Nos últimos dias, o El Niño voltou com força às manchetes, tendo em vista que os centros meteorológicos internacionais aumentaram as estimativas de probabilidade para a formação do fenômeno climático ainda em 2026. A agência climática americana NOAA calcula mais de 80% de chance de o evento se desenvolver nos próximos meses, e alguns modelos europeus já projetam um aquecimento intenso do Pacífico, comparável ao de grandes eventos históricos.
O alerta ganhou peso extra diante da possibilidade de um evento forte, capaz de elevar o risco de secas, enchentes, ondas de calor e perdas agrícolas em várias partes do mundo.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que reorganiza a circulação atmosférica e altera padrões de chuva, temperatura e vento em diversas regiões do planeta, mesmo em lugares distantes do Pacífico, como o Brasil, países da Ásia e partes da África.
Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste, empurrando as águas quentes em direção à Indonésia e à Austrália e mantendo águas mais frias próximas à costa sul-americana. No El Niño, esses ventos enfraquecem, a água quente se redistribui pelo Pacífico central e oriental, e todo o sistema climático começa a se reorganizar.
Super El Niño
A principal diferença está na intensidade do aquecimento oceânico. Quando a temperatura da superfície do Pacífico Equatorial fica mais de 2°C acima da média histórica durante vários meses, o evento entra na categoria “muito forte”. Foi o que aconteceu nos episódios de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
O termo “super El Niño”, vale destacar, não é uma categoria científica oficial, mas usado informalmente para descrever justamente esses eventos extremamente intensos. A classificação técnica se baseia em séries históricas de temperatura medidas por bóias marítimas, navios e satélites.
A NOAA estima 82% de chance de o El Niño surgir entre maio e julho, e 96% de chance de ele seguir ativo no fim de 2026 e início de 2027. Sobre a força do evento, porém, os modelos ainda divergem bastante.
Parte da incerteza se deve ao período do ano. Entre março e maio, o sistema oceano-atmosfera passa por uma transição que dificulta as previsões, o que os meteorologistas chamam isso de “barreira de previsibilidade”. A expectativa é que as projeções fiquem mais precisas entre junho e agosto.
Para um El Niño realmente forte se consolidar, não basta o oceano aquecer. A atmosfera também precisa responder a esse aquecimento, e os cientistas monitoram justamente esse “acoplamento” entre os dois sistemas.
Aquecimento global
O El Niño é um fenômeno natural que existe há milhares de anos. O aquecimento global não o causa, mas pode amplificar seus efeitos. Com oceanos e atmosfera já mais quentes do que a média histórica, os impactos tendem a ser mais severos mesmo quando a intensidade do fenômeno é semelhante à de décadas atrás.
Na prática, isso significa ondas de calor mais intensas, secas mais prolongadas, incêndios de maior alcance e chuvas extremas com consequências mais graves.
No Brasil, os efeitos incluem aumento de chuvas no Sul, com maior risco de eventos extremos, redução de precipitações no Norte e em partes do Nordeste, maior irregularidade no Sudeste e no Centro-Oeste, e mais ondas de calor. Os impactos mais intensos são esperados entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Na agricultura, o risco maior no Centro-Oeste é o atraso das chuvas, que pode prejudicar o plantio da soja e encurtar a janela da segunda safra de milho. No Sul, o excesso de água também pode causar perdas na colheita. No mercado internacional, culturas como arroz, trigo e milho, importantes na Ásia e na África, podem ser afetadas, pressionando os preços globais de alimentos.
O setor de energia também está em alerta. O Brasil depende fortemente de hidrelétricas, e se os reservatórios receberem menos chuva, aumenta a necessidade de acionar usinas térmicas, que são mais caras, o que pode elevar a conta de luz.
Na saúde, ondas de calor mais intensas representam riscos para idosos, crianças e grupos vulneráveis. A combinação entre calor, seca e queimadas pode deteriorar a qualidade do ar. E mudanças no regime de chuvas e temperatura tendem a afetar o ciclo do Aedes aegypti, com possíveis impactos sobre dengue, zika e chikungunya.
Prevenção
Não é possível evitar o El Niño, já que o fenômeno é natural e não pode ser interrompido. O que está ao alcance dos governos é reduzir os impactos por meio de sistemas de alerta, preparação da Defesa Civil, monitoramento de rios e reservatórios, combate a queimadas, adaptação da agricultura e planejamento para eventos extremos.
