Do leitor

Análise do caso Varig

Alguns pontos que abordaremos abaixo são uma modesta colaboração sobre o tema, e desde já solicito que você nos considere um “anônimo”.

1- Situação das Companhias Aéreas no Mundo Globalizado

Mesmo antes do 11 de setembro, o setor de companhias aéreas apresenta sintomas de difícil governança.

Durante minha carreira iniciada no Unibanco como Gerente da Área Corporate não recomendava compra das ações da VARIG: na época a VARIG distribuía dividendos com a correção monetária, e sua gestão pela Fundação Rubem Berta era paternalista e sindical.

Internacionalmente as Companhias Aéreas detém uma forte participação dos sindicatos, o número de sindicatos envolvidos na operação aeroviária envolve tapeceiros, eletricistas, mecânicos, pilotos (arrogantes, superados apenas pelos jogadores de futebol), faxineiros, atendentes e agentes comerciais. É realmente uma “zorra” sindical. O grande problema do setor aeroviário é a questão trabalhista e sindical que com o crescimento e o tempo das operações constroem um grande passivo trabalhista e social.

As duas melhores referências dessa multiplicidade sindical são nos Estados Unidos, a UNITED AIRLINES, hoje gerida pelos sindicatos; e do outro lado a AIR FRANCE sob gestão profissional nomeada pelo governo francês.

Eu costumo comparar as Companhias Aéreas como os nossos filhos: quando são crianças, e adolescentes são lindos e legais. Quando casam trazem as obrigações dos ” in laws”: a nova família que chega e seus passivos e obrigações. Em resumo, Companhia Aérea quanto mais velha, mais problemática, e mais exigente, e porque não dizer perigosa, se mal gerida.

2- A falta de racionalidade.

O Governo Lula pode estar cometendo um erro, pela miopia e o medo que transformou a Nova Esquerda uma horrível referência conservadora pelo imobilismo causado pelo medo. Castañeda tem um lúcido artigo na Foreign Affairs de maio de 2006 quando classifica as esquerdas em radical e conservadora, elegendo o Presidente Lula como a Nova Esquerda Conservadora.

3- O apoio ao juiz Ayoub.

O Brasil é um país de boas surpresas. Frente ao imobilismo do Governo, apenas o Ministro Waldir Pires aponta uma motivação do Governo. É no Juiz Ayoub que encontramos uma semente para construção do consenso, a Sociedade Civil precisa apoiar o Juiz Ayoub.

4- Criação de solução de consenso.

Se você me perguntar o que fazer, eu seria simplista no conceito e complexo na operação. O conceito é salvar a VARIG pelo estoque de conhecimento e contribuição ao Brasil na Economia Global, e equilibrar os empregos com racionalidade. Os países escandinavos, Suécia e Dinamarca são as boas referências simples, sugiro a pesquisa.

Complexo na operação seria a Criação de Uma “Força Tarefa” para execução de Um Plano Eficaz de Recuperação que reflita o Caráter Multidisciplinar de construir o Consenso: Funcionários, Credores, Juiz Ayoub e Govêrno Federal.

O Presidente Lula precisa descer do MURO e pensar como Estadista. Não adianta fatiar a VARIG entre TAM e GOL. Hoje elas são estrelas, mas com o tempo serão problemáticas como nossos filhos. O modelo atual tradicional precisa ser revisto, e chegou a hora de inovar.

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