Imagem do Brasil no exterior será prejudicada com Bolsonaro, diz FHC

‘[Ele] levará o Brasil para uma posição como se fosse os Estados Unidos, mas sem ser os Estados Unidos’
 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Em declarações feitas à Folha de S.Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ponderou que o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) trará prejuízos ao Brasil no exterior.
 
O militar da reserva fez manifestações recentes dizendo que a “China quer comprar o Brasil”, o interesse de deixar o Mercosul e ainda, de fechar a embaixada do Brasil em Cuba. 
 
“Será um impacto, no meu modo de ver, negativo. Ele disse que o Mercosul não é prioridade, o que abala a relação do Brasil com parceiros do Sul. Foi dito que, eventualmente, o Brasil poderia cortar relações com certos países”, destacou FHC completando que, caso cumpra o que tem dito, Bolsonaro levará “o Brasil para uma posição como se fosse os Estados Unidos, mas sem ser os Estados Unidos”.
 
“Nós não temos esta possibilidade. A China é nosso maior parceiro comercial e, se o Brasil tomar certas medidas, eles vão reagir”, pontuou. 
 
Em entrevista à Agência Brasil, o ex-embaixador Rubens Ricupero analisou com preocupação o fechamento da embaixada brasileira em Cuba.
 
 “É uma volta ao espírito da Guerra Fria que acabou há mais de 30 anos. A Guerra Fria terminou com a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo. Naquela época é que havia esse tipo de atitude. A política externa brasileira sempre teve como princípio a universalidade nas relações. Nós procuramos ter relações com todos os países, qualquer que seja a orientação de cada um. É um imperativo da convivência entre as nações”
 
O diplomata completou que o Brasil tem interesses comerciais com o país caribenho. Cuba tem uma dívida para com o Brasil, então a gente precisa colocar as relações do Brasil com Cuba e com todos os outros países dentro de um interesse maior do Brasil. Pegando o caso de Cuba, nós temos interesse em receber o dinheiro que o Brasil emprestou”, explicou.
 
Sérgio Amaral, embaixador brasileiro em Washington é outro diplomata preocupado com as declarações de Bolsonaro, especialmente, sobre a China. 
 
“A China tem muitos investimentos no Brasil e tornou-se o parceiro comercial mais importante. Mas a diferença na relação entre China e Brasil em comparação com a que a China tem com outros países é, que sempre que dizemos algo, eles aceitam. Isso depende de nós e nós temos de decidir que tipo de política queremos ter com a China. Não tem razão para não continuarmos mantendo isso”, afirmou também à Agência Brasil.
 
 

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