O sectarismo da esquerda que se julga autêntica

Dizem que Luciana Genro deu um Show ontem. Bem, pode até ser para quem gosta de barraco daqueles em que crianças fazem rodinha depois da escola para ficar vendo uma briga estúpida qualquer aos gritos de “oê, aê! Vai deixar? Vai deixar?! Aê! Porrada! Porrada! Os debates presidencias só servem para isso. Com tempos minusculos querem o quê? Discutiir mais de 8 milhões de km quadrados comportando mais de 200 milhões de cabeças divididas em diferente retalhos ideológicos? Não dá.

As ideias de Luciana são boas? Sim, mas é desalentador ter que reconhecer que não podemos esperar qualquer tipo de entendimento do jogo atual vndo daqueles que lutam mais pelo título de esquerda autêntica do que qualquer outra coisa. Não, não espere.

A nuvem que paira sobre a cabeça da sociedade incutindo medo do comunismo comedor de criancinhas, etc, tem no seu cerne esse sectarismo que caracteriza, infelizmente a “esquerda  das esquerdas”. A arrogância em dizer que Dilma e o PT são de Direita é a a prova cabal que diálogo não é a praça dessas pessoas. Muitos deles acham até que dialogar é “perda” de tempo porque se corre o risco de ser cooptado pleo Capital. Bem, esse tipo de pensamento soa como fora de lugar uma vez que os mesmo acusam o Governo de ditatorial.

Mas o desapego ao dialogo com ideologias contrastantes não seria algo similar ao sentimento autoritário? Claro que sim. É nesse ponto que imbecis como Jabor, Merval, Constantino etc, fazem a cabeça dos odiadores da Esquerda, a taxando de intransigente, ditatorial, autoritária. É bravata deles? Sim, mas para quem ouve pode não ser.

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Enfim, o material ideológico da Direita para manter na cabeça das pessoas que ser de esquerda é algo ruim vem da intransigência da auto-denominado esquerda de “verdade”. Tem um samba maravilhoso do Zé Luis do Império Serrano, o qual foi gravado pelo saudoso Roberto Ribeiro em que ele dizia que o “Tempo disse que só com o tempo é que a gente chega lá”.  

Infelizmente parece que essa mensagem não é compreendida pela arrogância da esquerda pura. Entenderia a sangria em querer uma revolução por minuto como a incapacidade enxergar que muitos dos avanços de hoje não fora obtidos em apenas uma, duas, três ou quatro gerações. Isso é para desalentar? Claro que não. Isso é para ter consciência e não ficar gritando no vazio achando que sem o diálogo se conquistará algo.

É óbvio ululante que todos queremos um Brasil cada vez menos oligárquico e desigual, mas isto está ocorrendo com a velocidade da Historia e não a nossa velocidade desejada. A Historia é muito mais sábia do que a gente. Sabe que as árvores que crescem rápido demais tem tronco fino e não sã capazes de sustentar tentativas de volta ao passado.

Vejam o exemplo do Bolsa-Família, por anos e mais anos foi chamado de bolsa-esmola, até o ponto em que os resultados de desnutrição, a fome crônica, queda de mortalidade passaram a chamar a atenção do mundo e serem reportados como um dos mais eficientes programas de combate a fome de todos os tempos. A mudança no discurso veio depois de anos e mais anos, e hoje até os candidatos da oposição reconhecem o sucesso do programa. Percebam que depois de muita martelada é que algo se tornou consenso, ou seja, as coisas não acontecem de supetão. Usar palavras de ordens pode ter algum efeito, mas o dialogo buscando a informação é muito mais saudável para conquistas duradouras.

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Critica-se o “consumismo” promovido pelo Governo. Mas, e daí? É proibido consumir? Que direito tenho eu ou outro qualquer mais a esquerda de decidir o que o brasileiro pode ou não comprar? Isso se chama arrogância. A situação no Brasil é curiosa. A Direita midiática acusa o PT de comunismo  e todos os ismos possíveis, mas eh nesse governo que bancos dão lucros atrás de lucros, a massa, dotada de desemprego recorde, consume mantendo a base do sistema capitalista. Ah! Mas isso tá errado, dizem os puristas. E o que está certo? Para mim a única coisa que vale é a redução das desigualdades. Não cabe a esquerda “pura” impor o que devemos ou não comprar.

Toda essa arrogância leva ao espalhamento de adjetivações toscas sobre a esquerda criadas por personagens mais toscos ainda, como a tal “esquerda caviar”. Esse fundamentalismo em querer destruir o Capitalismo hoje e agora e para todo sempre, Amém! Soa tão infantil como a Marina dizendo que é a Nova Política, e por quê? Porque dá margem a patrulha para a pesca das contradições, dá margem para juiz defender idiotas como Danilo Gentili contra “esquerda caviar”.  E sabemos que não há nada de errado em consumir, nada mesmo.

Mas se a esquerda que se julga autêntica ficar no radicalismo nós seremos sempre alvo desse tipo de comentário baseado na contradição de discurso é prática: “vc é de esquerda? Então vá pra Cuba” ou “vc é de esquerda? Então não compre um carro legal”. É dose escutar isso dos Neandertais da Direita, mas a esquerda pura ajuda e muito esse tipo de comportamento. Desse modo, é impossível que adejtivações tais como “a Esqerda que a Direita gosta” sejam condenadas sem antes provocar uma reflexao sobre nos puristas. Não sustentar o ânimo belicioso jamais pode ser visto como algo ruim, como submissao, é salutar. A esquerda autêntica tem que entender que ela não é o último biscoito do saco de bolachas do Marxismo, do contrario continuara a ser vestida de maluca autoritaria, fornecendo materia prima para os idiotas de sempre que, infelizmene fazem a cabeca de muita gente, ainda.

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