drogas. Nós precisamos delas, e toda sociedade sempre os utilizou.

AMY GOODMAN: Por que nós precisamos de drogas?

Dr. Carl Hart: Deixa as pessoas mais interessantes, diminui a ansiedade. O álcool é associado com um grande leque de efeitos benéficos à saúde – diminui a chance de doença no coração, de enfartos. O mesmo pode ser dito da maconha – ajuda as pessoas a dormir melhor, pode combater a ansiedade.

Pensemos em analogia com os automóveis. Nos anos 1950, o número de acidentes de carro eram relativamente altos. Foram instituídas medidas: cinto de segurança, limite de velocidade etc. Os acidentes diminuíram sensivelmente. Se as pessoas estão preocupados com os perigos da maconha, nós podemos ensina-las como usar de forma mais segura.

Amy Goodman: Como você saiu de uma vizinhança violenta em Miami para a Universidade de Columbia ?

Dr. Carl Hart: Nós tinhamos um Estado de bem-estar social, que servia como uma rede de segurança para famílias como a minha. Eu tenho sete irmãos e hoje somos todos contribuintes, mas nós fomos criados no Estado de bem-estar. Sem isso, eu não estaria aqui. O governo tinha programas em ciência para as minorias, o que me ajudou a conseguir um Ph.D. Além disso, tive muitos mentores: negros, brancos, mulheres. E uma avó forte e cinco irmãs mais velhas que me ajudaram muito.

Amy Goodman: Você inicia seu livro falando sobre um experimento humano que você fez recentemente. Explique.

Dr. Carl Hart: Esse experimento foi pubicado no New York Times recentemente. Eu pesquisei a literatura animal, a qual mostra que quando você permite que um animal auto-administre cocaína pressionando uma alavanca que a injeta em suas veias, ele o fará até morrer. No entanto, após um estudo mais aprofundado da literatura, descobri que se você oferece um parceiro sexual a esse animal, ou algo doce para comer, eles dispensam a droga. Eles dão atenção a essas outras atividades. Então, eu achei que seria interessante descobrir se viciados em crack teriam seus comportamentos em relação à droga alterados se lhes fossem oferecidas alternativas. Nesse experimento, oferecíamos apenas 5 dólares. E é possível ver que eles aceitam o dinheiro em mais da metade das ocasiões.

Amy Goodman: Explique essa cena.

Dr. Carl Hart: Você leva uma pessoa para o laboratório. Eles se sentam de frente para um computador para indicar suas escolhas. Do lado esquerdo, a droga; do direito, o dinheiro. E eles têm cinco oportunidades, separadas por 15 minutos, que é o intervalo de tempo que uma enfermeira entra na sala e pede para que eles indiquem a opção escolhida.

Amy Goodman: Quem são esses sujeitos?

Dr. Carl Hart: Esses participantes são pessoas que atendem ao critério do vício em crack: indivíduos que usam crack por volta de cinco dias por semana. Eles gastam por volta de 200 a 300 dólares por semana com a droga. E nós passamos todos os requisitos éticos para que eles possam vir ao laboratório. Eles passam por exames físicos e são monitorados por uma enfermeira e um médico.

Assim que eles indicam sua escolha para a enfermeira, ela as traz para nós. Quando você oferece cinco dólares, a escolha é dividida. Mas se você aumenta a oferta para 20 dólares, eles sempre escolhem o dinheiro, nunca a droga. E muitas vezes as pessoas dizem: “Eles selecionam o dinheiro para comprar mais droga”. Uma coisa que normalmente se diz sobre usuários de crack é que eles não conseguem fazer escolhas racionais uma vez que possuem a opção de escolher a droga. Mas eu sei que a maioria dessas pessoas nesses estudos não simplesmente pegou o dinheiro para comprar drogas, até porque pagamos algumas de suas dívidas. Eles guardaram o dinheiro que receberam e nos pediram para pagar certas contas.

Amy Goodman: Você ficou surpreso com suas descobertas?

Dr. Carl Hart Eu fiquei absolutamente surpreso quando comecei a coletar esses dados em 1999, 2000, pois eu havia sido levado a pensar, assim como o público americano, que usuários de crack iriam sempre escolher por mais crack. E isso é um mito.

