Primeiro, incutiram o ódio. Foram anos e anos de campanha negativa, criminalizando todos os atos, criando versões conspiratórias de todas as políticas.

Depois, trataram de jogar a autoestima brasileira no seu nível mais baixo, naquele que deveria ser o momento mais alto de celebração nacional, uma Copa do Mundo.

Antes disso, tinham levado a disputa política para outro campo, o da Justiça, embriagando o Ministério Público com o porre da celebrização, transformando jovens imaturos em heróis nacionais, entregando o poder a um juiz ambicioso, inescrupuloso até a medula, e pressionando um Supremo temeroso a ponto de esquecer de suas obrigações constitucionais.

Depois, convocaram as multidões para as ruas, bradando discursos de ódio. Cometeram, contra si próprios, a pior das autoimolações: desacreditaram a essência do seu trabalho, as informações, os conceitos, os pactos que regem sociedades civilizadas, a própria Constituição e as leis, valores que legitimavam sua missão em ambientes democráticos.

Apelaram para fakenews sem fim, as invasões das FARCs, os dólares em garrafas de rum, os lobistas com narrativas improváveis. Aliaram-se a organizações criminosas, como a de Carlinhos Cachoeira, montaram parcerias com grampeadores e procuradores inescrupulosos. E recorreram ao jogo recorrente de manipulação da informação, juntando informações verdadeiras – o vasto e histórico esquema de corrupção política que existia -, como âncora para toda sorte de teorias conspiratórias e de ataques seletivos aos adversários. Ao usar a corrupção como instrumento político seletivo, foram corruptos, e eles sabem disso. Esse é o drama.

E os céus amaldiçoaram a mídia e os que implantaram o terror, o ódio fratricida e abriram as jaulas para a selvageria, julgando que, com o chicote e as cenouras, com os quais influenciavam o país institucional, manteriam o país selvagem sob controle.

Os bárbaros ajudaram a trucidar o governo deposto e não mais pararam. Primeiro, tomaram da mídia o controle sobre as informações, com suas redes de WhatsApps, e estratégias de viralização montadas por consultores internacionais, muito mais eficientes.

Criaram seu próprio público, cortando o cordão umbilical com a mídia, se apropriando do discurso de ódio com muito mais propriedade do que a geração inicial de cronistas do ódio, uma mescla de cronistas culturais, novos e velhos jornalistas tentando se reciclar, atendendo à demanda da mídia, visando atrair e instrumentalizar o sentimento de ultradireita que emergia globalmente. Com todas as regras civilizatórias e sociais revogadas, os almofadinhas da mídia, que fingiam falar duro, os cronistas-ternura que ocuparam a demanda por discursos de ódio foram rapidamente destronados por bestas-feras autênticos, daqueles que coçam o saco, arrotam em público, batem em velhinhas vestidas de vermelho.

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Finalmente, os hunos conquistaram o poder político, elegendo um capitão da reserva, deputado baixo clero, com vinculações claras com as milícias e um ódio visceral à mídia. Só aí caiu a ficha da mídia, de que seu poder derivava diretamente da democracia, do respeito às regras do jogo, da credibilidade das informações e, especialmente, das narrativas. Ao colocar em xeque as instituições, expunha-se a si própria a qualquer autoritário de plantão. E, especialmente, perdia o controle para outros praticantes de fakenews e de teorias conspiratórias, desses que acreditavam que o Jornal Nacional e a Veja eram instrumentos das esquerdas.

Ali, rompeu-se o pacto com Satanás e o jornalismo tentou o duro regresso, a recuperação dos valores jornalísticos, a defesa, ainda que tímida, de bandeiras legitimadoras. Colunistas foram liberados, então, para criticar Bolsonaro e se concentrar na defesa de temas sociais, de meio ambiente, retomando a crítica à ditadura, mas poupando a Lava Jato. Os jovens jornalistas foram apresentados a uma biografia repaginada dos seus ídolos, da qual foi apagada não a história passada, mas a história recentíssima. E poupando a Lava Jato.

Mas o passado recente sempre voltava para atormentar e ele atendia pelo nome de Sérgio Moro e da Lava Jato.

Como justificar, para seu público, que tudo não passou de uma enorme armação, na qual a bandeira legítima do combate à corrupção serviu de escada para golpes políticos, onde o prêmio final foi o cargo de Ministro da Justiça conferido ao campeão da moralidade?

Teve início, então, um malabarismo de Houdini: criticar Bolsonaro e poupar Moro, como se ambos não fossem da mesma natureza, disputando o mesmo projeto de poder autoritário.

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Não escaparam da maldição que acompanha todos os que brincam com a democracia. Arrumaram álibis para a nomeação do seu campeão para Ministro da Justiça. Ele seria a âncora de racionalidade do governo, o que não permitiria que o arbítrio se fizesse ao largo das leis.

Calaram-se quando o campeão passou a aceitar todas as irracionalidades do seu padrinho presidente, em uma subserviência chocante, especialmente se confrontada com o estilo anterior, do juiz implacável, inclemente, que executava adversários feridos no campo de batalha.

Depois, quando alvo de ataques, o campeão se encaixou debaixo da asa protetora do seu presidente, que o exibiu como um troféu em jogos de futebol, mostrando que, agora, ele havia se tornado o avalista da âncora. E ainda balbuciou palavras de agradecimento à confiança, não da opinião pública, não da mídia, mas a confiança que lhe foi depositada por Bolsonaro. E se agarrou ao que imaginou ser sua boia de salvação, as manifestações de rua, que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo.

Agora, a mídia entra na sua escolha de Sofia. Sérgio Moro é acometido pela síndrome do escorpião e atravessa o Rubicão, valendo-se do COAF para retaliar o jornalista que divulga suas falas. É o mais grave atentado à liberdade da imprensa desde a redemocratização, porque se valendo do poder de Estado, do comando da Polícia Federal, para interromper a divulgação de notícias de interesse público. E eles sabem disso. Pior: eles sabem que os leitores também sabem disso.

E agora? O Globo esconde a informação, o Estadão esconde, a Folha caminha sozinha para recuperar a aura das diretas, perdida nos últimos anos.

Em parceria com a Globo, a Lava Jato tenta de todas as maneiras criar uma contra narrativa. Desenterra as delações de Palocci,  sustentando que Lula era o comandante, tudo isso depois do The Intercept revelar como eram feitas as salsichas das delações premiadas.

