Perspectivas para a agropecuária, por Rui Daher

Perspectivas para a agropecuária na safra 2012/2013

Por Rui Daher, no TERRA MAGAZINE

Voltemos aos trilhos e trilhas agropecuários de 2013, embora, sabem todos, assim não corre o calendário das lavouras e criações em nosso clima subtropical, aliás, em certas regiões quase nada sub.

Produziremos de tudo muito e um pouco. Mais do que nossos recursos naturais, clima e espaço territorial, nisto mandam o mercado, aí entendidos consumo e preços.

Para a próxima safra, o bom e velho mercado de produtos, que este é mercado, o resto é escrituração, será bastante favorável. Até mesmo o clima promete poucas surpresas desagradáveis.

No plano interno, a garantia vem do crescimento do PIB, reflexos positivos nos empregos, renda e consumo e uma boa pitada de política. Afinal, a economia em 2013 ajudará muito a campanha eleitoral de 2014.

No plano externo, ajudam demanda voltando a crescer, preços estáveis em patamares altos e câmbio pouco mais ajustado.

Assim, ano a ano, o campo vai variando suas escolhas, movendo vocações regionais, tomando um gol contra aqui, dando uma goleada acolá.

Grãos, cana-de-açúcar, café e, infelizmente se esvaindo, laranja, juntos, ocupam 93% da área plantada com lavouras.
Segundo a CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento, o Brasil terá plantado 52 milhões de hectares (+2%) para colher, em 2013, 180 milhões de toneladas de grãos (+8%). Um recorde.

Entram aí, desde os expressivos, na ordem, soja, milho (duas safras), arroz, trigo, algodão e feijão (três safras), que representam 99% da produção, até sorgo, aveia, cevada, amendoim, triticale, girassol, mamona, canola e centeio, também na ordem.

Viram? Fazemos quase tudo. Inclusive, talvez, o que não se deveria, caso houvesse planejamento agrícola.

Deles, apenas o algodão passará por horrores, com os preços em dramática queda. Tanto que seu plantio já caiu quase 30%.

Os demais grãos, sobretudo soja e milho, voltados também para o mercado externo, com o aperto dos estoques mundiais, manterão bons preços, ainda que abaixo do pico.

Para a cana-de-açúcar, na safra 2012/13, entregamos 8,5 milhões de hectares de terra (+2%) para produzir 600 milhões de toneladas do produto (+6%).

Um clima melhor do que nas duas safras anteriores fez aumentar a produtividade média para 70 t/ha. Ainda é muito baixa. Há regiões com alta aplicação de tecnologia que alcançam 100 t/ha.

A queda nos preços internacionais do açúcar e a política interna de preços dos combustíveis estão nas justificativas do setor para diminuir seus investimentos em tecnologia e aumento na capacidade de moagem.

O café teve no ano passado a maior colheita de sua história (51 milhões de sacas). Neste ano, de baixo ciclo, deverá ter queda de 10%.

Há controvérsias. As floradas foram atraentes e os chumbinhos pegaram bem. Nesta época do ano, contudo, as corretoras mundiais brincam de esconde-esconde para atiçar o sentido das cotações. Ruim não será.

Situação péssima mesmo é a da citricultura, que não bastassem guerras internas envolvendo indústria, produtores e dezenas de associações especializadas em promover uma paz nunca alcançada, afetada por fantástica queda no consumo de suco de laranja, altos estoques e baixas cotações.

O complexo das carnes lida com demanda ainda acesa e oferta equilibrada. Mesmo com o boi brasileiro em suspeita e os frangos e suínos sofrendo altos custos de produção, ninguém deixará de ganhar dinheiro e crescer na atividade.

Mas e aí? Nenhum vilão para trazer alguma emoção a este roteiro?

Claro que sim. Sem eles o que fariam os super-heróis?

Existe uma concentração brutal no setor de insumos para a agropecuária. É um fato mundial que inclui e, pior, realça o Brasil. Preços são administrados para maximizar os lucros da indústria e diminuir os da produção de alimentos, fibras e energia.

No próximo capítulo.

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