Assista agora: TV GGN entrevista José Dirceu

Ex-ministro da integração e ex-dirigente do PT, acaba de lançar Memórias e recebe Luis Nassif para falar de política, erros e acertos do PT e o escalada da intolerância 
 
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Jornal GGN – O PT não aprendeu com a história de grandes conquistadores políticos, muito menos com a própria história recente. Mas com a melhora da imagem junto à militância, tem chances de recompor um quadro político mais forte nas eleições de 2020. Isto, se até lá a democracia no Brasil permitir. Essas são algumas das avaliações de um dos principais estrategistas da história do Partido dos Trabalhadores em entrevista ao jornalista Luis Nassif. 
 
José Dirceu acaba de lançar o primeiro volume de suas Memórias, pela editora Geração. Nesta entrevista ele destrincha alguns dos principais fatos da obra, direcionando sua análise para o aumento do poder de instituições não eleitas pelo povo e que passaram a agir politicamente nos últimos anos, minando as forças do Executivo. 
 
Fala sobre os processos que enfrentou, sua vida como consultor de empresas estrangeiras e a necessidade de o Partido dos Trabalhadores retomar seu contato direito e de base com a população, além de defender uma proximidade com Ciro Gomes. 
 
Principais trechos da entrevista, separados por tema:
 
Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal 
 
1m9s – 6m55s
 
Quem acusa não pode investigar. É o mesmo que permitir a ação de investigar quem também faz o julgamento, ou quem julga fazer a denúncia. É uma concentração de poder absurda. Ou nós acreditamos na separação de Poder, que o Poder é do Parlamento e tem as garantias de direitos individuais, ou então até o Estado liberal é uma falácia. 
 
Na prática, Judiciário está substituindo o Parlamento, inclusive, substituindo o voto, porque a lei diz que um candidato pode fazer todos os atos de campanha, enquanto não for impugnada na última instância, quando tiver recurso. Está na lei. E o TSE [Superior Tribunal de Justiça], [31 de agosto] impugnou a candidatura do Lula.
 
Acho que a Polícia Federal permitiu que o Ministério Público fosse investigando, na prática, e hoje tem os PICs [Procedimento de investigação criminal], uma coisa absolutamente ilegal. É a investigação sigilosa, que eles falam que é administrativa, mas não é administrativa. O sigilo bancário pode estar quebrado, o telefônico, o telemático, porque ninguém sabe, é sigiloso!
 
Ministério Público foi se assenhoreando do poder de investigação dado pelo Supremo em 2016, quer dizer, tem duas polícias judiciárias [contando com a Polícia Federal].
 
Eles partem do princípio que ninguém será absolvido, como partem do princípio que você já está condenado quando você está sendo investigado porque, depois, eles procuram uma maneira de provar que você cometeu o crime. 
 
Caso Engevix  
 
6m56s – 8m18s
 
Hoje cedo eu até fiquei sabendo que me aplicaram uma multa de 90 milhões de reais. O que significa? Eu já tenho uma reparação de 10 milhões, na verdade, de 45 milhões. Como é calculado isso? São 3% sobre os 5 contratos da Engevix com a Petrobras. O problema é que eles não têm um indício, provas que eu tenha qualquer relação com esses cinco contratos e com a Petrobras (…)  É só o delator que diz que me emprestou um recursos para fazer duas reformas, e esse recurso era propina, diz ainda que o contrato que eu assinei com ele, que era continuidade de um contrato da Engevix, e eles pediram para que fosse ele o continuador, de 900 mil reais, é propina.
 
Aí, eles somam isso mas não dizem que eu tenho que reparar isso, eles dizem que eu tenho que reparar os 45 milhões. Como tem 30 milhões que o Milton Pascowitch reparou, e 5 que o Fernando de Moura reparou, fica 10 milhões para mim. Mas o Renato Duque, que é réu condenado no processo, devolveu 23 milhões de euros. Ora, mas ele então não vai reparar? Porque assim eu não posso sair do regime fechado, para o semi-aberto, e nem ser indultado. 
 
