28 de junho de 2026

A real PEC da Corrupção. Cadê os Procuradores da República?, por Armando Coelho Neto

A pretexto de se defender do STF, a Câmara tenta aprovar a verdadeira PEC da Corrupção, batizada pela grande mídia de “PEC da Impunidade”.
Brazilian National Congress - Brasilia, Distrito Federal, Brazil

A real PEC da Corrupção. Cadê os Procuradores da República?

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por Armando Coelho Neto

Não era por 20 centavos, por moralidade, respeito aos cofres públicos. Ou seria por carreirismos, corporativismo, falsa intenção nobre e ou informação privilegiada do que mais tarde se revelaria golpe de Estado? O assunto é a tal PEC 37/2011, um tema que Procuradores da República levaram às ruas durante o golpe contra Dilma Rousseff, embora a grande mídia carinhosamente tenha chamado de impeachment.

“Quando me perguntam a quem compete investigar, eu vou no Art. 144 da Constituição e respondo:  à polícia judiciária”, dizia o advogado Luís Flávio D’Urso. Para responder se Ministério Público poderia investigar, mostravam um parecer aqui, uma decisão isolada ali, fragmento disso ou daquilo, completava ele, não necessariamente com essas palavras. O MP é titular da ação penal. Simples assim.

A PEC 37 apenas diria quem faz o quê, mas transformou-se em batalha. Partiram até para insultos: quem pode mais pode menos. Se cão farejador investiga, por que procuradores não? Os arroubos e bravatas de policiais e procuradores enveredaram pelas fogueiras das vaidades. A PEC foi como “pedalada”, que até hoje o povo não sabe o que é. Em clima de golpe, virou a PEC da impunidade e da corrupção.

Fora Dilma, fora Lula/PT, ao som de vuvuzelas, palavras ofensivas à então Presidenta, a PEC 37 virou placas e faixas nas ruas, misturando-se com outras contra o “rebaixamento de Plutão”, “Quero voltar pra Disney”, “Manda Nudis”. Já ali, não custa lembrar, havia cartazes pedindo intervenção militar, “SOS Forças Armadas”, com a violenta presença do grupo terrorista jabuticaba “Black Bloc”.

E, claro, entrou em cena a mais antiga neurose e ou o mais antigo fantasma: comunismo. Junto e misturados, o movimento acabou derrubando a PEC 37 na Câmara Federal. O Ministério Público assegurou a condição de vestal, sob acusação de policiais de que queria fazer investigações seletivas e midiáticas. Mais tarde, na Farsa Jato, outros procuradores desempenharam estranhos papeis. Deltan?

A questão é oportuna. Está em curso na Câmara Federal projetos que garantem impunidade para o crime organizado, presente em todas as instâncias públicas (?). Do obstáculo à tributação de grandes fortunas ao favorecimento de organizações criminosas, da impunidade de parlamentares à proteção de espúrios financiadores de campanha. Ceus! Até anistia para atentado ao Estado Democrático de Direito.

O pacote de impunidade em curso na Câmara além de inconstitucional soa como confissão antecipada de culpa, de reconhecimento de que lá existe criminosos que devem ser protegidos. É forte o espectro de conivência com eventuais políticos criminosos e ou que lá estão financiados pelo mundo do crime. É essa a imagem que os pretensos representantes do povo querem passar para a sociedade?

A desproporcionalidade entre os valores declarados por políticos como doações e o nível das campanhas publicitárias são fortes indicadores de financiamento ilegal, e que crime organizado exerce forte influência na eleição de políticos. A recente operação da Polícia Federal revelou influências e movimentações financeiras do PCC na Faria Lima (Farinha Lima?) e pagamento de propina para a política.

Na Câmara, há nítidos sinais de dinheiro sujo nas campanhas, blindagem de bandidos. A sabotagem na taxação do Pix, Fintechs, descasos ambientais, silêncio sobre ataques à soberania, o banditismo explícito de quem fora do Brasil para tudo isso tem nome: crime organizado na política. A quem os Chupetinhas da vida e outros traidores pretendem proteger? O dinheiro sujo banca a corrupção, ora!

Na “vibe” da vaca, que faz aquilo e anda, o Congresso não está nem aí com o conceito negativo que tem, com a imagem colada à golpistas, estelionatários, a seus pares corruptos condenados, a lavadores de dinheiro, traficantes, pedófilos, traidores da Pátria. Não à toa 78% dos brasileiros acham que lá se defendem próprios interesses, segundo pesquisa do DataFolha divulgada no mês passado.

A pretexto de se defender do STF, a Câmara dos Deputados tenta aprovar a verdadeira PEC da Corrupção, gentilmente batizada pela grande mídia de “PEC da Impunidade”. É nesse momento que aflora a saudade das vestais do Ministério Público Federal, que, diga-se de passagem, continuaria com suas atribuições constitucionais, fiscal da lei e das ações da PF com ou sem a repudiada PEC 37.

Se por alguma razão impeditiva estão silentes, por que tais razões inexistiam no passado? Aguardemos a propaganda no horário nobre e as placas nas ruas.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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  1. Milton

    10 de setembro de 2025 8:33 am

    E o pior de tudo – se for possível – é que entramos no “novo normal”: dinheiro sujo sendo lavado com as barbas do BC – foi “surpreendido pelas “fintechs !!” o povo todo sabia MENOS o BC – para que os “pais da pátria” sigam corruptos e anistiados desde criancinhas. Aqui como no resto do mundo o que vale é dinheiro no bolso ou em apartamentos-cofre. A transição nos valores que hoje observamos é a cena para que o pior saia das fossas. Vivemos tempos tristes mas interessantes. Mais adiante o esgoto chamará os seus e, creio, a humanidade retornará a seu pedestal. Como as marés as águas vão e voltam e a espuma se finda na areia do tempo.

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