Bolsonaro rifa Moro antecipando o “ritual do beija-mão” de senadores

Se quiser ser ministro do Supremo, Moro terá de conseguir 41 votos no Senado. Como fará isso ao mesmo tempo em que insiste em aprovar um pacote anticrime e medidas que desagradam parlamentares?

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Jair Bolsonaro submeteu Sergio Moro “desde já ao ritual do beija-mão”. Se quiser a vaga no Supremo Tribunal Federal, terá de convencer 41 dos 81 senadores, que irão sabatiná-lo e votar sua nomeação, em sessão secreta. Moro fará isso ao mesmo tempo que pressiona o Congresso para aprovar o pacote anticrime?

O momento em que Bolsonaro decidiu renovar o compromisso com Moro tampouco foi oportuno. Faltam mais de 18 meses para abrir um vaga no STF, com a aposentadoria do decano Celso de Mello – isso se o Congresso não aprovar a PEC da Bengala e aumentar de 75 para 80 anos a aposentadoria dos ministros.

No passado, os indicados ao STF tiveram de peregrinar de gabinete em gabinete em busca do convencimento dos senadores. “Mas nunca com tanta antecedência. No jargão da velha política, exposição prematura leva o nome de fritura.”

“Se de fato trocou Curitiba apenas por uma vaga no Supremo, Moro agiu como um deputado do centrão: hipotecou sua imagem para lustrar um governo em troca de uma sinecura. O discurso era só discurso.”

A opinião é de Luiz Weber, constitucionalista e mestre em ciência política, além de secretário de redação da Folha em Brasília.

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