O sistema de delação e os presos da Lava Jato
 
8m19s – 9m48s
 
Não tem ninguém preso no Brasil pela Lava Jato. Isso é uma farsa. Todo mundo fez delação, e os cinco que estão na Polícia Federal, em Curitiba, são delatores. O Eduardo Cunha se propôs a fazer delação, todo mundo sabe, é público, por duas vezes. Eles não aceitaram.
 
Quem está preso, na verdade, é o Vaccari Neto, o André Vargas, o Jorge Gelada, o João Henrique, o Gim Argello e agora o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine.
 
E, mais, todos que fizeram as delações têm seus patrimônios intocáveis. Por exemplo, um cedeu 500 milhões de reais, só que tem patrimônio de 12 bilhões. E o Supremo iniciou um processo de retificação, de restauração, não das garantias, não é dos direitos individuais, é do que está na própria lei de delação, porque a Polícia Federal, pela lei de organização criminosa, e pela delação, pode fazer delação, mas eles [Ministério Público] negaram, inclusive demandaram que o Supremo proibisse a Polícia Federal de fazer delação. É um Poder fora de controle, acima da lei e da Constituição hoje.
 
Explicação para o Supremo se dobrado ao MPF e, o resultado mais noscivo do golpe: ascensão de Bolsonaro.  
 
10m12s – 14m30s
 
Acho que os ministros, em parte, têm convicção. Em parte, eles estão do lado dos golpistas, estão do lado da direita no Brasil. E, alguns querem, inclusive, dirigi-la, como é o caso do ministro Barroso. Ele se apresenta como líder dessa facção política dentro do judiciário e no país, que quer fazer a roda da história avançar, são iluministas, querem refundar a República.
 
Tem um embaixador extra-oficial da República [Árabe] Saaraui [Democrática], ocidental, que os marroquinos ocupam ilegalmente, foi protetorado da Espanha antes (…) Ele chegou a assistir uma sessão do Supremo e pensou que era o Senado. “Acho que tinha tão poucos senadores”, ele falou. “Isso não pode ser o Supremo Tribunal Federal, eles estão discutindo política o tempo todo, eles estão debatendo… eles são um poder, estão tomando decisões que é de um poder legislativo”. 
 
A imagem que se tem do Supremo é que é um poder legislativo, e eles não só assumiram isso como fazem questão de dizer que isso é a defesa da Democracia e que isso é a civilização, que vão fazer o país avançar. Mas, aprovaram a terceirização sem limites, vão aprovar a reforma trabalhista, não tem olhos para os problemas do pré-sal, que está sendo entregue, a principal riqueza do país, paras empresas estrangeiras
 
Eles vão pagar o preço. [Bolsonaro], não só está crescendo, como é um perigo no segundo turno, porque se o voto dele começar a descer para o eleitorado popular, evidente que vai chegar em 40%, não vai parar na barreira dos 25%, 27%. 
 
Cito exemplo de Julio Cesar, ele foi quem foi, um grande estadista, os feitos militares deles na nossa história acho imbatíveis. Roma, o senado que representava a República, já estava bem podre, mas representava. O assassinou e tomou o poder. Veio a anarquia e o resultado final foi que o Otávio, seu sobrinho, se tornou imperador autocrático durante 40 anos. Esse que é o resultado. É bom ver a história, ver o passado.
 
Por que o PT não aprendeu com o Mensalão, no caso Lava Jato?
 
14m32s – 17m45s 
 
Eu lutei, desde o dia que eu saí do governo, até o dia 30 de novembro [de 2012], e fui cassado na madrugada, que já era dia 1º de dezembro. Lutei com apoio da militância e com apoio de ministros, deputados. Mas, o governo, quer dizer, o Estado maior do governo, do partido, não tinha um gabinete de crise, não tinham uma estratégia (…) Se me entregaram, entregaram tudo. Mas, mais do que entregar um cargo, entregaram o espírito de luta e a dignidade. 
 
