10 de agosto de 2026

A invasão dos fundos financeiros através da CazéTV, por Luís Nassif

No private equity tradicional, o fundo compra o controle da empresa. O growth equity fica entre o venture capital e o private equity.
Reprodução

Nos anos 90, fundo HMTF investiu em futebol brasileiro com Traffic, Corinthians, Cruzeiro e canal PSN, mas falhou.
Record tentou direitos de transmissão, mas Globo manteve controle político sobre a CBF e o futebol.
CazéTV, controlada pela LiveMode com investidores XP e General Atlantic, marca fim do controle televisivo tradicional.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O último baluarte da mídia brasileira – o futebol – começou a cair com o CazéTV, que de Cazé tem apenas o nome.

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A primeira investida foi nos anos 90, quando o texano Thomas O. Nick, empresário e investidor em Dallas, decidiu se aventurar pelo Brasil. O fundo Hicks, Muse, Tate & Furst – HMTF, comando por Hicks, entrou agressivamente no mercado brasileiro de futebol e mídia. Comprou participação na empresa de marketing esportivo Traffic, firmou parceria com Corinthians e Cruzeiro, tentou disputar as transmissões do futebol brasileiro e criou a Panamerican Sports Network, a PSN.

A estratégia seria a criação de um canal de futebol por assinatura; a parceria com a Globosat para distribuição e produção do canal; e a utilização dos direitos de transmissão dos clubes do Clube dos 13, como principal ativo do empreendimento.

Acabou falhando porque o Corinthians demorou a aderir ao contrato coletivo de televisão.

Na época, o texano percebeu o mercado que se abria com a TV por assinatura.

Depois disso, houve algumas tentativas da TV Record de adquirir direitos de transmissão, mas que sempre esbarravam no controle político da Globo sobre a CBF.

Agora, chega-se ao desenlace final do controle televisivo brasileiro sobre o futebol com a CazéTV.

O controle do capital é da LiveMode, empresa brasileira de mídia esportiva fundada por Edgar Diniz e Sérgio Lopes (criadores do Esporte Interativo em 2007). Seus investidores são o XP Private Equity II FIP (brasileiro, estruturado pela XP) e a General Atlantic (fundo americano de atuação global).

A General Atlantic (GA) é uma das maiores gestoras globais de private equity e growth equity, administrando cerca de US$ 100 bilhões em ativos e sendo investidora de empresas como Airbnb, ByteDance (TikTok), Uber, Alibaba, XP, QuintoAndar e outras. 

No private equity tradicional, o fundo normalmente compra o controle da empresa. O growth equity fica entre o venture capital e o private equity.

Ela não é alvo de acusações sistêmicas de fraude ou corrupção comparáveis às que atingiram algumas outras gestoras. Entretanto, há controvérsias e críticas recorrentes em torno de alguns investimentos e práticas. Como o fato de adquirir empresas concorrentes que atuam no mesmo setor.

No Brasil, a General Atlantic construiu posições importantes em empresas como a XP, Arco Educação, QuintoAndar, Neon, Locaweb, Acesso Digital e Softplan.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. de O. Ribeiro

    20 de julho de 2026 4:41 pm

    Seria interessante daqui 2 ou 3 meses alguém tentar medir o tamanho do estrago que a propaganda de Bets na Copa do Mundo causou aos viciados em jogos e seus familiares.

  2. Luiz Fernando Juncal Gomes

    20 de julho de 2026 5:36 pm

    Agora está tudo explicado
    *
    Há muito tempo que a Quinto Andar deixou de ser apenas uma imobiliária. A atividade fim passou a ser financeira.
    Enchem a sua caixa de email com ofertas para antecipar o recebimento do aluguel até 12 meses.
    Claro que com um custo financeiro escorchante.
    Consegui me livrar desse “banco” exatamente neste mês de julho.

  3. J. Alberto

    21 de julho de 2026 9:09 am

    Convém lembrar mais algumas coisas também:
    – A Cazé TV possui vínculo antigo com os fundadores do Esporte Interativo criado na década de 2000, onde o próprio Casemiro Miguel trabalhou;
    – A primeira alavancagem estrangeira do EI veio da Turner, atualmente Paramount-Warner, que a permitiu disputar o Brasileirão com a Globo na década passada;
    – A Cazé TV atual pertence a uma holding caribenha. O EI se desnacionalizou no passado em movimento semelhante;
    – Por último, mas não menos importante: depois que o EI virou filial da TNT Sports americana, a LiveMode surgiu como se fosse na prática uma sucessora “espiritual” da Traffic do J. Hawilla. Não tem o vínculo com a globo que esta teve, mas “isso meio que comprova-se” através do fato de que um boato de anos atrás de que a Cazé TV era propriedade da globo caiu no imaginário do povão de forma bem engraçada rsrs

  4. NiltonDF

    22 de julho de 2026 4:12 am

    Futebol é dinheiro, é marketing, é Merchandising, é empreendimento, não é jogo justo, é o q sempre foi o boxe e corrida de cavalo,por trás tem investidores milionários ou até bilionários.

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