O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux votou pela manutenção das prisões preventivas de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo envolvendo o Banco Master.
Com o voto de Fux, a Segunda Turma do STF formou placar parcial de 2 a 0 pela continuidade das detenções. O ministro acompanhou o relator do caso, André Mendonça, que havia votado anteriormente pela conversão das prisões temporárias em preventivas, sem prazo definido para encerramento.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Segunda Turma, mas foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que terá até 90 dias para devolver o processo ao colegiado. Mesmo assim, outros ministros ainda podem antecipar seus votos. O ministro Dias Toffoli se declarou impedido e não participa da análise.
PF aponta continuidade de atividades ilícitas
Segundo a Polícia Federal, os familiares de Vorcaro teriam mantido atividades suspeitas mesmo após o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
No voto apresentado ao STF, André Mendonça afirmou haver indícios de tentativa de ocultação patrimonial e reorganização de empresas para dificultar o rastreamento de recursos investigados. A PF sustenta que Felipe Vorcaro integrava o chamado “núcleo financeiro-operacional” da organização investigada.
Já Henrique Vorcaro é apontado como alguém que teria mantido contato com operadores do grupo investigado mesmo após fases anteriores da operação. Segundo as investigações, ele teria participado da coordenação de movimentações financeiras suspeitas ligadas ao esquema.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de dispositivos eletrônicos e organização criminosa envolvendo o Banco Master e empresas associadas.
O caso ganhou dimensão nacional após a liquidação extrajudicial do Banco Master e o avanço de investigações sobre movimentações financeiras consideradas atípicas. As apurações também passaram a atingir empresários, operadores financeiros, agentes políticos e pessoas ligadas ao sistema financeiro.
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