Agora, era eu sair do governo com uma estratégia, com uma tarefa, e o resultado foi que não tinha nenhuma e eu fui jogado aos leões na Câmara que me caçaram com toda a ilegalidade. Aliás, o Supremo, pela primeira vez, autorizou que um deputado, em licença de mandato, fosse processado por quebra de decoro, mudou a jurisprudência, por sete a quatro. Foi a primeira violência jurídica que fizeram contra mim.
 
Midiatização de julgamentos do Supremo
 
17m50s – 19h30
 
Nos Estados Unidos, Democrata não é indicado por Republicano para o Supremo, a Suprema Corte dos Estados Unidos, mas nem que caia uma bomba atômica e vice-versa. Aqui no Brasil virou uma hipocrisia. 
 
Essa questão da TV Justiça, por exemplo, nos Estados Unidos não pode nem fotografar. Por isso que nós temos os desenhos nos julgamentos, na Suprema Corte dos Estados Unidos… Já viu entrevista de ministro da Suprema Corte? Aqui no Brasil eles são atores políticos, fazem parte da luta política partidária. 
 
Lista tríplice do Ministério Público foi um erro
 
19m36s – 20m20s
 
A coisa do Ministério Público, da lista tríplice foi um erro e a Polícia Federal quer fazer o mesmo (…) Os que são armados não podem fazer política, os que decidem o que a Constituição diz e julgam, não podem fazer política, por isso mesmo que [a lei] veda a filiação, veda participação na vida política do país.
 
Politização do Supremo, caso Visanet e quebra de sigilo
 
20m26s – 25m05s
 
Fiquei sabendo pela TV Globo, dia 22 de janeiro [de 2015] que eu estava sendo investigado pelo Ministério Público, e meu sigilo já estava nas redes. Eu não fui comunicado, porque essa é outra coisa que se violou a Constituição no Brasil (…)
 
Mas porque eles fizeram isso? No meu caso é claro, o que foi que o Ministério Público tinha dito pra mídia? Que eu tinha ganho, em dez anos, 40 milhões. Eu faturei 40 milhões em dez anos, portanto eu ganhei, no máximo, 4 a 6  milhões, 10 a 15% que é o natural em qualquer atividade. Tinha 17 funcionários, escritório, fiz 128 viagens para o Exterior, em seis anos, para 23 países, se eu andei em 200 cidades do Brasil, todos esses custos, né?
 
A vida como consultor de empresários no Exterior e Engevix 
 
25m7s – 33m28s
 
O que eu fiz, por exemplo, eu prestei uma consultoria para o grupo Azteca, do empresário Lagos de Moreno. Fui nas convenções deles, ia ao México, discutia América do Sul com eles, a possibilidade do mercado brasileiro, expus o que é o Brasil, porque os empresários da América do Sul, América Latina não faziam ideia do que é o Brasil (…)
 
Eu falei [para Lagos], ‘não me põe 1 milhão no Banco Central, que no outro dia está na manchete, nos jornais. Paga 20 mil dólares por mês, o que preciso é de dinheiro para fazer política, pra tocar minha vida, viajar, pagar advogado, meu blog, sustentar minha família’.
 
Eu abria o canal [para empresários estrangeiros] e falava: contrata esse escritório projetista para ajudar vocês, esses escritório de advocacia etc. Não fazia esses serviços, caso contrário, tinha que parar de fazer política, né? (…) Eu apresentava a legislação para eles, o ambiente político, quem eram os personagens, como eu fiz em Espanha e Portugal. Eu chegava na Espanha, o Emilio Botín me convidava pelo Santander (…) 
 
Eu tenho 60 empresas [para quem trabalhei], todas disseram para o juiz da 13ª vara que eu prestei consultoria, inclusive a Ambev quando o Milton Seligman foi depor (…) O Moro e os procuradores acham que isso não tem valor nenhum.
 