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A reconstrução da mística jornalística ficará pela metade. Os jovens repórteres, inebriados com congressos em que os colegas mais velhos discorrem sobre as virtudes do jornalismo, apagando uma história de infâmia muito recente para ser esquecida, não terão nem o consolo da hipocrisia para manter a chama acesa.

Esta é a maldição final, terrível, dolorosa, o desafio final a ser enfrentado pela mídia. Calando-se, ante a investida de Moro, revelará toda sua impotência, sua fragilidade, na defesa de suas próprias prerrogativas. E o país está coalhado de inimigos, à esquerda, mas, principalmente, à direita, esperando o primeiro sinal de fraqueza para avançar.

 

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Falou tudo. Fico extremamente condoído pelos jovens que deseja(ra)m estudar jornalismo tocados ideologicamente pelo trabalho nobre de reportar os fatos como são/estão, do modo mais autêntico quanto possível. Mas em épocas da hipocrisia solta, onde a maior perdedora é a verdade e com ela termos que são pilares de uma imprensa séria, como: autenticidade, credibilidade, seriedade, transparência, realidade ficam mais divorciados e a rasgar o frágil tecido social. O grave com isto é que, muito rapidamente as vagas e oportunidades neste mercado estão se desmanchando ao ponto de em breve, não haver interesses pelo curso de formação. O fake news já prevalece e assim perde bastante, como bem colocado no post, toda a sociedade. Refém das inverdades e das manipulações dos fatos, as pessoas vão assimilando a tristeza, letargia e indiferença e estes são itens que pavimentam as depressões mentais, morais, sociais e econômicas.

Lúcio Vieira

55 comentários

  1. Um complemento, caro Nassif: Nos tempos da minha primeira juventude, eu era leitor assíduo de um cara reacionaríssimo, de quem você deve ter lembrança: Gustavo Corção. Além de saber através dele o que era o pensamento do reacionarismo católico, eu tinha, na leitura, verdadeiras aulas de um bom português, claro, escorreito (para usar um termo daquela época), algo elegante apesar da deselegância das ideias. Isto também se perdeu: esta mídia escabujante, com poucas excessões, costuma escrever num português horrível, truncado, onde a adjetivação excessiva substitui a falta de substantivos concretos, para não falar dos abstratos, porque seus escritos são conceitualmente vazios. Abraços, Flavio Aguiar, de Berlim.

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  2. Falou tudo. Fico extremamente condoído pelos jovens que deseja(ra)m estudar jornalismo tocados ideologicamente pelo trabalho nobre de reportar os fatos como são/estão, do modo mais autêntico quanto possível. Mas em épocas da hipocrisia solta, onde a maior perdedora é a verdade e com ela termos que são pilares de uma imprensa séria, como: autenticidade, credibilidade, seriedade, transparência, realidade ficam mais divorciados e a rasgar o frágil tecido social. O grave com isto é que, muito rapidamente as vagas e oportunidades neste mercado estão se desmanchando ao ponto de em breve, não haver interesses pelo curso de formação. O fake news já prevalece e assim perde bastante, como bem colocado no post, toda a sociedade. Refém das inverdades e das manipulações dos fatos, as pessoas vão assimilando a tristeza, letargia e indiferença e estes são itens que pavimentam as depressões mentais, morais, sociais e econômicas.

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  3. Há poucos Nassifs e Greenwalds, com coragem e trabalho para mostrar a verdade. Mas vocês ainda nos devem a verdadeira história do 7 x 1, tão importante na guerra midiática, e um resultado não previsto por nenhum cronista esportivo.

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  4. “E o país está coalhado de inimigos, à esquerda, mas, principalmente, à direita, esperando o primeiro sinal de fraqueza para avançar.”

    Só não consegui, caro Nassif, visualizar o inimigo à esquerda. Seria Cuba? Venezuela? China? Coreia do Norte? Quem desses – ou algum outro país ou organização – nos ameaça ou está urdindo sabotagem à nossa soberania nacional, ao nosso bem estar e prosperidade popular? E que ameaça é essa? A “esquerda” nos ameaça fomentando a pluralidade da imprensa, estimulando a liberdade de pensamento? Garantindo direitos trabalhistas e de previdência? Trabalhando para redução de danos por drogas nos viciados ou pelo capitalismo, também nos vulneráveis? Ameaça quando tenta impor Saúde e Educação públicas e de qualidade? Quando propõe facilitar moradia digna, luz, saneamento, água a todos? Qual é a ameaça da “esquerda”?

    De resto é isso aí: a “direita” está mesmo aterrorizando geral, destruindo nosso estado democrático de direito, sendo o terrorista que sempre foi. E àqueles que prezam pela integridade física acima de tudo, colocando a moral e a psicológica depois, temos até sorte: a “direita” ainda não nos fritou com radiação como fez com a turma das Ilhas Bikini. (Se bem que há quem diga que é muito suspeito que líderes democráticos tenham tido o mesmo tipo de câncer.) Ainda não torrou corpos em fornos, como fez Hitler.

    E com tudo isso garanto que há muita gente que prefere a morte à vida zumbi, sem moral, sem discernimento…

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      • Hein? Não sei se entendi… o que questiono é o horror à “esquerda”. No Brasil aqueles que se dizem de “esquerda” só fizeram cuidar bem da liberdade. Apoiaram a diversidade de convicções políticas na mídia, estimularam a crítica e o debate, apoiaram a criação de conselhos populares, facilitaram a distribuição de poderes, econômico e político.

        Já o pessoal da dita “direita” não só já fez como está ameaçando fazer de novo: calar jornalista, censurar, fechar ou cooptar o Congresso, fechar o STF, ser inimigo da Democracia e de todos os que nela acreditam, enfim… nossa experiência mostra que a “direita” na gestão do que é público, é como se estivesse gerindo o que é privado: manda o dono e pronto. Nada democrática. Bem… com algum simulacro de liberdade, isso é verdade: é permitido ser operário padrão, funcionário exemplar. Nada de cidadania e liberdade.

        Por isso não entendi quando você disse que a esquerda é inimiga do nosso país, não vi, na História, exemplo disso.

        • Inimigos da mídia amigo.
          Neste ponto ele está certo. Depois dos últimos anos abomino Globo, BAnd, Record, SBT, todas as redes de Tv aberta.
          Desprezo e desconsidero Veja, FSP , Estadão e outros jornais que são meros repetidores da mídia mainstream.
          Portais como UOL, G1 e Terra.
          Considero eles, essa mídia, inimigos do povo.

