Escolas ocupadas mostram que outra educação é possível e necessária

Secundaristas de sete estados do país ocuparam mais de 500 escolas e criaram formas de organização que apontam novos caminhos 

Por Caio Zinet, do Centro de Referências em Educação Integral

Os alunos das escolas estaduais Fernão Dias e da Escola Estadual Diadema provavelmente não sabiam, mas começaram a fazer História na madrugada de 10 de novembro de 2015. Nesse dia, os adolescentes das escolas localizadas na capital paulista e em Diadema, respectivamente, ocuparam seus espaços de estudos contra a proposta de reorganização escolar na rede estadual de São Paulo. Um mês e mais de 200 colégios ocupados depois, o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) se viu obrigado a recuar e os estudantes saíram vitoriosos.

Crédito: Roberto Parizotti/ Secom Cut

Crédito: Roberto Parizotti/ Secom Cut

A luta dos secundaristas paulistas inspirou milhares de jovens em todo o país, que perceberam seu papel de protagonistas nos processos de luta pela melhoria da qualidade da educação pública. Ao menos 500 escolas foram ocupadas em sete estados somente nos últimos oitos meses com as mais diversas reivindicações. Além de São Paulo, houve ocupações no Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná.

Os jovens ativistas estão fazendo História não só pelas conquistas políticas e pelo engajamento, mas principalmente porque forçaram uma reconfiguração do espaço escolar. Mostram que, ao contrário do que considera o senso comum, eles têm interesse em aprender, mas em um colégio no qual seus desejos e autonomia sejam respeitados dentro de um processo de ensino-aprendizagem que ultrapasse as paredes da sala de aula e os muros da escola, e que também leve em consideração saberes não tradicionais.

O aprendizado não se limita ao acesso aos conteúdos, mas inclui desde o cuidado com a grama e o espaço físico, até organização de palestras e oficinas sobre temas que os interessam, passando por organizar a alimentação e protagonizar atividades culturais. Assim, os estudantes vão colocando em xeque o modelo escolar tradicional e as relações que ali se estabelecem, colocando, na prática, uma escola que se paute pelo desenvolvimento integral dos sujeitos.

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Centro de Referências em Educação Integral acompanhou de perto as duas ondas de ocupações em São Paulo, em 2015 e 2016, e também pesquisou o trabalho realizado pelos estudantes em outros estados, elencando diversas razões que mostram que esses jovens quando tomam o protagonismo para si fazem uma escola diferente promovendo uma educação integral nas ocupações. Veja alguns exemplos:

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