Eu viajei 128 vezes para 23 países pra quê? E a maior parte dos países eram governos de direita, e não tinham nada a ver comigo. Infelizmente, o país foi escorregando e o que mais tenho temor hoje é que sinto que os militares estão escorregando na mesma direção… pró norte-americano, pró-mercado, no sentido de que só pode ser assim, se não, não aceitam.
 
Um governo de Bolsonaro, Globo e a relação de Dirceu com os republicanos nos Estados Unidos
 
33m29s – 37m12s
 
Então essa questão de um governo Bolsonaro é um desastre para o país, inclusive ele vai terceirizar a administração da economia a vai continuar como está. O Banco Central vai ter total autonomia, o rentismo vai mandar no país, que vai se desindustrializar (…) Ele vai fazer o continuísmo com Temer, ele pode ser um Trump, se ele aplicar as ideias dele no campo cultural, na educação, religião, vai fazer uma regressão no país que vai se confrontar primeiro com a Globo. Ela vai adequar sua grade segundo as concepções religiosas e morais do Bolsonaro? 
 
Uma vez estava conversando com o presidente Bush, com a Condoleezza, e com outros assessores deles, um deles falou assim: você fala muito em distribuição de renda, de desigualdade. Compaixão! Nós temos que ter compaixão pelos pobres. Aqui nos Estados Unidos a sua imagem é ótima, você é uma pessoa de diálogo, escuta, explicou para nós em detalhe cada política de vocês, todo mundo está encantado aqui com você, mas não usa essas expressões. 
 
Banco Central e o mercado
 
37m13s – 39m2s
 
O Lula assume o governo priorizando todo o discurso dele no combate à pobreza e à miséria, porque ele sabia que a política monetária e fiscal ia ser uma política de superávit e de juros altos. Porque no Brasil, ainda que o juros da Selic não tenha nada a ver com o juros de mercado [um pratica cobrança abusiva baseado no outro] e isso é uma vergonha para nós. Não tem em nenhum outro país América Latina esse movimento. É estranho! 
 
Então, acredito que o Lula fez uma opção… O destino e a vida levou que o Palocci saísse do governo, que era um objetivo também [do golpe]. Porque, quando eu saí do governo, houve um ataque frontal ao Gilberto Carvalho, Márcio Tomas Bastos, Henrique Meirelles e depois ao Zé Alencar. Passamos meses sob ataque e tentativas de tirá-los do governo.
 
O perigo da Mídia concentrada e o caso Abril
 
39m3s – 42m19s
 
Na questão da mídia, sem uma discussão pública, assumida pelo próprio presidente e pelas principais figuras do governo, eles [donos da mídia] ganham a discussão de nós porque dizem que a gente quer censurar.
 
Cadê a responsabilidade social deles, da Abril? O patrimônio deles está preservado. [A demissão recente de 800 funcionários] não deram a senha, bloquearam o fundo de garantia, bloquearam o seguro desemprego, não pagaram as verbas rescisórias, não fizeram a homologação no sindicato, não fizeram comunicado oficial, cruzaram com a recuperação para não pagar ninguém. Mas fizeram um coquetel no Hotel Unique, que tem as fotos. Comemorando, o que? Com charutos, champagne, jogaram 800 famílias numa situação dessas, de alto nível de desemprego no país.
 
Sem mobilização popular, reformas jamais serão possíveis
 
42m21s – 43m26s
 
Eu não acredito em nenhuma mudança sem grande mobilização, e eles ensinaram isso para nós nós, com a derrubada de Dilma. Eles a derrubaram nas ruas (…) Nós temos que aprender com isso. Sem força popular de mobilização, sem luta, sem greve, sem ocupações, sem um crescente movimento popular, você não sustenta um governo de reformas no Brasil. 
 
