Há sessenta anos, presidente Carlos Luz era deposto, por André Araújo

Por André Araújo

HA SESSENTA ANOS, UM PRESIDENTE ERA DEPOSTO – No dia 11 de novembro de 1955, o Presidente Carlos Luz, 2º na linha de sucessão como presidente da Câmara, agora empossado na Presidência da República pela doença do Vice Presidente Café Filho, era deposto por um contra golpe preventivo do Ministro da Guerra, General Henrique Lott, considerando que Luz estava na conspiração visando impedir a posse de Juscelino Kubischek, presidente eleito um mês antes pelos partidos legados por Getúlio Vargas, PSD e PTB em aliança com o Partido Comunista Brasileiro.

O grupo anti-Juscelino era grande e poderoso. Havia elementos na Aeronáutica, parte menor mas vociferante do Exército, a UDN e seus satélites e anexos, a grande imprensa e o que se poderia rotular de “forças conservadoras”. JK era tido e havido como expressão do grupo getulista, visto sua base partidária e o Vice Jango muito mais.

 
Carlos Luz calculou mal seu próprio poder naqueles dias conturbados. Para facilitar o golpe contra a posse de JK mandou chamar o Ministro da Guerra, considerado adepto da legalidade constitucional e portanto pró-Juscelino e avisou que estava demitido, devendo entregar o cargo ao novo indicado, General (reformado) Alvaro Fiúza de Castro. Marcou a transmissão de cargo para o dia seguinte mas antes quis humilhar Lott e o deixou esperando na ante sala do Catete por duas horas.
 
Cada vez que a porta do gabinete presidencial abria Lott ouvia muitas risadas e barulho de copos de whisky circulando.
 
À noite o Marechal Odilo Denys, liderança respeitada no Exército, às duas da madrugada bateu na porta de Lott, eram vizinhos, e convenceu-o a depor o Presidente Carlos Luz porque ele e seu grupo pretendiam impedir por alguma manobra legalista a posse do Presidente eleito JK. Carlos Lacerda bradava na imprensa que Juscelino era legado de Getúlio e não poderia governar e a grande imprensa ecoava Lacerda, agitando e tumultuando o ambiente político.
 
Nas primeiras horas do dia 11 de novembro Lott cerca o Palácio do Catete e Carlos Luz foge para o cruzador TAMANDARÉ, sendo a Marinha força ao lado dos conspiradores anti-Juscelino, Lott chama o Presidente do Senado, Nereu Ramos, 3º na linha de sucessão e lhe dá posse imediatamente. Luz e seu grupo, com Lacerda e lideranças da UDN todos embarcam no TAMANDARÉ rumo a Santos, esperando apoio do Governador Jânio Quadros, que sequer os atende.
 
O contra golpe de Lott triunfa e Nereu Ramos entrega a 15 de janeiro de 1956 a Presidência a Juscelino.
 
Lott teve menos trabalho para depor o Presidente do que um soldado teria para trocar o pneu de um caminhão do Exército.
 
Foi cunhada uma frase dita por Lott considerando o contragolpe “um retorno aos quadros constitucionais vigentes”, na realidade a frase era de seu amigo Otto Lara Rezende. Como consequência, Juscelino teve Lott como Ministro da Guerra do primeiro ao último dia de seu governo, garantindo-lhe absoluta tranquilidade na área do Ééercito (mas não da Aeronáutica).
 
O 11 de Novembro ficará na História como um dia especial na agitada História da República.
 

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