5 de junho de 2026

Transparência Internacional tinha receio de ficar de fora do Fundão da Lava Jato

Conluio entre Deltan Dallagnol e TI buscava experiências internacionais para gerir os R$ 2,3 bilhões sem passar pelo TCU
Crédito: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Para repassar dinheiro do Fundão da Lava Jato, resultado dos acordos de leniência de grandes empresas na Operação Lava Jato, o ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, chegou a criar mecanismos para garantir que os valores não tivessem de passar pelo Tribunal de Contas da União (TCU). 

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De acordo com os autos da investigação, que resgataram mensagens trocadas pelo Telegram, Dallagnol pediu à Transparência Internacional (TI) Berlim estudos sobre experiências internacionais em que os envolvidos pudessem gerir as multas ou acordos desembolsados por empresas envolvidas na Operação Lava Jato. 

Apenas do Caso J&F Investimento Social seriam destinados R$ 2,3 bilhões, “provavelmente o maior investimento para a sociedade civil na história do país”, escreveu o ex-procurador da República. 

Equívoco

Ainda nas mensagens, Dallagnol admite que a TI cometeu um erro ao, na pressa, “não incluíram o como fazer” para justificar as movimentações.

“Estava escrito que a empresa precisaria investir em determinadas ações abertas, sem definir o como. Eram 49 áreas, e outros. Recusaram no primeiro momento, mas se ofereceram para criar a governança”, escreveu o líder do esquema.

O ex-procurador escreveu ainda que, inicialmente, a J&F se assustou com os R$ 2,3 bilhões, “mas depois viu valor agregado” e que as ações seriam divididas em 3 etapas: a proposição de um sistema de governança em investimento social; a proposição de estratégia de investimento no sistema anticorrupção; e monitoramento do desembolso do investimento social total. 

“Não é efetividade, auditoria de impacto, mas sim do processo decisório discussão sobre se não descria ir ao FDD assumir não a obrigação de pagar, mas a obrigação de fazer evita passar pelo TCU mas há o risco de virar xmi orçamento de investimento social”, continuou Dallagnol.

Curadoria

Nas mensagens ficam claras ainda as intenções da TI em garantir um papel na curadoria das Fundações MP, o que “daria mais controle ao fundo perene”. 

“TI tem receio de ficar fora da possibilidade de receber recursos. Possibilidade de questionamento do modelo -na J&F há gente querendo dizer que o dinheiro deveria ser usado integralmente para ressarcimento ao erário — mas não ao nosso caso”, conclui o ex-procurador.

O Ministério Público Federal (MPF) já tinha reconhecido anteriormente a participação da TI no esquema em nota publicada no próprio site, em que descreveu que a ONG “seria uma das protagonistas no acordo celebrado com a PETROBRAS, que previa a constituição do chamado Fundão da Lava Jato, no valor de R$ 2,5 bilhões”. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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