O papel dos EUA no Golpe e o descontentamento popular nestas eleições
 
43m27s – 46m27s
 
Houve um financiamento de dinheiro, houve a consultoria e assessoria para formar esses grupos, MBL, Vem Pra Rua… O Millenium, as empresas se reuniram em torno, criaram também as condições. As empresas deram as estruturas delas para as manifestações, porque aquelas manifestações não eram financiadas pelos manifestantes, tinham empresários colocando carros de som.
 
É verdade, também, que espontaneamente a massa da classe média conservadora desceu dos prédios para as ruas e praças, que foi o restart (…) O problema do Brasil, talvez seja um caso de voltar para a história. A ditadura, a primeira derrota dela, foi numa eleição em 74, não foi nas ruas. As ruas recomeçaram em 76, com os estudantes para reconstrução da UNE (…) E eu acho que neste momento está acontecendo isso. Pelo menos uma parte do eleitorado compacta, dos 40% que está dizendo não, e talvez, o voto branco e nulo seja 30%, então vai pra 70% que vai dizer não. Eles vão fazer uma eleição, entre 30% e 35% do voto.
 
A compra de votos no Brasil: Supremo e TSE desmontaram sistema eleitoral 
 
46m38 – 50m28s
 
Porque agora, ao invés de gastar com publicidade, só pode ser 2,5 milhões, a saída é comprar voto. Tem que acabar o sistema uninominal; tem que ser financiamento público e exclusivo. Ou, então, tirem as máscaras para voltar ao financiamento empresarial.
 
No Brasil se criou essa hipocrisia, se proibiu o financiamento empresarial, mas se autorizou que um candidato que tem 2,5 milhões financie sua campanha, então é financiamento empresarial, porque o candidato tem empresa ou presta algum serviço.
 
Quem desmontou o sistema eleitoral brasileiro foi o STF e o TSE que acabaram com a cláusula de barreira. Antes, era 5% do fundo e do horário eleitoral para todos os partidos. Eles puseram 1/3, daí os partidos vendem o horário eleitoral e vendem a legenda e agora, nas delações, apareceu 40 milhões para o Roberto Jefferson, 20 milhões para o partido do Kassab para apoiar o Aécio, evidente.
 
Quando falei nos Estados Unidos, numa palestra, que nós tínhamos coligação proporcional no Brasil, um senador reclamou do tradutor, dizendo que era impossível eu ter dito isso, que na eleição proporcional tem coligação, que eu deveria ter falado outra coisa. Daí eu expliquei. Ele começou a rir, a gargalhar. ‘Quer dizer que no Brasil você tem uma eleição proporcional e pode fazer coligação? É um absurdo!’ E o supremo não acabou e considerou inconstitucional. Nós conseguimos acabar para o Congresso mas somente a partir de 2020.
 
Lula tentou fazer a reforma política
 
50m29s – 51m49
 
O Lula fez de tudo para reforma política, em 2007. Tarso Genro e o Thomaz Bastos percorreram todas as entidades. O Henrique Fontana ficou anos fazendo todas as concessões que o PT podia fazer, quase quebramos a cadeira nas reuniões para conseguir aprovar as concessões (…). Não deixaram, nem o mínimo do mínimo permitiram. A Dilma pediu uma constituinte para fazer uma reforma política. Eles acusaram ela de ser totalitária, e era a constituinte e depois referendo, quer dizer, o povo ia decidir.
 
Essa estrutura política no Brasil é disfuncional. Agora, o Congresso funciona para aprovar tudo o que eles querem, que é aquilo que é a entrega do patrimônio Nacional.
 
Regressão cultural e escola sem partido
 
51m50s – 54m33s
 
A questão religiosa vai ser introduzida [na política e escolas] no Brasil e isso é perigosíssimo, porque o resultado nos outros países é o pior possível, do fundamentalismo religioso, de misturar religião com o estado, com o governo deteriorando o estado laico. 
 
