
Até o Brasil do Dilma Fica, Fora Temer, foi pra rua dizer não
por Armando Coelho Neto
Existem vários Brasis dentro do Brasil. Um deles é o do “Brasil Paralerdos”, mais conhecido por outro nome, o qual atrai incautos, fanáticos, extremistas. Há um outro o Brasil da picanha que não veio, que não aprendeu a falar com o povo, mas é forte em esperança. Comemora investimentos nacionais e internacionais que não se concretizam, sem perder a esperança de que salvar o planeta é possível.
Mas tem o Brasil do mercado que patina entre o “Agro é Pop” e a catástrofe iminente, apoia congelamento do salário mínimo, acha “absurdo taxar super-ricos”. E, tem como porta-voz a grande mídia representada pelas três velhinhas moralistas (mas com corpinho de 1964), que atendem pelos nomes de Globo, Folha, Estadão. Dóceis, declaram-se conservadoras (da miséria, desigualdade, vira-latismo…).
O espaço é curto para infinitos Brasis, no qual se inclui o Brasil desconfiado, torpedeado pelos Brasis acima e que se sente manipulado. O que não entendeu o prende-solta de Lula, nem entende o papel de pretensos mediadores de dois precursores do golpismo como Aécio Neves (aquele do Joesley Batista, R$ 2 milhões, lembram?) e o vampiro Michel Temer (Joesley “Tem que manter isso”).
Não dá para saber se o cheiro de enxofre do Temer é o que Aécio cheira, nem se os dois juntos sentem o cheiro de podre quem vem da Câmara Federal, da Faria Lima (talvez Farinha Lima), dois antros onde anistia para golpistas e blindagem para bandidos soam normais. Temer, Aécio, Cunha saem das catacumbas da recente tentativa golpe de estado, aliam-se a Tarcísio Freitas (Tretas) para “pacificar”?
O Brasil desconfiado está atônito com a subversão de valores, com a banalidade do mal. Está cansado dos discursos empolados com os quais se tenta justificar o absolutamente injustificável – da fome à tortura, do falso patriotismo ao aparelhamento político das igrejas, das falsas comparações entre a verdadeira ditadura e a defesa da democracia, na guerra da civilização contra a barbárie.
Tudo isso mete medo no Brasil desconfiado que vê o país refém do Banco Central, cujos juros de agiotagem bancam uma dívida nunca auditada e que quanto mais se paga mais se deve. E, já que tudo é igual ou parecido, Gabriel Galípolo e Campos Neto cabem justinhos no mesmo corró. Afinal de contas, podem ter provado da mesma farinha – ainda que em sacos diferentes, só para contrariar o ditado.
O Brasil desconfiado sabe que o governo é refém do Trump, do criminoso Centrão, do mercado, além de ser vítima da extorsão política pelo controle das agências reguladoras, que mais complicam do que regulam. Por vezes, mais defendem os interesses de quem deveriam fiscalizar do que anseios de quem deveriam proteger, seja na área da saúde, aviação, energia, petróleo, telecomunicações, etc.
Que importa o nome que a Câmara Federal queira dar à sua nova patranha? PEC da Blindagem, Bandidagem ou Corrupção, entrou para a história. É nódoa eterna, confissão de crime. É nítido o intento de querer ser covil de proteção de criminosos. Basta o bandido se eleger para ganhar imunidade e nunca será mais julgado. Basta se reeleger e ou esperar a prescrição delitiva. É, sobretudo, inconstitucional.
O Brasil desconfiado aquietou-se, farto de levantar bandeiras, gritar palavras de ordem, impulsionar “hashtags”, assinar abaixo-assinado, de tomar parte em raquíticos atos da esquerda, que se tornavam cada mais raquíticos quando confrontados com os atos organizados pela direita. Um Brasil decepcionado e ferido em sua dor civil que gritou Dilma Fica, Não Vai ter golpe, Fora Temer, Ele Não…
Dilma não ficou, teve golpe, Temer cumpriu o mandato e “Ele Não” tornou-se o cupim da democracia. Desperdiçou quatro anos para pacificar o país disseminando ódio; armou loucos e traficantes, policiais viraram justiceiros. Veio a fila do osso, velhinhos foram roubados, miseráveis trocaram comida por joguinhos de apostas, tudo com a cumplicidade da Câmara Federal, que hoje quer blindagem para ficar impune.
De qualquer modo, o Brasil desconfiado ainda aposta em Lula. Movido pela repulsa contra Hugo Motta (Marmota) – candidato a ser pior do que Eduardo Cunha e do que o suspeitíssimo Arthur Lira, o desconfiado foi para a rua. Lá encontrou Caetano, Gil e Chico entre outros, dizendo “Ainda estamos aqui”. Até fez coro, na espera da alquimia política de Lula, e continua com o pé atrás sem saber quem manda no país.
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Carlos
24 de setembro de 2025 12:13 pmPor falar em
“Desperdiçou quatro anos para pacificar o país disseminando ódio; armou loucos e traficantes, policiais viraram justiceiros.”
Acho ser importante que deputados estaduais do RJ acabam de aprovar o “bônus faroeste”, um prêmio para policiais que “neutralizarem” bandidos (leia-se preposto, pobres,..) premio que poderá aumentar em até 150% os salários dos policiais.
Relator da excrescência? O tal Rodrigo Amorim, aquele, da placa da Mariele.
Aliás, aproveitando, deram a relatoria do projeto que visa classificar PCC e CV como grupo terrorista para o boçal do nicolas que já berrou: quero ver quem protege bandido, rs.
Que papo para quem tem primo no tráfico. Rs.
Mas classificar tráfico como terrorismo não tem como objetivo único trazer a frota dos eua para nossa costa?
Ooooo cambada!!!
Carlos
24 de setembro de 2025 6:10 pmRetificação: sobre valor do bônus:
Medida recria premiação de10% a 150% dos vencimentos do policial civil “em caso de “neutralização de criminosos”
E não: premio que poderá aumentar em até 150% os salários dos policiais.
Ao invés de “preposto, pretos,..” leia: pobres, pretos
FRANCISCO OLIVEIRA
24 de setembro de 2025 12:47 pmA escrita e a prosa desse articulista é boa demais da conta. Sempre preciso e sem perder o bom humor. Se os discursos impolutos soam descrença, vamos de bom humor que dá certo.
Anônimo
15 de outubro de 2025 1:08 pmFui a uma praia perto de todo no Japão e vi um homem careca todo tatuado da careca, rosto, pés…me contaram que era de um quadrilha semelhantes ao PCC. Todos os membros da quadrilha teriam que se tatuar. Que bom que fosse assim! Será que os envolvidos na peça da bandidagem seriam apenas simpatizante ou já seriam membros do PCC? O que dizer dos farias limers?