Wilson Ferreira
Wilson Roberto Vieira Ferreira - Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. Pesquisador e escritor, autor de verbetes no "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, e dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus.
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Estranhas coincidências na onda de tragédias em Washington

Um atirador mata 12 pessoas em uma Base Naval em Washington DC. Poucos tempo depois na mesma cidade um carro força a barreira de segurança da Casa Branca e o Serviço Secreto mata sua motorista. No dia seguinte, um homem ateia fogo a seu próprio corpo em uma esplanada próxima ao Capitólio. E para completar, um incidente que quase passou despercebido pelas agências de notícias: com duas horas de diferença, em Houston, Texas, um homem tentou fazer a mesma coisa, mas foi contido por populares que lhe arrancaram o isqueiro depois dele se encharcar com gasolina. Segundo Loren Coleman, pesquisador sincromístico e psicólogo social especialista nos fenômenos de suicídios e assassinatos seriais, há estranhas coincidências significativas que conectariam esses eventos a um inconsciente coletivo repercutido pela própria cobertura midiática.

Após o incidente com o atirador na Base Naval que matou 12 pessoas, Aaron Alexis, a mídia teve a atenção capturada para outro incidente bizarro em Washington DC em frente à Casa Branca: uma mulher tentou ultrapassar com o seu carro uma barreira de segurança e por causa disso começou uma perseguição por parte do Serviço Secreto (órgão encarregado pela segurança do presidente) em que ocorreram vários disparos. O veículo preto se chocou contra a área de controle de acesso ao Capitólio e foi rodeado por vários policiais armados que retiraram uma criança de um ano e a motorista morta.

Loren Coleman, um pesquisador em fenômenos sincromísticos, consultor do Maine Youth Suicide Program e um especialista nos estudos sobre as conexões entre a mídia e suicídios-atentados, observou uma série de aparentes coincidências entre os casos:

Miriam Carey

(a) o atirador Aaron Alexis foi preso em 2004 em Seattle por ter dado tiros no pneu de um veículo em um “acesso de fúria”. Miriam Carey recentemente tinha cortado os pneus do seu veículo em um incidente em Connecticut;

(b) qual o significado do nome “Miriam Carey”. “Miriam” é o derivado hebraico de “Maria”. Ele é usado no Antigo Testamento como o nome da irmã mais velha de Moisés e Aarão – Aaron era o nome do atirador da Base Naval. É um nome muito popular entre os judeus e passou a ser usado como um nome cristão desde a Reforma Protestante.

(c) “Carey” é um sobrenome irlandês que foi derivado de “ciardha”, derivado do irlandês “Ciar” que significa “preto”.

(d) Uma mulher negra em um carro preto com um nome “negro” atacando a Casa Branca onde está o primeiro presidente negro.

Depois de anos trabalhando com casos de atiradores envolvidos em  assassinatos em massa aparentemente aleatórios em escolas, shoppings e em outros episódios cujos autores são sempre homens caucasianos, Coleman afirma que agora entramos em um período de uma intensa atenção midiática com o envolvimento de afro-americanos como nos casos de Lakim Faust (21/06/2013), de Cristopher Richardson Jr. (30/08/2013) e Aaron Alexis (16/09/2013).

E ainda podemos acrescentar o recente episódio ocorrido no dia 04 desse mês onde um homem negro colocou fogo em si mesmo diante de perplexos turistas em um parque do National Mall, novamente perto da Casa Branca. Isso tudo acontece em uma pesada atmosfera política dominante em Washington com a paralisação do serviço público federal graças ao impasse entre Democratas e Republicanos sobre o orçamento para os próximos 12 meses, com consequências imprevisíveis na conjuntura econômica mundial.

Coleman acredita que em tudo isso há mais do que coincidências, mas sincronicidades: como se as ações humanas fossem parte de uma dinâmica de conexões entre um inconsciente coletivo, egrégoras e formas-pensamento aglutinadas em clichês políticos, midiáticos e tradições etimológicas presentes em palavras e nomes próprios.

A hipótese sincromística

Sincromisticismo vem do latim sunkronos e do grego syn + Khronos (tempo) e do latim mysticus (mistérios) e do grego mysticos (aquele que é iniciado). O termo foi usado pela primeira vez por Jake Kotze em 2006 em seu blog “The Brave New World Order”. Kotze definiu o conceito como “a arte de encontrar coincidências significativas em fatos aparentemente banais com significados místicos ou esotéricos”.

Para Kotze a hipótese sincromística explora a possibilidade de conseguirmos rastrear as conexões na cultura moderna (filmes, letras de música, acontecimentos históricos e conhecimento esotérico), e encontrar vínculos com o “inconsciente coletivo” no sentido dado pelo psicanalista Carl G. Jung, fazendo aproximações entre o conhecimento oculto (ou seja, fraternidades esotéricas, cultos e rituais secretos), a política e os meios de comunicação de massa.

Loren Coleman, que se autodefine como um “sincronizador”, vem utilizando em seu blog Twilight Language uma interessante metodologia que utiliza as seguintes ferramentas: a Onomatologia (estudo dos nomes próprios e as suas origens), a Antroponomia (o estudo dos antropônimos, isto é, os nomes dos seres humanos), a Toponímia (o estudo das origens dos nomes de lugares) e a Etimologia (o estudo da origem dos significados das palavras e como eles mudam ao longo do tempo).

Partindo de um princípio esotérico de que “os pensamentos são coisas”, isto é, se cristalizam em primeiro lugar através da linguagem visível e audível e em seguida para dimensões mentais e astrais (egrégoras, formas-pensamento), Coleman atribui um papel fundamental dos meios de comunicação como caixa de ressonância.

Por exemplo, em seu livro “O Efeito Copycat” Coleman presta uma particular atenção de como a mídia utiliza-se de memes ou arquétipos que povoam essa espécie de contínuo midiático atmosférico e que acaba atraindo todo um subconjunto de pessoas vulneráveis, homicidas e suicidas em um nível inconsciente. Esses doentes psíquicos estariam entre o mundo racional da causa e efeito e o mundo crepuscular dos sinais e dos símbolos. A diferença é que seriam atormentados por essa realidade sincromística que, então, poderia infectar a população em geral.

Um roteiro sincromístico em Washington?

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Wilson Ferreira

Wilson Roberto Vieira Ferreira - Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. Pesquisador e escritor, autor de verbetes no "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, e dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus.

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