Eu não entendo porque a elite e a classe média esclarecida do país não se apercebem que estão levando o país para uma regressão cultural e de costumes.
 
Quem define a “inteligência” da Globo
 
54m39s – 57m03s
 
Eles dizem que delegaram mesmo para as redações, portanto às chefias, Ali Kamel e pro Carlos Henrique Schroeder. De certa maneira, deram liberdade de imprensa pra eles.
 
Temos que parar de falar em liberdade de imprensa, e falar em liberdade de informação e formação. Porque, hoje, a televisão forma. Porque eu falava e falei que era um agravamento de pena assistir o Ricardo Boechat todo o dia e o Bonner? Porque eles não informam, dão opinião sobre tudo, e não tem outra opinião.
 
Futuro do PT
 
57m05s – 1h02m52s
 
Acredito que PT tem um lugar reservado, mesmo qualquer que seja o desastre da eleição, porque ele vai crescer muito em 2020, se houver democracia e se as regras forem mantidas no Brasil. 
 
Agora, se o PT quer ser um partido de reformas estruturais no Brasil, que você sabe que é a questão tributária e a questão do sistema financeiro bancário, a questão da estrutura política institucional, dos meios de informação, para isso precisa ter força, maioria parlamentar, popular. Tem que passar por uma transformação, porque é um partido hoje, quase que exclusivamente, de política eleitoral, institucional. 
 
Sempre cito Napoleão. Quando sofria algum revés, que não foram poucos, voltava para Paris, primeiro guilhotinava os traidores, segundo recompunha o caixa e, terceiro, mandava criar cavalos, recrutar, produzir cereais, e treinar, ver a tecnologia dos canhões, porque os prussianos estavam com canhões mais modernos. Perdemos e não fizemos isso, um balanço. Não há um balanço público.
 
Ciro Gomes é um aliado
 
1h02m53s
 
Nós precisamos tratar o Ciro como do nosso campo, não só como aliado, como parceiro, evitar que se crie um abismo entre nós. 
 
Podemos não concordar com certas políticas,  mas ele foi um bom governador. Se não fosse ele, não tinha saído a transposição do Rio São Francisco. Não podemos entrar nesse jogo [da mídia e oposição que Ciro é um trapalhão, porque não é. 
 
 
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6 comentários

  1. é uma cabeça.E choca 99% dos assíduos da blogosfera”alternativa”

    quando diz que Ciro é aliado, parceiro. Talvez se tivesse a aura que se criou sobre Lula,faria como Jacques Wagner, que propôs uma candidatura fora do partido, e que seria CIro Gomes. Seria um esboço real de união das esquerdas e democratas radicais – como Brizola, CIro não tem rabo preso nenhum, nem suspeita, e tem língua solta, se fosse o candidato bateria de frente com a mídia, judiciário, bancos (nunca antes nesse país os bancos lucraram tanto quando o deus era governo). Alianças pra se eleger, não pra governar. Se viessem manobras de impeachment, haveria muito mais apoios das esquerdas e tambémm dos liberais democratas. É Wanderley G. dos Santos, insuspeito, que considera Ciro o único capaz de mexer com estruturas.

  2. Isto é para ser normal? Ocupa
    Isto é para ser normal? Ocupa um cargo estratégico no governo. Conhece o governo por dentro. É vai conversar com Santander? E outras empresas? Minhas referências estão ultrapassadas pelo jeito.

