O olhar vesgo e cínico dos “Inocentes do Leblon” sobre Toffoli
por Armando Coelho Neto
Nariz de cera 1. “Os Inocentes do Leblon” é um poema de Carlos Drummond de Andrade (1940). Trata-se de crítica à alienação da elite carioca, indiferente a um mundo necrosado às portas da guerra. Premonição da Faria Lima? A necrose da elite e as guerras estão aí. Mas como há sol, bronzeador, Lula e STF pra achincalhar, nada mais importa. E, em fevereiro tem Carnaval… Ilê aô, Pelô, Pelô!
Nariz de cera 2. O Supremo Tribunal Federal enfrentou como poucos o seu papel contra uma parte dos responsáveis pela tentativa de golpe do governo passado. Sujeitos a raios, chuvas e trovoadas, ainda permanecem impunes, picaretas, lunáticos, falsos messias, terroristas e, em especial, financiadores e parlamentares indulgentes – cúmplices da fracassada intentona que pede anistia para neofascistas.
É dispensável qualquer resenha sobre o golpe fartamente documentado. Quanto ao STF, cabe lembrar o reconhecimento internacional: dos Estados Unidos à União Europeia, da América Latina à Comunidade Acadêmica e Jurídica Global, a resposta do Brasil foi elogiada e citada como exemplo. O que não evitou, claro, a campanha de descrédito contra a Corte Suprema, hoje na versão sabor Dias Toffoli.
Narizes de cera à parte, urge lembrar o controvertido papel da Corte, cuja presidência chegou a ser ocupada até por um médico, nomeado pelo ditador Floriano Peixoto (1893/94). Sob protestos de senadores, Peixoto ameaçou nomear o seu cocheiro ou um adolescente de 14 anos. A obra “O Supremo Tribunal Federal e a Construção da Cidadania” (Emilia Viotti da Costa) conta bem a história.
Desde Peixoto, ficou clara a aversão da extrema direita contra o pacto social, ainda que, secularmente, o pacto reflita os interesses das classes dominantes. Nem o perfil técnico (notável saber jurídico) conseguiu impedir o controle e a interferência das denominadas elites sobre a Suprema Corte. Ao fim e ao cabo, restou para os ricos o Direito Civil e para os pobres o Direito Penal, as PMs e masmorras…
O ideário da elite carcomida cruzou os séculos. Mesmo ciente das tramoias do mercado, permitiu-se ser roubada via pirâmides, criptomoedas, escândalos tipo Coroa-Brastel, Banestado, Zelotes (Globo/RBS, Gerdau, Tim), SwissLeaks – um esquemão de contas secretas no HSBC de nomes ilustres, que a Folha de S. Paulo ganhou exclusividade para cobrir e não cobria. Como falar de Frias e Marinhos, né?
O caso Master foi transformado em peça publicitária para atacar o STF. Hoje, por culpa do próprio ministro Dias Toffoli, claro, a sociedade sabe mais sobre ele e a família do que sobre os “eficientes” gestores de finanças. Fruto da aventura gananciosa, irmã siamesa da roubalheira Grupo Americanas (CPI abafada), é retrato fiel do neoliberalismo canibal, cujo sol ofusca a visão dos “Inocentes do Leblon”.
A elite financia um Congresso sofomaníaco com mais de 300 parlamentares da bancada ruralista e mais de 200 ligados ao comércio e serviços. Obviamente, trabalhando para ela (elite), defendendo escusos interesses, anistia para golpista, blindagem para ladrões, CV, PCC, enfraquecimento da PF e do STF. Para alegria do pobre, tem discursos bíblicos e moralistas, banheiro unissex, bets…
O “Master Gate” poderia ser mais um daqueles escândalos citados lá em cima, que os “Inocentes do Leblon” fazem de conta de que não existiram. Com final feliz, claro, no melhor estilo bancos quebrados e banqueiros ricos. Políticos tiram proveito moralista, a grande mídia ganha audiência e, ao final, rola um Banestado ou Farsa Jato (o roubo é legalizado, o povo paga a conta e depois tudo cai no esquecimento).
No caso Toffoli/Master é curioso ver a elite surpresa com o fato de os ricos se frequentarem, conviverem entre si, se encontrarem em festas e pegarem carona em iates e jatinhos. Ministros são içados ao cargo pelas elites, todo mundo é amigo de todo mundo, qualquer deles tem um pé num grande escritório de advocacia, relações com grandes empresas… Cínicos, inocentes do Leblon não enxergam as bailarinas.
Logo vão descobrir que Toffoli, Lula e Vorcaro visitaram a mesma página no Google e farão disso um cínico escândalo, pois querem um afastamento mandraque. Mas suspeições e impedimentos têm previsão legal. A prevalecerem ilações, o STF não poderá julgar mais ninguém, tudo ficaria por conta das subjetividades, ao alvedrio do réu ou da mídia, escolher o juiz da causa. Vide o novo hóspede da Papudinha.
Entre a jaça e o decoro, melhor seria o ministro Dias Toffoli distante do caso Master, não por razões objetivas legais, mas para preservar a aura da Corte Suprema. O olhar vesgo e cínico dos inocentes do Leblon já foi longe demais.
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Anônimo
29 de janeiro de 2026 1:58 amSim! Prezado colunista Armando.
Agora, o Reitor e professor titular da Universidade da galáxia, chama-se Carnaval. “Os inocentes do Leblon” desconhecem os vivaz do frevo, do maracatu, do cavalo marinho, dos blocos líricos, etc. de Recife e Olinda.
Nós pernambucanos, “Agentes Secretos”, agora, só queremos frevar…
PAULO MAURICIO GONCALVES
29 de janeiro de 2026 1:59 amSim! Prezado colunista Armando.
Agora, o Reitor e professor titular da Universidade da galáxia, chama-se Carnaval. “Os inocentes do Leblon” desconhecem os vivaz do frevo, do maracatu, do cavalo marinho, dos blocos líricos, etc. de Recife e Olinda.
Nós pernambucanos, “Agentes Secretos”, agora, só queremos frevar…