
A real PEC da Corrupção. Cadê os Procuradores da República?
por Armando Coelho Neto
Não era por 20 centavos, por moralidade, respeito aos cofres públicos. Ou seria por carreirismos, corporativismo, falsa intenção nobre e ou informação privilegiada do que mais tarde se revelaria golpe de Estado? O assunto é a tal PEC 37/2011, um tema que Procuradores da República levaram às ruas durante o golpe contra Dilma Rousseff, embora a grande mídia carinhosamente tenha chamado de impeachment.
“Quando me perguntam a quem compete investigar, eu vou no Art. 144 da Constituição e respondo: à polícia judiciária”, dizia o advogado Luís Flávio D’Urso. Para responder se Ministério Público poderia investigar, mostravam um parecer aqui, uma decisão isolada ali, fragmento disso ou daquilo, completava ele, não necessariamente com essas palavras. O MP é titular da ação penal. Simples assim.
A PEC 37 apenas diria quem faz o quê, mas transformou-se em batalha. Partiram até para insultos: quem pode mais pode menos. Se cão farejador investiga, por que procuradores não? Os arroubos e bravatas de policiais e procuradores enveredaram pelas fogueiras das vaidades. A PEC foi como “pedalada”, que até hoje o povo não sabe o que é. Em clima de golpe, virou a PEC da impunidade e da corrupção.
Fora Dilma, fora Lula/PT, ao som de vuvuzelas, palavras ofensivas à então Presidenta, a PEC 37 virou placas e faixas nas ruas, misturando-se com outras contra o “rebaixamento de Plutão”, “Quero voltar pra Disney”, “Manda Nudis”. Já ali, não custa lembrar, havia cartazes pedindo intervenção militar, “SOS Forças Armadas”, com a violenta presença do grupo terrorista jabuticaba “Black Bloc”.
E, claro, entrou em cena a mais antiga neurose e ou o mais antigo fantasma: comunismo. Junto e misturados, o movimento acabou derrubando a PEC 37 na Câmara Federal. O Ministério Público assegurou a condição de vestal, sob acusação de policiais de que queria fazer investigações seletivas e midiáticas. Mais tarde, na Farsa Jato, outros procuradores desempenharam estranhos papeis. Deltan?
A questão é oportuna. Está em curso na Câmara Federal projetos que garantem impunidade para o crime organizado, presente em todas as instâncias públicas (?). Do obstáculo à tributação de grandes fortunas ao favorecimento de organizações criminosas, da impunidade de parlamentares à proteção de espúrios financiadores de campanha. Ceus! Até anistia para atentado ao Estado Democrático de Direito.
O pacote de impunidade em curso na Câmara além de inconstitucional soa como confissão antecipada de culpa, de reconhecimento de que lá existe criminosos que devem ser protegidos. É forte o espectro de conivência com eventuais políticos criminosos e ou que lá estão financiados pelo mundo do crime. É essa a imagem que os pretensos representantes do povo querem passar para a sociedade?
A desproporcionalidade entre os valores declarados por políticos como doações e o nível das campanhas publicitárias são fortes indicadores de financiamento ilegal, e que crime organizado exerce forte influência na eleição de políticos. A recente operação da Polícia Federal revelou influências e movimentações financeiras do PCC na Faria Lima (Farinha Lima?) e pagamento de propina para a política.
Na Câmara, há nítidos sinais de dinheiro sujo nas campanhas, blindagem de bandidos. A sabotagem na taxação do Pix, Fintechs, descasos ambientais, silêncio sobre ataques à soberania, o banditismo explícito de quem fora do Brasil para tudo isso tem nome: crime organizado na política. A quem os Chupetinhas da vida e outros traidores pretendem proteger? O dinheiro sujo banca a corrupção, ora!
Na “vibe” da vaca, que faz aquilo e anda, o Congresso não está nem aí com o conceito negativo que tem, com a imagem colada à golpistas, estelionatários, a seus pares corruptos condenados, a lavadores de dinheiro, traficantes, pedófilos, traidores da Pátria. Não à toa 78% dos brasileiros acham que lá se defendem próprios interesses, segundo pesquisa do DataFolha divulgada no mês passado.
A pretexto de se defender do STF, a Câmara dos Deputados tenta aprovar a verdadeira PEC da Corrupção, gentilmente batizada pela grande mídia de “PEC da Impunidade”. É nesse momento que aflora a saudade das vestais do Ministério Público Federal, que, diga-se de passagem, continuaria com suas atribuições constitucionais, fiscal da lei e das ações da PF com ou sem a repudiada PEC 37.
Se por alguma razão impeditiva estão silentes, por que tais razões inexistiam no passado? Aguardemos a propaganda no horário nobre e as placas nas ruas.
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Milton
10 de setembro de 2025 8:33 amE o pior de tudo – se for possível – é que entramos no “novo normal”: dinheiro sujo sendo lavado com as barbas do BC – foi “surpreendido pelas “fintechs !!” o povo todo sabia MENOS o BC – para que os “pais da pátria” sigam corruptos e anistiados desde criancinhas. Aqui como no resto do mundo o que vale é dinheiro no bolso ou em apartamentos-cofre. A transição nos valores que hoje observamos é a cena para que o pior saia das fossas. Vivemos tempos tristes mas interessantes. Mais adiante o esgoto chamará os seus e, creio, a humanidade retornará a seu pedestal. Como as marés as águas vão e voltam e a espuma se finda na areia do tempo.