A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (11) o julgamento de um grupo de militares e um policial federal acusados de atuar como o braço operacional na tentativa de golpe de Estado tramada em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Os dez réus formam o chamado “Núcleo 3” da investigação e respondem a crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
A sessão, marcada para as 9h, marca a continuidade dos julgamentos da trama golpista. Até o momento, 15 réus já foram condenados pelo STF, desdobrados dos núcleos 4 e 1.
O Perfil dos Acusados
O grupo que será julgado é majoritariamente composto por oficiais do Exército com formação em forças especiais, os chamados “kids-pretos”. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa esses militares de planejar “ações táticas” para efetivar o golpe.
Entre os denunciados estão: Bernardo Romão Correa Netto (coronel), Estevam Theophilo (general), Fabrício Moreira de Bastos (coronel), Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel), Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel), Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel) e Wladimir Matos Soares (policial federal).
Os crimes imputados à maioria dos réus, além dos mencionados acima, incluem dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Divisão de Tarefas no Plano Golpista
A PGR subdivide o núcleo militar em três grupos distintos, detalhando as ações planejadas para a ruptura democrática:
- Plano contra Ministro: Os tenentes-coronéis Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo são acusados de integrar um grupo clandestino denominado “Copa 2022”. Segundo a denúncia, eles estavam de prontidão, sob codinomes, para executar um plano de assassinato do ministro Alexandre de Moraes em 15 de dezembro de 2022, operação que acabou abortada sem o aval do Comando do Exército. A ação era parte de um esquema maior denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que também prévia a execução do presidente eleito Lula (PT) e seu vice Geraldo Alckmin (PSB)
- Pressão ao Alto Comando: Outro grupo de “kids-pretos” teria se reunido em Brasília, em 28 de novembro de 2022, para traçar estratégias de pressão sobre os chefes das Forças Armadas. O objetivo era forçá-los a apoiar os planos golpistas discutidos pelo então presidente Bolsonaro e aliados. O general da reserva Estevam Theophilo, que à época compunha o Alto Comando do Exército, é acusado de ter dado aval aos planos em reunião a sós com Bolsonaro. O general nega a acusação, alegando que a denúncia se baseia unicamente em uma mensagem enviada pelo tenente-coronel Mauro Cid.
- Desinformação e Incitação: O terceiro grupo é acusado de disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas e insuflar os movimentos antidemocráticos em frente aos quartéis. As conversas com Mauro Cid são citadas como principais provas contra esses denunciados.
Situação do Tenente-Coronel Ronald Ferreira
No caso do tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, a PGR pediu a desclassificação da acusação. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que o militar não participou das reuniões golpistas, tendo se limitado a espalhar desinformação sobre o processo eleitoral.
“Diferentemente dos demais acusados, não foram reunidos elementos adicionais sobre uma vinculação aprofundada do réu com a organização criminosa. As provas indicam que Ronald Ferreira não esteve presente na reunião de 28.11.2022, tampouco acompanhou os passos subsequentes do grupo”, afirmou Gonet.
Com base nisso, a PGR sugere que Ronald Ferreira responda apenas por incitação ao crime, na forma equiparada pela animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais, abrindo-lhe a possibilidade de negociar benefícios penais.
O julgamento desta semana será dedicado à leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes e às sustentações orais. O procurador-geral terá duas horas para apresentar a acusação, e cada defesa terá uma hora. Os votos dos ministros estão previstos para a próxima semana, nos dias 18 e 19 de novembro.
Fábio de Oliveira Ribeiro
11 de novembro de 2025 9:35 amEsses idiotas jogaram as carreiras e as vidas deles no esgoto por causa de um capitão vagabundo ambicioso e covarde. Bolsonaro deveria ser preso junto com eles, porque isso seria bastante educativo para todos os envolvidos. Especialmente para o líder, que ficaria exposto à raiva incontrolável dos subalternos cuja prisão ele provocou.