Amy Goodman: Finalmente, Dr. Carl Hart, qual sua avaliação da forma como a mídia lida com as questões relacionadas às drogas?

Dr. Carl Hart: Não é apenas a mídia. Cientistas também contribuem para a desinformação, em parte porque têm medo de que qualquer coisa que digam seja interpretada como permissiva, então dizem muito pouco. Aparentemente, o principal objetivo dos cientistas não é a comunicação, mas sim não estar errado. E assim nós perdemos uma oportunidade de educar o público americano sobre como diminuir prejuízos relacionados às drogas.

Amy Goodman: O que você diz para os jovens a respeito de drogas e álcool?

Dr. Carl Hart: Eu penso nessas coisas da mesma forma que eu penso sobre outros comportamentos potencialmente perigosos, como dirigir, por exemplo. Eu faço questão de educar meus filhos para que dirijam de forma segura, para fazerem sexo seguro. O mesmo vale para as drogas. Eu faço questão de que eles entendam os potenciais efeitos positivos, negativos, e como evitar os negativos.

Tradução de Isabela Palhares, Roberto Brilhante, e Rodrigo Giordano

 

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7 comentários

  1. Eu faria a seguinte pergunta

    Eu faria a seguinte pergunta ao pesquisador: Por que os ricos que vivem em condomínio, tem emprego ou são donos de grandes empresas, e tem um vida relativamente tranquila e bela, consomem cocaína ou ecstasy em quantidades muitas vezes maiores que do maconheiro ralé da esquina?? Já que ele disse que a droga é um problema do meio social…

    • Uma pequena intromissão

      Prezado Heitor,

      Eu entendi seu questionamento, e acho que entendi o que o pesquisador quis dizer. Me permita a intromissão:

      Como evento exclusivo da sociabilidade humana (animais irracionais não usam droga conscientemente, até porque, por óbvio, não tem consciênca de seus atos), o uso da droga é resultado do meio social, todo ele, e não a parte estratificada por classe.

      O que ele coloca atende a sua compreensão e não confronta ela, ou seja, o uso de drogas (legais ou não) é um gesto transclassista, mas que por motivos que já conhecemos, acaba por ser estigmatizado, estratificado e classificado por um viés de classe verticalizado e hierarquizado, como você denuncia. 

      E como ele argumenta que desde sempre até todo sempre nós usaremos drogas por motivos recreativos, rituais ou terapêuticos, não há sentido em tratar esta ação como causa dos mais variados problemas que temos, desde a perspectiva individual (a decisão/motivo para usar) até os de natureza coletiva.

      Cabe-nos estudar e pesquisar estas causas para evitar ou diminuir a chance de danos advindos pela propensão que alguns desenvolverão ao abuso, seja de comprimidos para dormir, crack ou vinho.

       

      Saudações cordiais.

    • não é só ‘o social’, não

      vem de uma série de frentes.

      o problema que ele aponta é precisamente o reducionismo de se definir logo uma só causa, e ‘pronto’, tá resorvido o pobrema.

      reparem que, só p/ narrar o percurso por onde ele saiu da sua condição original de vida, ele enumera uma série de condições, pessoas e coisas.

      todas bem associadas, de modos mais ou menos especícficos, quase como a dizer: quanto melhor estruturada uma comunidade, mais difícil fica da droga dominar.

      já que, p/ entrar, tem porta que não acaba, sempre teve e sempre terá, como ele mesmo aponta.

      é por aí que se entende, então, como a mulecada rica entra, e fica, na droga.

      e é como podem funcionar essas associações que nos interessa aqui.

  2. A religião da ciência e a automedicação.

    Prezados e prezadas,

    Uma abordagem sensacional e que nos revela como os discursos científicos acabam por ceder a tendência de reproduzir consensos úteis a sua legitimação, ao invés de suscitar a dúvida permanente e a busca por mais e mais conhecimento.

    Não seria exagero dizer que a nossa sociedade contemporânea adota a cultura da obsolescência em todos os setores, enquanto fossiliza a ciência, justamente o que deveria estar permanentemente obsoleta.

