Em 2015, Netanyahu disse que um palestino, e não Hitler, planejou o Holocausto

Cintia Alves
Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.
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"Hitler não queria exterminar os judeus, queria expulsar os judeus", disse Netanyahu em congresso sionista mundial

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sofreu uma onda de críticas em 2015 após ter feito uma declaração que foi interpretada como revisionismo histórico e uma “passada de pano” para Adolf Hitler.

Netanyahu – que hoje nega que sua guerra em Gaza seja comparável ao Holocausto – disse que Hitler “só queria expulsar os judeus da Alemanha”, e não massacrar o povo judeu. Na versão deturpada de Netanyahu, foi um líder muçulmano e ex-presidente do povo palestino em Gaza quem deu a ideia de “queimar” os judeus.

“Hitler não queria exterminar os judeus, queria expulsar os judeus. Então Haj Amin al-Husseini foi encontrar Hitler e disse: ‘Se expulsá-los, todos virão para cá’. ‘Então, o que devo fazer com eles?’, perguntou (Hitler). Ele respondeu: ‘Queime-os'”, declarou Netanyahu.

Haj Amin al-Husseini e Adolf Hitler em 1941. Foto: Reprodução

A declaração de Netanyahu ocorreu durante o 37º Congresso Sionista Mundial, em Jerusalém. Segundo ele, Hitler foi orientado a proceder ao Holocausto pelo palestino Haj Amin al-Husseini, um líder e intelectual de Jerusalém.

A polêmica declaração de Netanyahu foi rebatida até mesmo pela então chanceler alemã, Angela Merkel, que afirmou que a responsabilidade pelo Holocausto é da Alemanha, e não de um “palestino”. Segundo Merkel, os alemães têm “muito claro em nossas mentes” que os nazistas foram responsáveis. As informações são da BBC.

Em outubro passado, o GGN mostrou aqui que o plano de Israel para a guerra em Gaza é varrer todo o povo palestino do enclave, empurrando-o em direção ao Egito, na região do Sinai. Um documento da inteligência israelense contém os detalhes e diz que essa migração forçada seria a solução “permanente” para a crise entre Israel e os palestinos.

Lula enfrenta Netanyahu

A declaração de Netanyahu é resgatada em meio à “crise diplomática” instaurada a partir de um pronunciamento do presidente Lula em passagem pela Etiópia no último final de semana. Lula disse que Netanyahu faz com os palestinos em Gaza o que Hitler fez com os judeus. >>> Veja em detalhes a declaração de Lula.

Apesar de não citar a palavra Holocausto ao traçar um paralelo, a declaração de Lula gerou reações de Israel, que declarou o presidente como “persona non grata” até que ele faça uma retratação. O corpo diplomático brasileiro já informou que não irá pedir desculpas e chamou de volta o embaixador em Israel.

Ainda que com a ampla repercussão nacional negativa, pelo mundo as declarações do presidente brasileiro foram vistas de forma otimista por países que defendem a rápida resolução do conflito que já deixou quase 30 mil palestinos mortos.

Em entrevista ao GGN, o professor direito internacional Dawisson Lopes analisou que ao comparar Netanyahu a Hitler, Lula conseguiu chamar atenção internacional para a guerra em curso. Leia mais aqui.

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Cintia Alves

Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.

6 Comentários

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  1. O aspecto mais nauseante dessa crise fica por conta da imprensa nazisionista que ataca ferozmente Lula como se ele tivesse causado a morte de 8 mil crianças em Israel, quando na verdade ele quer apenas impedir Netanyahu de adicionar mais 10 mil infanticídios aos 8 mil que ele já cometeu. O grau de desumanização das vítimas inocentes palestinas é extremamente eloquente. Elas não eram humanas, não tinham direito à vida e podia ser exterminadas com mísseis e bombas de 1 tonelada? Ao esquece-las para poder atacar Lula (ou comemorar em segredo as mortes deles enquanto legitimam crimes de guerra) os jornóialistas nazisionistas se equiparam aos jornalistas do Partido Nazista alemão dos anos 1930. Assim como eles não se importaram com a solução final nos anos 1940, os jornóialistas nazisionistas acreditam que exterminar crianças palestinas não é crime afinal.

  2. Errado, Hitler queria:

    – Criar unidade nacional contra um inimigo comum, um bode expiatório;

    – Expropriar os bens dos judeus para fins de financiamento do esforço de guerra;

    – Dispor de mão-de-obra abundante para trabalhos forçados;

    – Livrar-se de bocas a alimentar em um período de esperada escassez, sobretudo daqueles inaptos ao trabalho.

    O resto é delírio sionista sem qualquer comprovação histórica, boa apenas para encontrar eco na turma da crendice, adestrada desde sempre a “acreditar”, em vez de buscar saber.

  3. Essa declaração do nazista premiê de Israel só confirma o que eu sempre achei Hitler foi um amor não correspondido para os sionistas já que sua pregação de superioridade de raça fascina essa seita judaica que por se considerar o povo escolhido por Jeová é superior as demais. Também se explica o ódio que os sionistas têm do comunismo cuja a doutrina iguala a todos. Não resta dúvida que os sionistas sempre se posicionaram com a extrema direita e o atual premiê israelense é o seu maior porta-voz a ponto de querer inocentar Hitler e jogar a culpa do holocausto nos palestinos para justificar sua sanha assassina contra esse povo.

  4. E esse Rato Netanyahu não quer matar os Palestinos, quer expulsá-los. Não conseguindo fazê-lo, mata-os indiscriminadamente e destrói sua infra-estrutura.

  5. Não quero ferir a sensibilidade de ninguém, mas não concordo com a palavra HOLOCAUSTO, para definir o genocídio dos judeus pelos nazistas. na narrativa bíblica, holocausto referte-se a sacrifício de animais para pagar os pecados cometidos pelos crentes judeus/israelitas. A não ser que imaginemos que o Grão Sacerdote de um Deus supremacista branco alemão, tenha pactuado com tal Deus, que a vitória do exercito nazista estava condicionada ao extermínio dos judeus. Como Lula não usou no seu discurso a palavra holocausto, mas se referiu ao início da matança de judeus por Hitler, não há nenhuma impropriedade na sua fala. Que me perdoem os fariseu hipócritas.

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