Damares Alves e as entrelinhas extremistas aos evangélicos

Ao lado de Jair e Michelle Bolsonaro, ex-ministra confirma acordo com Assembleia de Deus e chama ministro do STF de “capeta careca”

Agência Brasil

A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves afirmou nesta quarta-feira (13/04) que o acordo fechado com a igreja Assembleia de Deus tem sido cumprido, ao mesmo tempo em que fez referências ao trabalho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Hoje nós viemos apresentar números, dados, informações que talvez não cheguem até vocês, mas tudo que foi conversado com a igreja Assembleia de Deus foi e está sendo cumprido por esse governo”, disse a ex-ministra, em café da manhã com líderes evangélicos ao lado do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada.

“A começar pelas reuniões de ministros – não tem uma reunião que não comece com uma oração; a começar pelas vigílias que acontecem nessa casa, e que acontecem agora também no Planalto; a começar com um presidente que começa toda a sua fala dizendo ‘agradeço a Deus a minha vida’, é um outro tempo”, disse a ex-ministra.

Em meio ao discurso evangélico, Damares diz ainda que “o inferno está com muita raiva de todos nós, e o inferno está se levantando”, em uma referência ao trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF).

O inferno mandou uns capeta (sic) que vocês não tem nem ideia, tem um até careca”, disse Damares em meio aos risos dos presentes, fazendo uma referência ao ministro Alexandre de Moraes. 

“Vocês não tem ideia, pastores, os capetas que os soldados do inferno tem mandado. Não tem sido fácil, tudo se levanta contra esse governo, tudo conspirou contra esse governo”, ressaltou a ex-ministra.

Entre os eventos que Damares diz que ‘conspiraram contra o governo’, estão o desastre de Brumadinho e o acidente que levou ao vazamento de óleo nas praias do Nordeste.

“Quando você achava que não tinha mais nada, o Congresso começa a brigar entre si. Aí o Judiciário se levanta contra nós, toda a imprensa contra nós”, diz Damares.

“Quando a gente achava que não tinha mais nada contra nós, veio uma pandemia. Quando a gente está no final de uma pandemia, vem uma guerra. Tudo conspirou para que um governo cristão não desse certo”.

Consenso de Genebra

Ao mesmo tempo, Damares fez comentários sobre a atuação brasileira na ONU contra a adoção de políticas contra o aborto – como o consenso de Genebra, liderado pelo Brasil e com participação de outros países de viés extremista, como Hungria e Polônia.

“Nós fomos para a ONU, lá onde se discute a legalização do aborto, e falamos o seguinte: ‘seremos membro da ONU desde que não seja obrigada (a adoção) de nenhuma política pública de aborto em nossas nações’”.

Segundo Damares, o Consenso de Genebra conta com 38 países que já aderiram e seguem como integrantes da ONU, e que não terão políticas públicas de legalização do aborto.

“Eu queria que vocês pensassem quantos milhões de crianças não serão sacrificadas em 36 países do mundo sob a liderança do Brasil”, disse a ex-ministra, em meio aos aplausos dos líderes evangélicos, ressaltando que “é possível que nós sejamos a única nação da América do Sul a não legalizar o aborto”.

A íntegra da fala de Damares pode ser vista no Instagram de uma das autoridades presentes, o deputado federal major Vitor Hugo (União Brasil – GO). Clique aqui.

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Redação

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