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          • Globo, Band, Record, SBT… todas as redes de TV aberta e quase todas as emissoras da TV assinada, além da Veja, FSP, OESP e outros SÃO o mainstream da mídia, caro Luís. São os porta-vozes dos grupos de poder que estão lutando para que não se instaure poder popular e democrático. Se você considerar que nem todas as armas são de fogo e que é possível, sim, causar dano moral e psicológico, dá até para dizer que essas pessoas tem, na mídia, seu braço armado. A mídia “mainstream” é só a parte visível desses grupos que, em reuniões escondidas, dão-se mutuamente tapinhas nas costas – ou qualquer outro gesto só para “iniciados” – e, com ares de responsáveis pelo mundo, mexem seus pauzinhos para que eles próprios se mantenham no poder. Mas se se tirar a messiânica arrogância, como se fossem pessoas especiais e superiores, dá para ver claramente seus egos inflados quando se mantém no poder e o temor que sentem de que seus egos murchem quando os que eles chamam de ovelhas, quase crianças, demonstram que podem, sim, cuidar muito bem de si mesmos, e que não precisam de “lustrosos manipuladores”. Esses são os inimigos do povo pois que amiúde sabotam a pessoa comum e suas organizações.

            No caso do Brasil, esses inimigos do povo são historicamente de “direita”, é gente que diz que acredita que o estado precisa, sim, ser gerido pela iniciativa privada, dizem que sem a iniciativa privada não há economia, não há governo. E repetem que funcionário público é incompetente, que empresa pública não presta e por aí vão. Sem nunca reconhecer a, desculpe, putaria inconsequente – do ponto de vista social – que é o livre mercado, especialmente o liberal.

            Talvez em outras sociedade nacionais esses arrogantes usassem o socialismo como pretexto para exercício de seus egos… Não sei, não leio russo nem chinês e não confio no que diz nossa imprensa capitalista sobre regimes socialistas. Mas tenho certeza de que, no nosso país, ditadura somente e sempre foi de “direita”.

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          • Faz tempo que cancelei tudo que me trouxe a vergonha de ver o ódio vencer a civilização. Não podemos, é nem devemos, esquecer o papel do PSDB na criação do nazismo brasileiro. Eu não esqueço. Nunca esquecerei.

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        • Ele esta falando da grande midia (Globo, Estadao etc)… não da imprensa como conceito abstrato). São odiados pela esquerda e tb pela extrema direita que esta no poder… se se calarem agora, perderão o restinho de credibilidade que têm com a classe merdia mais moderada e não terão mais nenhuma forma de pressão sobre o atual governo, ficarão sem poder algum… se forem para cima do Bozo corre o risco da esquerda ganhar força e aí vão se ferrar no futuro. Ou seja, não tem como se sairem bem desta, estão entre a cruz e a espada… Depois do golpe os partidos estão escolados, mesmo que a midia tradicional consiga escapar do governo atual, o próximo governo vai fazer questão de cortar suas asinhas.

          • Arre! Revi e e vi que tinha entendido errado: disse o Nassif que o país está coalhado de inimigos DESSAS FIRMAS (Globo, OESP etc.), e não de inimigos do próprio país. Está coalhado de gente que não compra mais o que essas firmas querem vender.

            Mas será mesmo que há “mais inimigos” à direita? As poucas pessoas que ainda compram o que essas firmas vendem, ou são de “direita” ou são muito ingênuas a ponto de não se perceberem como “direita” e se iludirem pensando-se “apolíticas”. Se ainda há alguém que busque se informar através dos produtos dessas firmas, me parece que são os da “direita”, será que não?

            De todo jeito o Nassif está certo: essas firmas estão correndo o risco de perder até o restolho que ainda as compra. Porque mortas como Jornalismo, parece que estão já faz tempo.

  5. Quanto mais o Brasil precisará afundar nessa incontestável fossa sanitária pra que os democratas (liberais, socialistas) constituam uma Frente Ampla para expurgar os fascistas do convívio social e reconstruir o processo civilizatório ?
    Pela milésima vez: Globo, inimiga do Brasil livre e soberano !

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  6. RAPAZ ..será que um dia saberemos algo sobre aquele 7×1 ? ..tipo Peru e Argentina ..ou o Gorducho caindo na Bastilha ???

    colega, aquilo foi muito suspeito ..depois de 2013, pré eleição com GOLPE e conspiração agendada ..eu hein

