Em um cenário global marcado pelo avanço acelerado da extrema-direita, pela crise da social-democracia e pelo esgotamento do capitalismo financeiro em direção à economia de guerra, a TV GGN recebeu o sociólogo e pensador português Boaventura de Sousa Santos para uma conversa profunda e urgente sobre os rumos da política mundial.
Entrevistado pelo jornalista Luis Nassif, o professor comentou o lançamento de seu novo livro, Dicionário insubmisso para o século XXI (Editora Kotter), e analisou como o enfraquecimento das democracias e o colapso dos referenciais sociais estão abrindo espaço para o surgimento do que define como um “fascismo de rosto humano”.
Guerra, extremismo e a perda de rumo do Ocidente
Durante a entrevista, Boaventura apontou que a extrema-direita não usa mais a democracia para preservá-la, mas para destruí-la por dentro. Para o intelectual, vivemos um período de transição violenta, onde a crise do capital financeiro migra diretamente para o investimento massivo na indústria das armas.
“O crescimento da extrema-direita é basicamente o resultado de um avanço tão agressivo que se tornou incompatível com a democracia. Ela usa a democracia para chegar ao poder, mas, quando chega, não a exerce”, diz Boaventura durante participação no programa TVGGN 20 Horas.
Entre os principais tópicos debatidos no programa, destacam-se:
- O avanço da extrema-direita na Europa: O branqueamento do passado fascista em Portugal e a ascensão de discursos populistas.
- A disputa geopolítica EUA vs. China: A doutrina imperialista norte-americana e os rearranjos do Sul Global diante do fortalecimento chinês.
- A destruição ideológica: Como a captura do debate público pelas redes sociais, pela mídia de massa e pelo uso político da religião sufocou as alternativas de esquerda.
- Lawfare e testes eleitorais na América Latina: O uso da inteligência artificial e de reformas judiciais como ferramentas de manipulação e controle político na região.
Confira a entrevista completa pelo link abaixo:
Fábio de Oliveira Ribeiro
24 de julho de 2026 2:49 pmExiste uma ironia que poderia ser explorada por Boaventura de Souza Santos. Todo o sistema político, econômico e militar dos EUA está agora empenhado na construção de data centers e na aceleração da revolução em IA e robótica — incluindo robôs humanoides, bem como veículos autônomos, robôs de entrega e muito mais. Incidentes de violência urbana contra robôs, roubos e ataques a data centers, além de invasões cibernéticas a veículos autônomos e robôs, já se tornaram realidade nos EUA, e a situação tende a piorar. A polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, e o ciberespaço é um ambiente onde o policiamento preventivo é praticamente impossível. Recentemente, um homem foi preso durante o fim de semana após vandalizar um táxi autônomo da Waymo, que estava vazio, no meio de um cruzamento movimentado em East Hollywood; um vídeo feito por um transeunte registrou o suspeito subindo no teto do veículo sem motorista, quebrando o para-brisa e arrancando os sensores. Isso é apenas um sintoma de uma tendência mais profunda destinada a dominar o cenário nos EUA : o número de norte-americanos que estão — e se sentem — excluídos da vida econômica e política provavelmente crescerá à medida que a riqueza e o poder se concentram cada vez mais nas mãos de poucos, impulsionados pela IA, robôs, data centers e tecnologias. O governo Trump já mostrou que está disposto a criminalizar qualquer reação ao grande projeto político, econômico, tecnológico e militar em curso. Todavia, o resultado da repressão é sempre duvidoso especialmente quando nenhum alívio real é proporcionado à população. Até mesmo os apoiadores do presidente dos EUA terão que pagar energia elétrica e água mais caro e nem todos eles estão em condições de fazer isso. Nenhum tipo de alívio será possível enquanto as guerras seguirem em frente e as tarifas encarecerem produtos importados pelos EUA. O custo das tarifas pesa mais no lombo dos norte-americanos do que no das populações dos países exportadores de mercadorias sobretaxadas por Donald Trump. O grande salto afrente trumpista pode acabar se tornando um grande fracasso capaz de gerar grande instabilidade política que nem mesmo uma ditadura seria capaz de suportar. Muita ambição e falta de juízo aliada ao desprezo pelas necessidades das pessoas comuns pode levar ao caos e à uma verdadeira e imprevisível revolta popular nos EUA. A conferir…