“Porta-voz ocidental” de Netanyahu, secretário dos EUA encontra-se com Lula

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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Entenda o impacto da vinda do secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, para conversar com Lula, após críticas a Israel

Netanyahu discutiu o fim da guerra diretamente com secretário de Estado dos EUA, Antony J. Blinken, em Jerusalém, no início de fevereiro – Foto: : David Azagury/Embaixada dos EUA em Jerusalém

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, chega ao Brasil para conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Oficialmente, trata-se de uma reunião para discussões bilaterais. A vinda, contudo, ocorre após à manifestação de rechaço do líder brasileiro aos ataques de Israel, e Lula ter sido classificado como persona non grata.

Entenda quem é Blinken e sua influência no conflito de Israel

Antony J. Blinken tem sido a principal voz de negociação ocidental e de comprovada influência sobre as decisões de Benjamin Netanyahu.

Prévio aos principais acordos e também durante as análises das propostas de cessar-fogo, o primeiro-ministro de Israel conversou diretamente com o secretário de Estado dos EUA, antes que anunciasse a sua posição.

Muito comum devido às informações sigilosas que envolvem táticas do conflito armado, em meio à insegurança sobre que medidas Israel adotaria, era Blinken quem falava à imprensa ocidental e trazia as principais informações do que foi acordado. Ele chegou a ser considerado “porta-voz oficial” de Netanyahu.

Também de origem judaica, com o padrasto sobrevivente ao holocausto, publicamente, o representante norte-americano parte de sua origem para garantir o bom trânsito junto às autoridades israelenses.

A suposta guinada dos EUA contra violência de Israel

Nos últimos meses, contudo, com as eleições norte-americanas às vistas e a grande pressão sobre o presidente Joe Biden por avalizar a violência do Estado de Israel no conflito, o secretário de Estado foi o responsável por incitar governos contrários às medidas de Israel, como a China, para barrar o avanço dos ataques do país nas fronteiras.

Ainda em novembro, os EUA já previam o avanço dos ataques às fronteiras e o chefe da diplomacia do país chegou a defender, publicamente, a Palestina unificada com Gaza e a Cisjordânia.

À época, ele dizia que o governo de Israel não queria reocupar a Faixa de Gaza, mas que tampouco poderia ficar sob o controle do grupo armado Hamas. As intenções de Israel, dizia, seriam de, ao fim do conflito, escutar as demandas e pedidos de um governo palestino na região.

No início deste mês, encontrou-se novamente com Netanyahu, com o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, com o ministro de Assuntos Estratégicos de Israel, Ron Dermer, e outros chefes do sistema de defesa, quando o primeiro-ministro recebeu dezenas de propostas do Hamas de cessar-fogo.

Na ocasião, Blinken disse que reiterou às autoridades do país “o apoio ao estabelecimento de um Estado palestino” e “enfatizou a necessidade urgente de diminuir as tensões na Cisjordânia e evitar a expansão do conflito”.

Novamente como porta-voz do conflito ao Ocidente, o secretário narrou que apresentou uma proposta de “paz e segurança duradouras na região” e que as discussões internas de Israel eram “os últimos esforços para garantir a libertação de todos os reféns restantes”.

No mesmo dia, contudo, Netanyahu anunciava a negativa do acordo de cessar-fogo, e que continuaria os ataques até a “missão completa” de acabar com o grupo armado.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

1 Comentário

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  1. Ué, pra quê explicações. Se o Blinken vem pra cá só pra ver Lula, significa dizer que a lapada foi dura. Uma ameacinha aqui, uma sanção ali, outra primavera financiada, uma fake monumental para acabar com Lula. Queremos é novidade! O que sabemos é que mágicos odeiam que se revelem seus truques e os sionistas, afff! se consideram mágicos. Difícil lidar com personalidades patológicas, mas Lula sabe.

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