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  7. Eu tenho dito que a nossa “elite”, aí incluída a imprensa sofre de um surto esquizofrênico que se manisfesta por uma deficiência cognitiva total onde não diferencia mais o fato da narrativa e, assim, perdeu a noção da realidade. Pior, defende situações e atitudes que a prejudicam absolutamente.
    Vou dar dois exemplos, ambos tirados de minha convivência social forçada por amizades (enfraquecidas) e laços familiares (atenuados).
    Churrasco com amigos, dentre eles um juiz de Direito. Entra na conversa o aumento das penas, diminuição da maioridade penal. Eu ouvindo, quieto e tentando tirar minha atenção da conversa imaginando o que farei nas próximas férias. Nessa tentativa inglória de manter o relacionamento e preservar as poucas amizades que restam fui muito bem, por um tempo. Até quando a conversa alcançou a defesa da pena de morte. Aí toda a minha boa intenção foi para onde, cedo ou tarde, a maioria se encontra: ao inferno. O ponto de fervura foi alcançado quando meu (provavelmente ex) amigo juiz defendeu a pena de morte. Levantei-me e perguntei – considerações morais à parte, como uma pessoa, presumivelmente esclarecida, sabendo das distorções do processo penal que inicia-se em uma investigação vagabunda, feita por despreparados em contexto de completo despreparo instrumental, que leva a uma denúncia precária em um sistema orientado pelo punitivismo aplicado em uma sociedade não raro disfuncional, poderia, em sã consciência, condenar alguém à morte, uma sentença absoluta sem possibilidade de reparação após cumprida? ao que recebi como resposta – tranquilamente, sem a menor dificuldade. O que se seguiu não interessa, sequer seria recomendável divulgar. Claro, minha participação no “convescote” acabou em seguida.
    Além de juristas, advogados, um desembargador e um procurador, tenho médicos como parentes próximos. Esses últimos tios, primos e sobrinhos. Os “jurídicos” são civilizados, diga-se em seu favor. Já os médicos são todos, sem exceção, “coxinhas”. Desde aqueles que usavam camisetas escritos “não tenho culpa, votei no Aécio” até os que ostentam em seus automóveis o adesivo “Lava-jato, eu apoio”.
    O que os une, tanto os meus amigos de convescotes quanto meus parentes médicos, é o completo non sense. São todos sem noção, esquizofrênicos sociais. Não conseguem ver que são a mortadela do sanduíche. Espremidos entre os interesses do financismo e a base da sociedade, onde estão os oprimidos, desvalidos, explorados. Não dão-se conta de que a vida que ora desfrutam, com empregos seguros, renda que lhes permite níveis elevados de consumo e investimento decorre da luta democrática, das políticas sociais e dos programas de governo que ora condenam, destilando preconceito e ódio. Não levam em conta que cedo ou tarde vão sofrer as consequências daquilo que defendem. Serão oprimidos pela fatia de cima ou ou defenestrados pela de baixo.
    Eu conheci um juiz de direito que, quando na Comarca de Dionísio Cerqueira SC, cidadezinha na fronteira com a Argentina, foi arbitrariamente preso pela ditadura e levado a ferros para Curitiba, onde permaneceu por meses nas masmorras do exército. Seu crime foi não dobrar-se aos interesses dos donos do poder e defender a independência do magistrado e a Lei. O tipo de governo que essa turma hoje implora para ter. Lembro-me, perfeitamente, que durante muitos anos, inclusive, nos tempos de FHC saudosamente lembrado pela maioria classe médica, os seus colegas médicos emendavam plantões uns nos outros, sem descanso, não para viajar à Europa, mas, para poder pagar o aluguel e o supermercado.
    E, agora, tanto uns quanto outros, lutam com afinco para voltar àqueles tempos. São exemplos, há muitos outros, como os produtores rurais e os empresários da indústria e do comércio.
    No que toca à imprensa a deficiência cognitiva é mais grave, afinal é da profissão entender o realidade social, política e econômica sobre a qual escreve. Exemplo clássico é Veja. Quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer panfleto o fez por dois motivos aparentes. O primeiro foi ajustar a linha editorial à vontade dos anunciantes. Uma opção financeira. Manter e aumentar a receita de publicidade. Isso foi possível por estar amparada em um grande número de assinantes formado por um público qualificado. Não percebeu que a panfletagem causaria, como causou, a mudança no perfil do público. Na medida em que atraiu novos assinantes, captados na faixa mais ignorante do público, afastou em grande parte o publico qualificado, crítico e consumidor de jornalismo que era quem agregava valor ao veículo. A perda de qualidade do público assinante causou a queda de preço da publicidade. Consequência tanto inevitável quanto óbvia, ou você vende qualidade e cobra por isso ou vende porcaria e recebe por isso. Não há como vender produto barato e cobrar caro, a não ser que você tenha monopólio. Com as publicações online o monopólio acabou. Então, aparece o segundo fator. Neste não está bem claro se foi absoluta necessidade de continuar pedalando para não cair ou se foi porque, em dado momento, perdeu-se a autocrítica e o erro de posicionamento estratégico deixou de ser reconhecido pela Abril. O fato é que não somente não corrigiu o curso como aprofundou o erro, fazendo mais do mesmo até a bancarrota. Alguns veículos da imprensa corporativa parecem estar despertando para o problema e tentando não cair na mesma vala de Veja. Mas, por enquanto, esse despertar está letárgico, parece que romper essa inércia – que adquiriu um componente ideológico forte – está sendo difícil e encontrando muita resistência.
    Vá entender…

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    • Parabéns pela seu texto. Resume de forma magistral todo esse momento terrível que passamos. Espero que sirva para meditação débitos.

      • Desculpe-me companheiro,você está parabenizando-o pelo texto ou pela homilia “para meditação de débitos”.

    • Eu opinaria que seu comentario é de boa qualidade.Eu li as 5 primeiras linhas e as 5 últimas,para aferir tal qualidade.Rede Social,ao meu entendimento,não comporta comentario tipo rascunho da Biblia.Devem ser objetivos,prescisos e com foco determinado.Comentarios com quase 100 linhas,é perda de tempo.

      • Meu caro, parto do princípio de que não há texto longo ou curto, exceto no tweeter, of course. Há textos interessantes ou não. Uns fustigam nossa curiosidade e nos intrigam, levando-nos a pensar, refletir e até discordar enquanto outros passam despercebidos. Acredito que, principalmente nestes tempos estranhos, debruçarmo-nos sobre o que vemos, lemos e ouvimos para trocar ideias e dividir experiências poderá fazer diferença. Meu comentário nasceu do artigo e da reflexão decorrente daquilo que aborda e do sentido que dá ao papel desempenhado pela mídia, leia-se imprensa, na conjuntura política e na consequente ruptura institucional e democrática que vivenciamos.
        Sou egoísta, confesso e explico. Escrevo comentários porque é a forma com que melhor ajusto minha dinâmica de aprendizado. Leio, analiso, tento entender o texto em sua amplitude. A seguir debato mentalmente com o texto extraindo minhas próprias conclusões. Para articulá-las em uma linha de pensamento e para fixá-las na memória, escrevo. Publico o comentário apenas pela vontade de, dentro do pequeno alcance que porventura alcance, levar esse pensamento à crítica. Quando a crítica retorna, como no caso, trazida por você e pelos que “curtiram” o texto, sinto-me especialmente recompensado. Valeu brother! Se puder leia o recheio do sanduíche de 10 linhas que você fez com o meu texto :-).

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  8. Moro é o abraço do afogado. …

    O sucesso da China se deve ao foco no mercado interno da própria China, caminho que estava sendo seguido por Lula e que estava dando certo, o que ficou provado na crise internacional de 2008

    ….para se safar da culpa pelo erro que foi apoiar Moro e o golpe, tenho visto minions aplicando a seguinte vacina : vai vim uma crise por aí mas será culpa da crise internacional

    Tá bom

    Segue link para artigo sobre a China

    https://www.linkedin.com/pulse/porque-9-dias-na-china-me-deixaram-apavorado-lucas-marques/

    • “O governo chinês tornou essa região uma zona especial e testou capitalismo nela, com a iniciativa privada tendo mais liberdade para empreender.”

      Esse trecho do depoimento do moço que visitou a China é fundamental para entender a evolução daquela sociedade: o estado permite o capitalismo… ou não. Mas não abre mão de ter o controle sobre a economia do país. Dá a impressão de que, para os administradores públicos de lá absolutamente nada é inquestionável, nada é dogma, desde que o povo, através de seus representantes, não perca a mão sobre o que se passa ali.