O problema, alertam os pesquisadores, raramente é o fenômeno em si: é a falta de preparo para lidar com ele.
Os próximos boletins da NOAA, do INPE e do Cemaden devem atualizar as projeções e indicar, com mais clareza, se o evento de 2026-2027 realmente caminhará para um cenário de alta intensidade.
*Com informações do g1.
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Ulisses Simon da Silveira
23 de maio de 2026 5:47 pmO que ocorreu entre 2021 e 2024 não foi super El Ninho? Secas no Pantanal e Amazônia, queimadas extremas que levaram a cobrir o Brasil todo de fumaça e tempestade de poeira como nunca tinha visto em CG? Então tamos…!
Rui Ribeiro
24 de maio de 2026 9:42 amCom os reatores comerciais que usamos na Terra hoje (reatores de fissão de centenas de megawatts), não é viável explorar Marte. Eles são massivos demais, exigem milhares de toneladas de água líquida para resfriamento e são impossíveis de carregar em um foguete.No entanto, se considerarmos os novos reatores espaciais compactos e experimentais, a resposta muda para sim, é viável, e eles são a chave para a missão. Na verdade, as agências espaciais e o Departamento de Energia dos EUA (DOE) já tratam a energia nuclear como um pré-requisito obrigatório para pisar no planeta vermelho.
Os reatores atuais específicos para o espaço viabilizam a exploração de Marte por meio de duas frentes tecnológicas:
1. Propulsão Espacial (Chegar mais rápido) A tecnologia química atual (foguetes convencionais) exige uma viagem de 6 a 9 meses apenas para a ida, expondo os astronautas a doses letais de radiação cósmica.
O Reator SR-1 Freedom: A NASA programou para dezembro de 2028 o lançamento da missão Space Reactor-1 (SR-1) Freedom, uma nave experimental com um pequeno reator de fissão acoplado a propulsores iônicos (propulsão elétrica nuclear). Corte no tempo de viagem: Ao usar o calor ou a eletricidade nuclear para acelerar o propelente a velocidades extremas, reatores em desenvolvimento conjunto com o MIT pretendem reduzir o tempo de viagem pela metade (cerca de 3 a 4 meses). Isso diminui drasticamente a quantidade de comida necessária e o tempo sob radiação.
2. Energia na Superfície (Sobrevivência) Em Marte, os painéis solares são ineficientes: o planeta está muito mais longe do Sol do que a Terra, e tempestades de poeira globais podem bloquear a luz por meses (o que “matou” os rovers Opportunity e InSight).
O Projeto Kilopower / Fission Surface Power: A NASA concluiu testes bem-sucedidos do reator experimental KRUSTY (Kilopower). Trata-se de um reator de fissão do tamanho de uma geladeira doméstica que utiliza urânio enriquecido e tubos de sódio líquido para gerar de 10 a 40 quilowatts de energia limpa e contínua por mais de 10 anos.
Independência Climática: O Kilopower funciona no meio de tempestades de poeira, durante a noite marciana e em temperaturas de -125°C. Ele fornece a energia pesada necessária para a fábrica de oxigênio e combustível da base.
O Grande Desafio Atual: O Resfriamento no Vácuo Embora o tamanho e a física desses reatores compactos já estejam validados, o maior obstáculo de engenharia para o uso em larga escala (na faixa de megawatts necessários para naves tripuladas) é como jogar o calor que sobra para fora.
Na Terra, reatores são resfriados por rios ou ar abundante. Em Marte, a atmosfera é 100 vezes mais fina que a nossa e não há água corrente. Os reatores espaciais precisam usar radiadores gigantescos de grafite para irradiar o calor excessivo diretamente para o vácuo ou para o ar rarefeito marciano sob a forma de luz infravermelha.
O debate atual na comunidade científica não é se a tecnologia funciona, mas sim se os orçamentos governamentais conseguirão fabricar esses sistemas a tempo de cumprir as metas das próximas décadas.
Se você quiser detalhar os próximos passos, podemos calcular quanta energia uma base tripulada em Marte consome por dia ou analisar como o motor térmico nuclear aquece o hidrogênio para gerar impulso. Por qual ponto prefere seguir?