8 de junho de 2026

Os movimentos estratégicos da China, por Luis Nassif

Outro movimento relevante é o esforço chinês para internalizar tecnologias estratégicas. Esse esforço aumentou desde que países ocidentais passaram a dificultar o acesso da China a tecnologias avançadas.
Foto AFP

É curiosa a tentativa de separação econômica entre Estados Unidos e China.

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Conforme relato de Yu Yongding, diretor do Instituto de Economia e Política Mundial da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em artigo publicado no Project Syndicate, há rusgas pelo caminho. Nos últimos anos houve escaramuças tarifárias, sanções dos EUA contra gigantes chineses de tecnologia – como a ZTE e a Huawei -, o cancelamento do registro de empresas chinesas na Bolsa de Valores dos EUA, submetendo-as a normas de regulação internas – modelo que permitiu aplicar multas gigantescas à Petrobras.

A disputa não se limita à parte comercial.

Nos últimos anos, houve uma redução drástica no número de alunos chineses em universidades americanas. E os EUA anunciaram planos de boicotar as Olimpíadas de Inverno de 2022, em Pequim.

Mas – na visão de Yu – as disputas não passaram dessas escaramuças. Recentemente, a Câmara de Comércio dos EUA levantou estimativas de perdas das empresas americanas, caso cortassem os investimentos na China ou houvesse aumento adicional de tarifas.

Não foi por outro motivo que em 2019. Mike Pence, vice-presidente de Donald Trump, negou enfaticamente qualquer possibilidade de afastamento da China. Em vez do “desacoplamento”, haveria o que ele chamava de “reaparecimento”, ou seja, a identificação de objetivos mais favoráveis aos interesses americanos.

De fato, depois que os dois países assinaram o acordo comercial da Fase Um, em 2020, houve uma trégua na escalada tarifária. Igualmente os dois lados montaram listas robustas de isenções tarifárias.

Como resultado, em 2020 as exportações de bens dos EUA para a China cresceram 18%, contra uma queda tarifária de 11% em 2019. Com o resultado, a China manteve sua posição de terceiro maior mercado para as exportações dos EUA.

Na outra ponta, segundo estudos do Peterson Institute for International Economics, a China conseguiu driblar diversas restrições nacionais à transferência de tecnologia para lá. Em 2020, o IED (Investimento Externo Direto) aumentou mais de 10%, ficando em US$ 212 bilhões, quase o dobro do resultado de 2019.

A política de abertura da China incluiu também o compromisso de facilitar o acesso ao mercado para bancos e seguradoras estrangeiras, facilitar as transações entre matriz e filiais e abrir espaço para capital estrangeiro no mercado doméstico.

Outro movimento relevante é o esforço chinês para internalizar tecnologias estratégicas. Esse esforço aumentou desde que países ocidentais passaram a dificultar o acesso da China a tecnologias avançadas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. ze sergio/sorocabanoburaco

    14 de dezembro de 2021 11:52 am

    E pensar que na mesma época que a China fazia sua estratégia política rumo à Liberdade e Capitalismo a partir de 1979, o Anão Diplomático (pela ‘enésima’ vez a partir de 1930) fazia o caminho inverso com a volta das Elites do AntiCapitalismo de Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista. O embolorado e apodrecido discurso anticapitalista. A China começou a colher seus frutos e prosperidade a partir de 1980. O Anão Diplomático foi se enterrando cada vez mais em Terceiro Mundo, Pátria do Socialismo dos 100 mil assassinatos por ano, do NarcoTráfico e do Analfabetismo, dando ouvidos a párias que já havíamos nos livrado: Miguel Arraes, Mario Covas, Leonel Brizola, FHC, José Serra, José Dirceu,…Pobre país rico. Errada está a China!! Mas de muito fácil explicação.

  2. José de Almeida Bispo

    17 de dezembro de 2021 2:28 pm

    Tudo no estilo, aposte no pior. E por enquanto saboreie o melhor.
    A China aprendeu direitinho com a narco-banqueira Guerra do Ópio e suas funestas consequências de 100 anos de queda e miséria. Tomara que não queira repetir invertendo os papéis… pra cima da gente, assim que o Departamento de Estado “abandonar” as colônias passar a correr pra segurar o dique internamente.

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