    • não sei das suas referências 

      não sei das suas referências  ..acho que estão faltando dados nas suas afirmações

      Sei que no exercício e EM PREJUÌZO do Estado, é crime  ..DIRCEU não estava no cargo nem desenvolvia função pública

      Sei que político empresário, industrial, comerciário, agropecuário, banqueiro, trabalhador, religioso etc, vai puxar a sardinha pro seu lado  ..daí a importância de se tentar da isonomia e da consciência política pra se equilibrar as representações

      Sei que vc não pode apagar o passado e o FUTURO dum cara só pq ele ocupou cargo público  ..a menos que queira sustenta-lo pro resto da vida

      SEI que EU VENDO o meu conhecimento acumulado pra quem quiser pagar (em honorários ou salários) ..o mesmo BILL GATES ou um operário, ou qq um que queira dar palestra e dividir suas experiências (aliás, é assim uma das formas que a sociedade se vale pra disseminar o conhecimento e idéias, SONHOS)

      no mais  ..tem período de carência, sabático pros tucanos

      Tem tb a figura que, aqui, hipocritamente, não é reconhecida, a do LOBISTA (vendedor, representante ou DEFENSOR de interesses legítimos, LEGÌTIMOS, como queira)

      SEI também que se um empresário paga campanha prum político, a GRANA pode ser dada por apoio a idéias e valores, e não necessariamente por corrupção ou propina, pra FUDER o Estado num outro momento, como insistem em teimar essa SUCIA de nababos concursados do Ministério Público

      ajudei ?

       

  3. Assista agora: TV GGN entrevista José Dirceu

    só podemos mudar a nós mesmos e ao nosso campo.

    aos nossos inimigos, devemos conhecê-los, aos seus objetivos, suas estratégias e táticas, para melhor combatê-lo – mas não com críticas e denúncias, e sim com ações.

    e a nós mesmos e ao nosso campo, cabe uma constante e impiedosa autocrítica. sem ela não temos autoconhecimento e autotransformação – continuaremos condenados a repetir os mesmo erros.

    “O PT é um partido hoje quase que exclusivamente de política eleitoral-institucional.

    Acho que o PT tem que fazer uma inflexão.

    Organização nos bairros, nos locais de trabalho. Pode ser qualquer luta, ou festa, ou cultura.

    Porque nosso distanciamento do povo é muito grande.

    E aprender com o serros do passado com as derrotas.

    Nós perdemos e não fazemos isto. Um balanço público.

    Se nós queremos governar o Brasil mesmo, e não fazermos umas reforminhas, nós precisamos também de teoria. Nos precisamos também ter uma doutrina, um diagnóstico.”

    José Dirceu, entrevista ao GGN, Luis Nassif.

    00:58:00

    p.s.: tudo isto citado acima que Dirceu se referiu serve também aos demais partidos de Esquerda no Brasil, assim como a todas as organizações à Esquerda. não é de modo algum algo restrito ao PT.

    .

     

    • Você viu dias atrás? jornal da esquerda alemã TAZ.DE
      imagem de Humberto PereiraHumberto Pereira

      http://blogs.taz.de/latinorama/2018/09/01/lula-von-wahlgericht-gestoppt/ [Trecho ] Tradução pelo navegador SlimJet.

      “O PT também fez muito errado. Não apenas sob a forma de sua abordagem realpolitik, que em muitos casos seguiu uma lógica neoliberal e se baseou na exploração brutal dos recursos naturais e renunciou a uma reforma agrária consistente. Mas também por causa de sua negociação cada vez mais elitista com a população: até à data, o partido dominado o espectro da esquerda, mas a partir do projeto ambicioso, que tinha sido construído de baixo para cima, na comunidade e também a teologia da libertação com a sua abordagem educativa relacionada com a base da “Educação popular »desempenhou um papel importante ao longo do tempo, tornando-se uma máquina de votação de cima para baixo, com cada vez menos espaço para a auto-organização, a educação política e a prática de base.

      Vingança do direito

      A liderança do partido tornou-se arrogante e incapaz de dialogar com novos movimentos sociais urbanos. Assim, o homem certo marcou pontos com seu discurso. Embora o PT não perdeu qualquer apoio – o poderoso movimento dos sem terra “Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra” (MST) e muitos outros continuam a sustentá-la – era essa perda de contato à base de forma significativa para o enfraquecimento do projeto e do partido como um todo.”

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