Censurado em Piracicaba, livro sobre golpe militar será lançado de forma independente

Jornal GGN – O livro “Piracicaba, 1964 – O golpe militar no interior”, que seria lançado no esteio dos 50 anos do Golpe Militar de 1964, por meio de uma parceria entre pesquisadores, jornalistas e historiadores e o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), agora será lançado de forma independente. Isso porque, de acordo com os responsáveis pelo trabalho de pesquisa, a obra foi vetada pelo IHGP em fevereiro passado, sem explicações.

Fruto de um trabalho conjunto, o material é uma coletânea que começou a ser produzida em agosto de 2013, inicialmente em parceria com o próprio IHGP. O livro já estava em processo de finalização gráfica e editorial, já contando com o registro de ISBN concedido ao próprio IHGP, que a própria entidade solicitara. Mas, por meio de uma mensagem de e-mail, a diretoria executiva da entidade optou pela não publicação da obra.

A obra é organizada pela jornalista Beatriz Vicentini, que por duas ocasiões teve menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog (1998 e 2013) e do Prêmio Esso (1998), além de ser autora de vários livros. Além dela, participam os jornalistas Caio Albuquerque e Patrícia Polacow, o advogado Orlando Guimaro Junior e o sociólogo Luiz Fernando Amstalden.

“Piracicaba tem o direito de conhecer mais sobre aquilo que permanece, até hoje, pouco analisado daquele período na cidade: prisões, pressões a sindicalistas e professores, o convívio entre empresários e as forças repressivas, a vigilância constante inclusive sobre cidadãos insuspeitos, a denúncia anônima contra religiosos e docentes, a prática da tortura, perfis daqueles que ousaram reagir”, diz trecho da nota dos organizadores do livro em que denunciam o veto à obra pelo IHGP.

Campanha de financiamento coletivo

Apesar do veto, os organizadores garantem que o livro será lançado, ainda que com atraso em relação à data do Golpe. “Para desapontamento do grupo, nosso livro tampouco estará disponível nessa data, pois o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, que seria o responsável pela edição e onde grande parte das pesquisas foi realizada, retirou seu apoio às vésperas da impressão. O livro não estará pronto a tempo”, explica a jornalista Patrícia Polacow, em artigo publicado no site do Jornal de Piracicaba.

“Paginação, pesquisa de fotos e produção da capa tiveram que ser refeitas. Em reuniões, telefonemas e e-mails discutimos: como custear a impressão da obra? Em uma reunião surgiu a ideia que resolvemos encampar: arrecadação de fundos através de um site de financiamento”, prossegue. Foi assim que o grupo criou uma campanha de financiamento coletivo pela Internet para arcar com as despesas editoriais e de impressão do livro. A meta é arrecadar R$ 12 mil até o dia 26 de abril. É possível colaborar de R$ 10 a R$ 1,5 mil – cada valor possui uma recompensa específica.

Acesse o site da campanha.

Veja o vídeo da campanha de financiamento:

https://www.youtube.com/watch?v=iB0B1-3O7ZQ width:420 height:315

4 Comentários

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Gilmar Toledo

- 2014-04-01 15:52:07

Piracicuba não é

Piracicuba não é conservadora, e o PT de Pira que é incompetente!  um ninho de cobras!  O ultimo prefeito do PT em piracicaba, Jose Machado, perdeu pela soberba, durante a campanha fez o papel do administrador que trabalha ao inves de fazer campanha,  não mostrou o trabalho e foi derrotado.  Ganhou de brinde um cargo na ANA!  Desde então o PSDB deitou e rolou aqui, a ultima patetica tentativa foi trazer um total desconhecido da cidade para ser candidato a prefeito na ultima eleição, outra derrota humilhante!

um PT acomodado, eu diria até mesmo submisso aos tucanos e o que temos em Piracicaba!  o prefeito tucano anterior, Barjas Negri, sim ele mesmo, construiu varias pontes, e sempre teve o mesmo vencedor e o PT ficou mudinho, construiu uma torre de observação na ponte "estaiada" que encareceu o projeto e o PT nada, fez uma nova e carrissima passarela sobre o rio e novamente nada!  

o PT de Pira e o PT nacional de amanhã!

 

 

 

msilve

- 2014-04-01 13:30:05

Porque não dar nome aos bois.

Porque não dar nome aos bois. Quem vetou?

Edu Pedrasse

- 2014-03-29 11:40:18

Não sabia da história do

Não sabia da história do livro, até que li uma coluna no Jornal de Piracicaba, hoje de tarde, quando voltei da Unicamp.

Entre uma goleta e outra de café li a página da senhorita(senhora?) que relata a mesma história acima.

Confesso que de quando em vez, sempre passava na minha cabeça como teria sido as possíveis reações ao golpe militar aqui em Pira, as adesões também, ou até a omissão.
Por ser uma cidade extremamente conservadora que faz parte do que chamo de “Lousiana Paulista”, nunca duvidei que atos repressivos tivessem ocorrido.

Acredito que a “retirada da verba para a edição” não tenha ocorrido por motivos econômicos, visto que na cidade sobra dinheiro para construir pontes à baciadas.

Mas como todos sabem quem são aqueles que mandam realmente nesta cidade, as hipóteses diminuem.

O que podemos fazer?

Brigar com os donos da cidade ou angariar fundos para editar esse livro em maio?

Acredito ser melhor a segunda opção, pois, realizar CPis para encontrar fascistas – principalmente na sua seara – é muito desgastante.

Façamos uma campanha massiva, angariemos fundos e façamos um lançamento estrondoroso.

Eu da minha parte vou contribuir em dinheiro e me disponho desde de já A REALIZAR UM SHOW GRÁTIS NO LANÇAMENTO DO LIVRO.

Vamos à luta.

Nem só de cana vive Piracicaba.

Abraços a todos

Gardenal

- 2014-03-29 11:23:39

Deve ser horrível ser de

Deve ser horrível ser de direita. 

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