      Olha que curioso: https://www.ted.com/talks/leslie_t_chang_the_voices_of_china_s_workers?language=pt

      E essa organização, TED, tem feito de tudo para levar aos EUA conhecimento sobre quão diferente é o modo de pensar e de sentir o estado entre alguém crescido na China e outra pessoas, educada e aculturada nos EUA.

    • Não é à toa que se fala tão mal desses “comunistas chineses”
      a inveja mata.
      Trump ficaria deprimido após uma visita à China.

  9. A esquerda não estava preparada para a luta de classes que a direita impôs. Tem agora que criar novos instrumentos de luta.

  10. E o texto vinha brilhante, como o articulista costuma fazer com crônicas quando os fatos e interpretações estão assentados, até que… “inimigos à esquerda”. Oi? Onde, quem? Uma pena que, depois de fazer uma análise quase irretocável – descreveu a mídia corporativa como se ela fosse jornalismo ainda, e não fosse resultado de uma luta histórica entre verdadeiros jornalistas e os patrões, sempre canalhas, capitalistas que usam do jornalismo para exercer poder político e econômico, onde, quando houve algum respeito às regras do jogo foi como o capitalismo faz com a democracia, enquanto é importante para os negócios, não por qualquer sinal de ética ou espírito jornalístico; fecha, por ora a digressão, a que voltarei depois -, a birra de liberal-conservador – conservador na economia e liberal nos costumes, diz o truísmo -, que defendeu as forças armadas como salvação nacional contra Temer, defendeu a racionalidade de FHC, e até há pouco defendia que o rábula era “apenas” um instrumento – que eu chamo de estrumento – das castas golpistas e não seu mais eficiente representante exatamente por essa aura de “bom moço” anódino cujo veneno se esconde sob a caricatura de conge com voz de Salsicha, rs, mas se espalha de maneira fria e calculista – sabe-se lá porque os USamericanos o escolheram para comandar o Golpe?
    Sobre o jornalismo, que sempre me interessou enormemente apesar de eu nunca ter tido interesse em exercê-lo como profissão – como as artes cênicas, a música, o esporte, enfim, mera diletante, mas exigente, tipo mãe de miss, rs -, o que não se pode esquecer, caro sr. Nassif, é a história mundial, e principalmente brasileira, de uso das informações e da formação de convicção pública – esses guris que estudam jornalismo leram A apologia de Sócrates, de Platão, sobre o julgamento do “filho da parteira”? , se leram, entenderam? – como método de manipulação, acesso e manutenção de poder de toda ordem – político, econômico, intelectual, “anímico” (depois que virou jargão dos pseudointelectuais da bola, pode ser mal interpretado, ops, culpa do jornalismo esportivo e seu discurso seboso e marqueteiro?), em suma, como dizem, de corações e mentes.
    Como começou o império dos Marinho (Globélica) e qual foi, SEMPRE, sua participação fraudulenta, sabot(r)ágica, cínica, na história do país?; e sempre tolerada por muitos como “civilizada”, sem que pagasse pelos seus crimes, porque soube se camuflar em discursos demagogos e oportunistas de “direitos civis” e bom mocismo a subverter e cooptar as lutas sociais sempre que essas obtinham, a duras penas, reconhecimento e apoio da sociedade, mas apenas como marketing e em contradição direta com sua permanente atuação opressora; basta lembrar de dois casos emblemáticos e recentes nessa área, como a denúncia de racismo contra um jornalista reacionário que pagou sozinho o pato do racismo estrutural da emissora, e de assédio sexual de um seus mais famosos atores, que também pagou sozinho pela negligência da emissora, que conforme relatado pela denunciante teria sido o motivo que a levou a divulgar o caso para cobrar da emissora, e não apenas do ator, que agisse para resolver o problema e não mascará-lo (ops, pedir isso da Globélica é como pedir ao escorpião, da fábula a que se referiu o articulista, que não o seja, impossível porque é SUA NATUREZA E FINALIDADE).
    O que os jovens jornalistas devem aprender, e digo isso como potencial vítima de seu trabalho, rs, é como o jornalismo se encaixa na luta de classes, na dinâmica capitalista e periférica de país com atavismo colonial das elites e autocolonizante de todos, a história de patrões e empregados, a conciliação, as disputas, como o jornalismo se construiu no Brasil e sob quais influências, para entender por que gerações de gente culta e/ou perspicaz (nem sempre andam juntos) e de espírito crítico, corajosa e independente na medida do possível, foi substituída por obedientes leitores de teleprompters (não sei se há, mas uma pesquisa com jovens recém formados e das últimas gerações, para saber seus sonhos, suas ambições e decepções, o que os levou ao jornalismo, o que esperam dele e o que fazer com ele, poderia nos mostrar como a mentalidade neoliberal influiu no fortalecimento do autoritarismo e na disputa de poder estatal paralelo genéticos do jornalismo nacional; o jornalismo aqui sempre disputou ferozmente com o povo o papel de sujeito da pressão política sobre os poderes oficiais, e com estes disputou o papel de donos do cabresto sobre o povo, ou seja, o jornalismo aqui nunca se prestou, salvo as exceções que confirmam a regra, a seu papel de vitrine independente e responsável da vida da sociedade, esse o problema, nunca quis ser jornalismo, usou dele para outros fins, e há cada vez menos espaço para quem o queira e faça.)
    As coisas que o sr. Nassif enumera não caíram do céu, ou subiram à superfície do inferno, sem que houvesse uma história que permitisse a esses fdp ter certeza – porque sabiam, como disseram vários GGNistas brilhantes, não foram ingênuos, sabiam muito bem o que estavam fazendo -, porque foram atrevidos e contaram com a amnésia, as anistias generosas, e conciliacionismo cínico daqui, que poderiam forçar a barra sem arcar com as consequências – PORQUE NUNCA PAGARAM POR SEUS CRIMES.
    É interessante e alvissareiro que o articulista demonstre fadiga com o conciliacionismo anistioso em sua própria seara – pimenta no angu dos outros é refresco? -, porque se ninguém pagar as consequências de suas escolhas deliberadas de cometer crimes contra o país – seu povo, suas instituições organizacionais e simbólicas, incluído aí o jornalismo, sua história e seu futuro (os fdp da Globélica têm seus bilhões em paraísos fiscais, por que se preocupariam com um país que não é mais do que a sua galinha de ovos de ouro? – sabem que fora daqui não poderiam agir como aqui fazem e são tolerados, sem medo de guilhotina… e é apenas por isso que ainda aqui continuam, e talvez por isso, por não poderem abandonar sua fonte de poder econômico e político pra desfrutar do mundo, devotam tanto ódio ao que os cativa, rs… ) – tudo continuará sempre pior que os infernos de Dante(s), no quartel dos meliantes, as elites, que matam esse país desde sempre. Por quanto tempo a Fênix Brasil resistirá?
    Não adianta esperar que setores façam sua autocrítica e, como entes sacrificiais, o façam pelo resto.
    Não.
    Todos nós, as esquerdas, o jornalismo, o sistema de justiça, o povo, a classe política, os cidadãos comuns com algum poder de interferência real nas decisões que afetam a coletividade, as elites com um pouco de vergonha na cara, todos temos que fazer a autocrítica que nos cabe, mas não como penitência religiosa que não incide sobre a correção de rumos, e se torna apenas um ritual de repetição, inútil para a reforma íntima ou pública de fato.
    Precisamos combater todas as desigualdades, e a de atribuição e cobrança de responsabilidades é das mais importantes, porque lição cívica e meio efetivo de equilíbrio social e de justiça reparadora.
    Precisamos de um memorial dos Golpes no Brasil, mas quem se atreve? A última vez que se tentou, timidamente, com a Comissão da Verdade, com a guerreira a que não se faz justiça, a última presidenta legítima quando ainda éramos um país, Dilma Rousseff, os esqueletos no armário da História ganharam vida de zumbi e nos trouxeram até aqui, de volta a 1964 numa viagem arqueológica sem o glamour de Indiana Jones. Não é fácil passar a limpo 519 anos de história tortuosa e torturante que se complica a cada conciliação feita por cima das classes – duplamente, por cima da luta de classes e pelas classes de cima – e por baixo dos panos. Mais difícil sem o pão e o circo – os dois, pela hora da morte, gourmetizados: mais uma historinha de conversas entreouvidas, bisbilhotadas, rs (meu teatro é o da vida real), nos transportes públicos, duas moças conversando à noite no metrô, a de sotaque carioca – adoro sotaques, como tempero da personalidade e da expressão – menciona ocasião em que convidada pela chefe para uma badalada padaria gourmet, sem prever a conta astronômica, que pagou, e o constrangimento da chefe, pago em cesta de pães caríssimos apenas para uma semana, a que a contraparte paulista iniciou a conclusão de ambas, bem humoradas e irônicas, de que o aluguel e a conta de luz não poderiam ser pagos em pães, rs. Se para a classe média tá difícil, imagina pro povo?

