Inteligência versus Estupidez, por Sebastião Nunes

Ao contrário, e embora seja difícil medir estupidez, acredita-se que seja mais do que simplesmente ignorância, aquilo que, exemplificando, fez com que a antiministra Maldares confundisse Cristo com goiaba

Inteligência versus Estupidez

Por Sebastião Nunes

As inteligências são várias.

Claro que estou me referindo à inteligência humana e não à de ratos, amebas, cães, baratas ou golfinhos, sendo cada animal inteligente à sua maneira.

Pesquisadores sérios, aqueles que veem inteligência como processo adaptativo de seres vivos ao ambiente, consideram que uma barata, por exemplo, é mais inteligente do que a soma da inteligência do antipresidente Jair Messias e dos seus ministros.

A estupidez, contudo, é, genericamente falando, uma só.

Embora sejam considerados estúpidos, os quadrúpedes orelhudos tipo burros, asnos, mulas e jegues conseguem diferenciar o que é comestível do que não é, além de empacar quando lhes dá na telha, de modo que não podem ser considerados totalmente estúpidos. Têm o que se pode chamar de inteligência funcional mínima.

Para medir inteligência e estupidez o conceito de QI não é mais suficiente. Há muito passamos a utilizar o conceito de inteligências múltiplas para descrever a grande variedade de habilidades cognitivas humanas.

Ao contrário, e embora seja difícil medir estupidez, acredita-se que seja mais do que simplesmente ignorância, aquilo que, exemplificando, fez com que a antiministra Maldares confundisse Cristo com goiaba.

Ignorância é um fenômeno sociocultural, existente em larga escala nos países subdesenvolvidos. Sua incidência varia de 60 a 90% e atinge sobretudo as parcelas mais desfavorecidas da população.

A quem interessa a ignorância? Ora, meu irmão, não sejas parvo como aquele antiministro que tem nome de pedra. Interessa aos donos do poder, às elites dirigentes, à mídia autoritária, aos caga-regras do judiciário, enfim, interessa aos que desmandam e continuarão a desmandar, sempre e eternamente.

Os ignorantes que se fodam, dizem eles lá entre si.

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Por outro lado, a estupidez costuma ser definida como falta de inteligência, uso inadequado do juízo e, como a cereja do bolo, insensibilidade a nuances. Exemplo? Ora, meu filho, basta olhar para cima, não para o céu, onde nada verás, mas para a ilustração que suprematiza este texto, que lá estará ele, escarrado e orelhudo exemplo.

Portanto – e pelo amor de Deus! – não bote jamais ignorância e estupidez no mesmo saco.

Estupidez é uma cratera aberta no cérebro, um vazio de conhecimento, um oco, um abominável desperdício de neurônios e sinapses, a incapacidade total de admitir conflito entre conceitos e abarcar dúvidas entre meias-verdades.

O diabo é medir o tamanho desse desperdício, ou seja, da estupidez.

En passant, fique claro que ninguém reconhece a própria estupidez.

Não foi à toa que Einstein disse certa vez que “só duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez do ser humano”. E acrescentou, para o bom entendimento dos mais lerdos: “Mas não estou seguro sobre a infinitude da primeira”.

Se você acha que estou pensando em Jair Messias Bolsonaro, acertou.

Mas antes de chegar a ele preciso repassar os diversos tipos de inteligência.

 

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

A primeira é a lógico-matemática. Os maiores exemplos são Newton, Galileu e o próprio Einstein. É a que mais frequentemente se mede nos testes de QI.

A segunda é a inteligência linguística, da qual podemos citar como exemplos Noam Chomsky e Guimarães Rosa.

A terceira é a musical, óbvia em indivíduos como Mozart e Villa-Lobos.

A quarta é a espacial, evidente em Oscar Niemeyer e Cristóvão Colombo.

A quinta é a corporal-cinestésica, com a qual nos divertimos ao ver as exibições de craques como Ronaldinho Gaúcho e Messi.

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A sexta é a interpessoal ou emocional, comum em líderes políticos, tipo Lula e Mandela.

A sétima é a intrapessoal, de que são exemplo Albert Camus e Dostoiévski, capazes de compreenderem a si mesmos e aos outros.

A oitava é a naturalista, que permite entender e organizar dados naturais, como foi o caso de Darwin e Rondon.

A nona é a existencial, presente em filósofos como Sartre e Kierkegaard.

 

A ESTUPIDEZ DE JAIR MESSIAS

Apesar dos poucos meses em que depôs a bunda na cadeira presidencial, sendo na verdade um antipresidente, Bolsonaro já pode ter o grau de estupidez aferido pelos testes de QI, apesar de todas as limitações destes e por causa das infinitas deficiências intelectuais daquele. Mesmo porque seria risível medir sua estupidez por qualquer dos métodos que medem tipos mais, digamos assim, sofisticados de inteligência.

Devo, contudo, e antes de finalizar, admitir que “a estupidez é o fundamento de nossa civilização”, conforme sugeriu o sábio Matthijs van Boxsel em sua notável “De Encyclopedie van de Domheid” (A Enciclopédia da Estupidez) e concluir que a eleição de 2018 foi uma farsa grotesca, resultante da combinação dos vários crimes cometidos pela #VazaJato, com exaustiva cobertura da Rede Globo, a conivência do STF e apoio de considerável parcela da população, não necessariamente estúpida, mas ignorante.

Diante disso, e utilizando o padrão mais comum nos testes de QI para as diversas intervenções de Jair Messias através do Twitter e ao vivo, acredito que seu Quociente de Inteligência esteja firmemente estacionado abaixo de 50 no referido teste. Resta definir se ele alcança 40 pontos ou estará melhor classificado, situando-se entre 35 e 30.