    Há várias evidências sobre este tema, que nos levam a considerar que as políticas anti-drogas tem por objeto, além dos mais conhecidos, como os econômicos e geopolíticos, o controle interno pelas classes dominantes de contingentes das classes subalternas, quer seja pela estigmatização do uso das drogas, quer seja pela criminalização destes mercados, transformando uma possível demanda ou conflito social por mobilidade ou ascensão em uma questão policial-judicial-penal.

    Caso contrário, o que justificaria a leniência com os usuários do álcool e a repulsa aos usuários de outras drogas, quando os níveis de adicção e os supostos prejuízos sociais sejam parecidos, ou até menores?

    Por outro lado, é muito importante a fala do pesquisador quando nos diz, em outras palavras: abuso de drogas é efeito e não causa de algum problema.

    Consideremos que o abuso de drogas é algo como uma automedicação. Não por outro motivo é o abuso de drogas farmacológicas industriais o setor que mais cresce dentre os problemas de saúde pública, principalmente as que estão relacionadas ao distúrbios de comportamento e sono (ansiolíticos).

    Imaginem se déssemos aos adictos em Clonazepam (Rivotril) ou Fluoxetina (Prozac) o mesmo tratamento que dedicamos aos adictos em crack.

    A intervenção tem que se dar no nível da causa, qual o desconforto psicossocial ou psquiátrico que leva este indivíduo a tornar-se adicto, enquanto outros permanecem à salvo, ou ainda, quais são os modelos de sociabilidade que levam a níveis de estresse e tensão que aumentam a probabilidade de adicção, seja de qual substância for.

    Quando criminalizamos umas substâncias e industrializamos e endeusamos o uso de outras, só estamos fazendo uma reserva de mercado para a indústria que fabrica estes produtos, seja com fins terapêuticos, seja com fins lúdicos.

    Já é sabido que há profissões submetidas a regimes de privação de sono e sob forte tensão que tendem a abusar de drogas lícitas e ilícitas, como pilotos, pessoal da área da saúde, policiais, motoristas profissionais (taxistas, ônibus e caminhões), etc.

    A proibição/estigmatização impede o correto acompanhamento, a prevenção e mais, desperdiçam incontáveis esforços pessoais e públicos de formação destes profissionais, que acabam inviabilizados pelos problemas da adicção, isto sem contar com o desabamento de toda a rede social (família, vizinhos, amigos) do entorno destas pessoas.

    Consideremos ainda o risco que a ocultação da doença (adicção) traz a sociedade, quando temos médicos, pilotos ou policiais agindo sob efeito da adicção.

    Todas as sociedades sempre utilizaram as drogas para fins rituais, terapêuticos ou lúdicos/recreativos.

    E todas as experiências de repressão ao uso de drogas, com criminazalição de condutas e do mercado, trouxeram muito mais danos que os que diziam querer prevenir.

    Isto acontece todas as vezes que o Estado tenta interferir nas decisões chamadas de “autolesão”, o que não quer dizer que não deva haver regulamentos rigorosos para aqueles que, sob efeito desta ou daquela substância, acabem por atingir direitos de terceiros, seus patrimônios, ou o estatal. 

    Neste sentido, é muito mais importante para o Estado, por exempo, se o motorista exigiu que todos os passageiros do veículo que conduz estejam de cinto de segurança, importanto pouco, do ponto de vista penal (crime) se ele está ou não com o equipamento, ou seja: se houver acidente, ele responderá pelos ferimentos causados pela ausência do cinto nos passageiros, e não nele, pois ao Estado, criminalmente falando, não interessa quem se autolesiona.

    Não faz sentido adotar este raciocínio de cabo a rabo no estamento penal, e abandoná-lo para o caso das drogas, ou pior, faz sentido para a manutenção desta política de extermínio e segregação.

    É um debate que não poderemos escapar dele, mas que não pode ser pautado por  “verdades religiosas”, ainda que científicas.

    Saudações a todos. 

  3. O “Democracy Now” é um site e

    O “Democracy Now” é um site e um canal (transmite cerca de 60 minutos diários) de propaganda de extrema-esquerda. Amy Goodman, sua “dona”, é useira e vezeira de drogas, já tendo sido presa em diversas ocasiões. Uma notícia como esta está da acordo com a agenda deles.

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