    Sampa/SP, 03/07/2019 – 13:10

    • É seu Nassifão,como acredito que seu dia só tem 24 horas,o pessoal resolveu tirar um sarro com sua juba.Today você não conseguiu nem pentea-los.A turma daqui tem a quase certeza que editor de Blog prima por ser desocupado.

  11. Ontem Jessé de Souza falou para um plateia franco-brasileira de forma muito direta sobre como devemos agir para mudar a narrativa que se tem hoje no campo das ideias. Porque é de la, das ciências e de quem paga por ela, que vêm as ideias que pensamos ter espontaneamente. Jessé de Souza, como Jean Wyllys, como Marcia Tiburi, como Débora Diniz e uma grande lista de mais ou menos anônimos, esta exilado na Europa e, o diretor do Instituto de Altos Estudos da América Latina anunciou ontem que o sociologo brasileiro sera o novo professor da entidade, no proximo ano escolar francês, como parte do programa de bolsas que o IHEAL oferece para professores exilados. Essa é uma realidade do Brasil neofascista que a imprensa não quer tratar. E a narrativa de que Moro é heroi, um juiz sério, anticorrupção, pelo que se lê e ouvimos, vai ainda perdurar, senão lutarmos contra ela. E Lula continua preso injustamente. Até quando ? Se não formos para as ruas, ele continuara preso e nos mesmos presos dessa bolha.

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  12. Como costuma dizer – e acho que tem razão – Fernando Brito em seu “Tijolaço”, as instituições, como um todo, levaram décadas para se recuperarem. Ou seja, este debaclê geral não será fácil de colocar de pé!

  13. Se a imprensa foi investigativa um dia, ficou muito tempo atrás, desde muito tempo ela tem sido harmoniosa e até condescendente com pessoas poderosas politicamente que praticam a corrupção, tudo em nome da boa convivência e das verbas destinadas a propaganda que sempre privilegiaram as grandes redes de comunicação que tiveram seus cofres cheios, e aos jornalistas declaradamente de esquerda, ao que parece, é a grande maioria. Com isso fica prejudicada a verdade, já que, depois de tantas descobertas de crimes de corrupção, e os “egrégios” jornalistas nunca tinham ouvido falar de toda essa roubalheira, e o pior, depois de descoberto, de colocam inflexívelmente ao lado dos algozes do país. É por isso que grande da imprensa perdeu a credibilidade.

  14. -> Mas o passado recente sempre voltava para atormentar e ele atendia pelo nome de Sérgio Moro e da Lava Jato.

    como já o disseram Janot e Barroso: “2016 não acaba. É a era de Aquarius ao inverso”. são as “trapaças da sorte”.

    o passado insiste em não passar. ainda dura. sempre volta. retorna e retorna mais uma vez. o reprimido se reapresenta sob a forma de sintomas mórbidos.

    o sistema de poder e seu respectivo arcabouço institucional expiraram sua validade em Junho de 2013.

    desde então um Brasil em transe vaga num asfixiante vácuo.

    para a camada central do núcleo do setor dominante brasileiro, banqueiros e exportadores de commodities, não há outra opção: o avanço das contra-reformas e da expropriação do patrimônio público exige um regime abertamente ditatorial.

    mas como implementá-lo, a não ser por se desfazer completamente de todos os finos e perfumados véus recobrindo uma hipócrita aparência democrática?

    ousarão atravessar o Rubicão?

    para a maioria da população, também não há outra opção: apenas cruzar o Rubicão, para refundar uma República autenticamente baseada na participação popular.

    ousaremos?

    -> Sérgio Moro é acometido pela síndrome do escorpião e atravessa o Rubicão, valendo-se do COAF para retaliar o jornalista que divulga suas falas.

    sim, é verdade.

    mas, afinal, nesta fábula, na qual todos nos tornamos personagens, quem é quem?

    Sérgio Moro seria o escorpião ou o sapo? os banqueiros e os exportadores de commodities serão o escorpião, e nós o sapo?

    ou:

    – a travessia do Rubicão está sendo feita na barca de Caronte. e sejam sapos ou escorpiões não haverá qualquer misericórdia divina, todos serão impiedosamente incinerados nas chamas do rio do inferno.
    .

