5 de junho de 2026

“Grande parte da teoria monetária mainstream está errada”, diz André Lara Resende à TV GGN

A conservadora teoria monetária defendida hoje pelo mercado "está baseada em fundamentos que não se sustentam", diz Lara Resende
O economista André Lara Resende. Foto: Antonio Scarpinetti/SEC Unicamp
O economista André Lara Resende. Foto: Antonio Scarpinetti/SEC Unicamp

O economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, ex-presidente do Banco Central e atual coordenador da Comissão de Estudos Estratégicos do BNDES, disse em entrevista ao jornalista Luis Nassif, da TV GGN, que “grande parte da macroeconomia e da teoria monetária mainstream, a majoritariamente aceita [e propagada pela mídia], está errada”.

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Segundo o economista, a teoria está baseada em “fundamentos que não se sustentam” nem na lógica, nem na experiência prática. Um de seus pilares, muito defendido pelo mercado, é que inflação deve ser combatida pelo governo com juros altos.

Na visão de Lara Resende, a hipótese da teoria monetária convencional, de que inflação é causada por excesso de moeda, já deveria estar “aposentada”. Mas o curioso é que a teoria “continua como um fantasma a alimentar grande parte das interpretações políticas e análises que aparecem nos jornais.”

Descrito por Nassif como o “avalista geral da Nação”, Lara Resende tem sido uma das vozes a questionar as decisões do Banco Central sob Roberto Campos Neto – uma herança de Jair Bolsonaro. O Bacen tem sofrido pressão por parte do presidente Lula, que chegou a chamar a taxa Selic anunciada em 13,75% de “vergonha”.

Lara tem endossado a visão de Lula, de que o Brasil se acostumou com uma cultura de juros altos que é simplesmente incompatível com a necessidade de crescimento econômico do País.

Na entrevista a Luis Nassif, Lara falou de teorias econômicas que andou revisando nos últimos tempos, sobretudo porque elas fracassaram em testes práticos; e questionou a postura da mídia e de economistas conservadores, que resistem a reconhecer erros e admitir teorias mais modernas, mesmo que elas afrontem o “status quo”.

“A razão do motivo da resistência a reconhecer que a teoria estava errada e aceitar a crítica é impressionante, mas não é nenhuma novidade. A dificuldade não é aceitar as novas ideias, mas nos livrarmos das velhas.”

A entrevista foi veiculada em setembro de 2021. Também participou da conversa o economista André Galípolo, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, capitaneado pelo ministro Fernando Haddad.

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  1. Anônimo

    21 de fevereiro de 2023 6:53 pm

    É justamente sobre isso que estou escrevendo neste jornal: https://jornalggn.com.br/entenda/elucubracoes-sobre-a-natureza-da-moeda-iii-por-luiz-alberto-melchert/

  2. Célio Ferreira Facó

    21 de fevereiro de 2023 8:25 pm

    Nossas elites nacionais, o caráter delas é atrasado, estúpido! Quase sempre as últimas no mundo a mudar. Em tudo! Antes de decidir apoiar o demente Bolsonaro na eleição, Rede Globo e oligarquias tentaram um juiz corrupto, tentaram um palhaço apresentador. Por último adotaram abertamente o fascismo, o preconceito, a violência. Elites canalhas! Elitezinhas-sacoleiras em Miami!

  3. Célio Ferreira Facó

    21 de fevereiro de 2023 8:31 pm

    Nossas elitezinhas estúpidas ainda acreditam que o salário mínimo dever ser realmente mínimo – só para pão e água! Chamam-se capitalistas, administradores, mas com frequência são flagrados furtando bilhões, quebrando empresas, sonegando impostos. Elitezinhas canalhas!

  4. Mário Mendonça

    22 de fevereiro de 2023 9:17 am

    Incrível como esses pseudos intectuais não tocam na farra dos titulos!

  5. evandro condé

    22 de fevereiro de 2023 4:51 pm

    O André falou o que o xará já falou aqui. Quem tem capital e não quer investir e apenas “emprestar” ao governo (até pq não tem mais a quem emprestar no volume de dinheiro envolvido) vão aceitar a taxa que o BC colocar. Iriam correr atrás de quê?

  6. evandro condé

    22 de fevereiro de 2023 7:56 pm

    1) O Nassif deve lembrar as vezes em que já fez críticas contundentes ao André ( e se este leu, também)
    2) Sentindo uma falta tramenda do AA. ele iria enriquecer os comentários com algum artigo.

    1. Lourdes Nassif

      22 de fevereiro de 2023 8:38 pm

      Evandro, o André Araujo voltou a escrever… dá uma pesquisada no GGN

  7. Rui

    24 de fevereiro de 2023 9:36 am

    “Dos anos 80 em diante, economistas neoliberais (principalmente os da escola austríaca de Mises e Hayek) procuraram restabelecer a hegemonia teórica do aumento do volume de papel-moeda como causa única (e sinônimo) de inflação, tese que veio a ser chamada de monetarismo. Seu próprio êxito parcial pode ser interpretado como decorrente de mudanças do cenário político e social: por exemplo, o enfraquecimento do movimento sindical e o colapso do bloco soviético criaram condições que tornaram menos útil o jogo de aumentos nominais de salário versus inflação. Antes instrumento regulador da luta de classes, agora podia ser substituída pelo confronto direto com as reivindicações trabalhistas. A nova correlação de forças favoreceu os interesses do capital financeiro – cujo interesse como grande credor sem acesso direto a ativos reais é geralmente o da estabilidade monetária – contra o do capital agrícola, industrial e comercial – que, como devedores em dinheiro e possuidores de ativos reais, tendem a ganhar com uma inflação moderada, que além do mais lhes dá mais flexibilidade para manipular preços e salários”. – Antonio Luiz Costa

  8. Rui

    24 de fevereiro de 2023 9:42 am

    Rentistas não lucram tanto com a inflação e pobres perdem menos com inflação do que com taxas de juros estratosféricas.

    “Dos anos 80 em diante, economistas neoliberais (principalmente os da escola austríaca de Mises e Hayek) procuraram restabelecer a hegemonia teórica do aumento do volume de papel-moeda como causa única (e sinônimo) de inflação, tese que veio a ser chamada de monetarismo. Seu próprio êxito parcial pode ser interpretado como decorrente de mudanças do cenário político e social: por exemplo, o enfraquecimento do movimento sindical e o colapso do bloco soviético criaram condições que tornaram menos útil o jogo de aumentos nominais de salário versus inflação. Antes instrumento regulador da luta de classes, agora podia ser substituída pelo confronto direto com as reivindicações trabalhistas. A nova correlação de forças favoreceu os interesses do capital financeiro – cujo interesse como grande credor sem acesso direto a ativos reais é geralmente o da estabilidade monetária – contra o do capital agrícola, industrial e comercial – que, como devedores em dinheiro e possuidores de ativos reais, tendem a ganhar com uma inflação moderada, que além do mais lhes dá mais flexibilidade para manipular preços e salários.” – Antonio Luiz Costa. http://antonioluizcosta.sites.uol.com.br/inflacao.htm

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