  15. Sérgio Moro, em sua alucinação, devaneio, sonho de Ícaro, sempre sonhou entrar para a história, mas como dizem por ai, cuidado com aquilo que você pede, pode se realizar. Pois então, Sergio Moro continuará famoso, não será por exemplo da forma que profetizou Deltan Dallagnol, que tinha visões de Moro agitando a massa, arrastando multidões. Sergio Moro entrará sim na história, e estará nos livros de história, sua história, meio que misturada com a história do Brasil e obviamente com a história do Lula e da própria Lava Jato, estarão nos livros de Direito e de jornalismo. Nos livros de direito, Moro será matéria de estudo, de como não usar os processos judiciais, para perseguir inimigos, alimentar egos, fazer política partidária, cometer crimes e manipular a massa. Já e ainda nas faculdades de direito os futuros advogados e eventualmente magistrados aprenderão que, juiz não tem lado, partido e que, um juiz diante de um réu, seu inimigo visceral, deverá se abster de julga-lo. Já nos livros de jornalismo, nossos futuros jornalistas terão Moro e a atuação de nossa imprensa, principalmente a Rede Globo e todos os seus pingentes e assessórios, de jornais de papel à TV a cabo, de revistas semanais à emissoras de rádio, onde em 2003 iniciou sua cruzada contra a vontade do povo brasileiro, praticou um jornalismo de guerra, omitindo fatos, ignorando atos do governo, entre obras e projetos exitosos dos governos do PT,só mostrou aquilo que era impossível de se esconde, grandes obras, auto estima do povo nas alturas, horizontalização do mercado consumidor, inclusão dos mais pobres, revolução na educação, melhoria de vida de um modo geral. Eis que a Rede Globo trabalhou para destruir tudo o que era feito, tudo sempre teve um senão, e claro, um batalhão de especialistas, para defenestrar qualquer tentativa de democratizar o estado e o acesso a bens de consumo e qualidade de vida. O pobre ter direito a um prato de comida, o trabalhador comum ter direito de viajar de férias de avião, acesso a roupas, a um passeio no shopping, logo enfrentou o fenômeno dos rolezinhos e, pior, progresso causa inflação, a princípio o primeiro demônio escolhido como bandeira para derrubar o governo, somente depois de algum tempo, vendo que por estas vias não conseguiriam faze-lo, iniciaram, se utilizando das mãos sujas, da vaidade, ambição, do egoismo, da ignorância jurídica de Sergio Moro, iniciaram sua cruzada contra o monstro chamado corrupção, conseguiram destruir qualquer legado positivo que poderiam ter vindo da Copa do Mundo e Olimpíadas. O Brasil não podia dar certo, de desse, eles nunca mais conseguiriam tirar o PT do governo. Nossos futuros jornalistas aprenderão, com este fato contemporâneo, algo que já foi dito muito la trás, que: Você pode enganar um pessoa por muito tempo; Algumas pessoas por algum tempo; mas não consegue enganar a todos, o tempo todo.

  16. Não saberia dizer se alguém afora o acima assinado,registrou no IBN -Instituto Brasileiro de Neologismo a expressão “Conglomerado Mafimidíatico”.Quero crer que não.Pois bem,há muito tempo deixamos de ter Mídia no Brasil,na exata acepção da palavra.As grandes empresas de comunicação do País adentraram para categoria de “Industrias da Construção Leve,Média,Pesada e até Naval,Comercios por Atacado,Varejo e congêneres,o escambau de Mussurunga”,sob o manto de mídias.Para aferir minha afirmação,basta que olhem para os lados.Esqueceram de um detalhe:Todo “negócio” envolve risco,certo,principalmente com avanços tecnológicos no ramo da Informática,como nomes que chega perto de palavrões,certo? Como “Mídias”,todas elas estão quebradas ou a caminhão de uma coisa chamada de recuperação judicial.A Record ou Iurd,e o SBT,estão ancoradas nos cofres bozonianos.As Organizações Globo se encaixa perfeitamente na fabula do escorpião,tão bem sacada pelo senhor editor,registrando que o resto pouco conta.A Nassif aproveito para avisar,não só a ele mas os que honrosamente me leem,que o Rubicão secou muito antes do São Francisco.E agora José,para onde?

  17. Saiu mais uma paródia, rs.
    Aberta à colaboração “não premiada”, apenas solidária, rs.

    Da música do Criolo, uma que gosto pra k…aramba, rs.

    Criolo “Grajauex”
    https://www.youtube.com/watch?v=eM4Bh5Equ2g

    “The Vaza Jatex

    Tirano Moro rex
    Armou o triplex
    No MPF, co’s moleques, conspirou, uh, uh
    É o Playboy na berlinda, é Telegram não é
    Telex
    E no avião o pó branco, é engano do Sedex
    Se fosse na favela, os milicos iam descer o cacetex
    Os farda verde-oliva que não tem vergonhex
    Seus ídolo das antiga torturador repelex
    Pra fugir da verdade vem com papo furex
    Pra zurrar na rua com os bolsominion sem córtex
    E as conges deslumbradas, onde anda agora, fugex?

    Glenn e o The Intercept
    Vazaram que o triplex
    Complô entre os moleque e os delatôr

    No Vazajatex
    Do Moro caiu o triplex
    Complô no MPF com o Janot

    Os irmão que não sabe ainda assiste a Globlex
    Que mete o lôco pra defender seus truta de golpex
    Se enrolou com o parcex, o caso Fifa é assombrex
    Se a eleição é manipulação, democracia é ilusão para calar a raléx
    A responsa de resistir e a crise que se torna complex
    The US is our enemy, em Golpes são experts
    Na democracia em vertigem, o Vertix só piora o vórtex
    Hemisfério sul, retrocesso com a elite demodex
    Aqui os golpistas dão rolê de Rolex
    Na Paulista pros coxinha a polícia passa o panex
    É pano perfex, filho, coisa de rico…

    O tirano juizex
    Pros inimigo a dura lex
    Pros aliado, o conge do Coiso abafou
    Vazou o the Intercept
    Que o conge famosex
    Armou c’os moleque e os delatôr

    Contra o the Intercept
    Sabotage do juizex
    A PF, o Coaf, e famiglia Globô, uh, uh

    Em Curitibex
    Delação elastex
    No TRF, medrô desembargadô ”

    Sampa/SP, 03/07/2019 – 18:25

    • Paródia como o vazamento e o Golpe em curso, work in progress – or regress, rs.
      1 – A risada de Rabugento ao final de todas as frases no comentário anterior (os rs), rs, podem ser como o PT no Intercept, o sinal do conluio: rs=rússia, hahahahahahahahahahahahahahaha, infinitos. Ou código morse do Telegram, vai saber a minha verdadeira identidade…

      2 – segue a nova e provisória versão dos fatos, digo, dos versos da paródia, rs (ops). Em algumas palavras, para fazer a rima foi alterado o acento tônico (córtex, vórtex, etc).
      Enjoy, ou enjôe, rs (ops, estou soluçando).

      “The Vaza Jatex (The Jam satis est), versão parodística de Grajauex (Criolo), by me, Cristiane Vieira.

      Tirano Moro rex
      Armou o triplex
      No MPF, co’s moleque, cons-pirou, uh, uh
      É o Playboy na berlinda, é Telegram não é Telex
      E no avião, o pó branco, é engano do Sedex?
      Se fosse na favela, os milico ia descer o cacetex
      Os farda verde-oliva que não tem vergonhex
      Seus ídolo das antiga, torturador repelex
      Pra fugir da Verdade vem com papo furex
      Pra zurrar na rua com os bolsominion sem cortex
      E as conge deslumbrada, onde anda agora, fugex?

      Glenn do Intercept
      Vazou que o triplex
      É complô entre os moleque e os delatôr

      No Vazajatex
      Do Moro caiu o triplex
      Complô no MPF com o Janot

      Os irmão que não sabe ainda, e cadiquê assiste a Globex
      Que mete o lôco pra defender seus truta de golpex
      Se enrolou com seUS parcex, o caso Fifa é assombrex
      Se a eleição é manipulação, democracia é ilusão para calar a raléx
      A responsa de resistir e a crise que se torna complex
      The US is our enemy, em Golpes são experts
      Na democracia em vertigem, o Vertix piora o vortéx
      Hemisfério sul, retrocesso com a elite demodex
      Aqui os golpista dão rolê de Rolex
      Na Paulista dos coxinha, passa pano os gambex
      É pano Perfex, filho, coisa de rico…
      Com tirano juiz-ex
      Pros inimigo, a dura lex
      Cu’s aliado, o conge do Coiso não melindrou
      Vazou no Intercept
      inter amicos non esto judex
      O conge, os moleque e os delatôr

      Vazando castigat Morex (ridendo castigat mores)

      Contra o The Intercept
      Sabotage do juiz-ex
      A PF, o Coaf, e a famiglia Globo

      Em Curitiba, a Vaza Jatex
      E as delação elastex
      No TRF, medrô desembargadô”

      Sampa/SP, 03/07/2019 – 21:01

  18. Caros tá tudo dentro do previsto.

    A elite “brasileira” está, neste momento, fazendo grandes negócios com o estado.

    O país em crise, Governo fraco, desorientado e de tendência liberal é o melhor dos mundos para esta turma.

    O sistema Globo de comunicações dá prejuízo, mas, A globopar, que a tudo controla dá lucro na casa dos BILHÕES.

    E a ralé, A classe média, entre estes nós, discutido o imponderável é rodando atrás do rabo .

    E a máquina de fazer dinheiro fazendo Mais dinheiro. Pois, a nação em crise significativa que recursos estão faltando no bolso da ralé é classe média, mas, se falta aquí é pq foi para algum lugar.

    Bingo..foi para algumlugar.

    Leia a Forbes dos próximos anos e verá para onde foi o espólio da “crise”.

    BOZO, moro, LULA, eu e vc somos pião neste tabuleiro.

  19. Excelente explanação da conjuntura atual gosto muito de observar suas sínteses bem analisadas e de lógica irrepreensível parabéns Luiz Nassif sou seu admirador pelo seu inestimável trabalho jornalístico por isso estou assinando as notificações do GGN.

  20. Concordo em parte. Luís, gosto muito de acompanhar tua interpretação sobre os fatos, contudo, a única coisa que não gosto no GGN é que não há UM comentário que faça um contraponto sobre as reflexões que tu ponderas. Nem mesmo um que seja educado e respeitoso. Acho ruim isso. Parece que os comentários são totalmente selecionados, e acho que isso acaba prejudicAndo justamente o contraditorio. Gostaria que eu não fosse só mais uma que tem o comentário descartado por não concordar plenamente com as ideias. Esse retorno é só uma sugestão com a única intenção de melhorar o debate, incentivar a reflexão sobre outros pontos de vista! Um abraço da tua leitora!

    • Para Renata
      O que faz a felicidade de um ambiente é a compatibilidade, e ela se estabelece espontaneamente, na medida do estado de ânimo de seus frequentadores.
      O que sucede é que os contraditores simplesmente não se sentem à vontade no ambiente e vão saindo.
      Se você observar, há sim, comentários e comentaristas dissidentes – alguns antigos e assíduos frequentadores- cujos comentários o GGN não se furta de publicar.
      Para quem aprecia conflitos sempre haverá sites bem mais interessantes.

  21. Grande Nassif fala “à esquerda e à direita” significando os dois lados, e não se referindo à orientação política. Assim entendi.

  22. Estão protegendo a Lava jato de todas as formas,inclusive esta estória de Moro e Moro, Moro, Moro muda o foco e afasta da Lava jato, até a mídia tradicional incrivelmente percebeu e não citou hj operações dela pra não gerar debate,é o diabo fugindo da cruz,vejam bem,após a votação da previdência toda a esquerda política será dizimada num processo muito parecido com os tucanos,será o xeque-mate da direita/extrema-direita pois as bases da esquerda estão muito politizadas e não perdoarão falhas !!!

  23. Caro Nassif o seu texto trás um apanhado preciso e impactante sobre tudo aquilo que vêm acontecendo até o presente momento,e sem deixar de observar a busca inteligente que a sua explanação faz ,dos acontecimentos cinzentos e delicados ,que estavam por vir desde a grande onda de manifestos pré-impeachment “golpe” mesmo que nos fizeram chegar ao ponto em que nos encontramos !!!
    Parabéns pela enciclopédia com a qual o senhor nos blinda a cada matéria ***

  24. Nassif, Falou e Disse! No dia pós vaia à JMB no Maracanã, em que nos despedimos do nosso amado João Gilberto, um sopro de esperança

  25. Há pelo menos 15 anos que parei de ler toda a mídia hegemônica e só uso a tv para ver filmes em DVD ou Blu-Ray. Me informo através dos noticiários dos blogs e da mídia estrangeira independente.

  26. + comentários

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